Vestibular: Entenda a Crise de 1929
Olá, estudantes!
A Crise de 1929 é um tema recorrente nas provas de ciências humanas dos vestibulares. Para estar bem preparado, é importante conhecer as causas, o contexto histórico e os impactos mundiais da Grande Depressão. Por isso, confira nosso resumo sobre a instabilidade econômica de 1929 e gabarite as questões de história.
Contexto dos Estados Unidos após a Primeira Guerra Mundial
Fonte: Reprodução
Em 1920, os Estados Unidos viviam o auge do crescimento econômico, já que suas atividades representavam 40% da produção mundial dos principais setores, como o automobilístico e o petrolífero.
A nação norte-americana exportava bens e fornecia crédito (empréstimos) para os países europeus, que se recuperavam da Primeira Guerra Mundial. Assim, a atividade econômica e o consumismo chegavam ao ápice, marcando o desejado American way of Life (estilo de vida americano).
Liberalismo econômico
Com esse processo, os Estados Unidos saíram de uma economia tradicional e agrícola para se tornarem uma potência de livre mercado. O presidente Herbert Hoover articulou políticas econômicas baseadas no laissez-faire, acreditando que o próprio funcionamento do mercado evitaria futuras crises. As principais características desse período de liberalismo foram:
- Aumento da fabricação de bens de consumo e mecanização da agricultura;
- Expansão da indústria automobilística e do fordismo;
- Protecionismo alfandegário;
- Exportação em alta;
- Ausência de leis trabalhistas;
- Especulação financeira e investimentos na bolsa de valores.
Causas da Crise de 1929 e a quebra da bolsa de Nova York
Superprodução
A crise começou a dar sinais em agosto de 1928, quando a demanda externa diminuiu por causa da recuperação das economias europeias. Além disso, o mercado interno estava saturado após os estímulos para a população adquirir bens de consumo.
Estes fatores levaram à superprodução, que fez muitas empresas terem prejuízo e demitirem seus funcionários. O desemprego, intensificado pela mecanização das atividades agrícolas, reduziu ainda mais as taxas de consumo. Assim, as empresas abaixaram seus lucros e foram desvalorizadas no mercado de ações.
Política de especulação no mercado de ações
Uma das causas da quebra da Bolsa de Nova York foi a política de crédito fácil, que facilitava a compra de ações. Muitas pessoas chegavam a realizar hipotecas e contrair empréstimos para investir em títulos, com a esperança de obterem lucros futuros, atividade chamada de especulação. Essa situação movimentava a economia interna, mas também provocava endividamento e concentração de renda.
Desigualdade social
A riqueza estava concentrada em determinados grupos sociais e empresas, que controlavam os rumos da economia americana. Quando a crise estourou, esses setores perderam patrimônio e não tinham como injetar mais dinheiro na economia, contribuindo para o colapso financeiro.
Quebra da Bolsa de Valores
A política de especulações só poderia ser sustentada enquanto os preços das ações continuassem subindo. Contudo, em 18 de outubro de 1929, o mercado entrou em queda e os investidores começaram uma corrida para vender suas ações.
O dia 24 de outubro de 1929 ficou conhecido como “quinta-feira negra”, já que nesta data mais de 12 milhões de ações foram colocadas à venda sem compradores suficientes, o que levou o preço dos títulos a níveis muito baixos.
O pânico voltou na “segunda-feira negra” (28 de outubro) e na “terça-feira negra” (29 de outubro), quando os preços das ações continuaram baixos e a bolsa de valores quebrou.
Consequências imediatas da quebra da Bolsa de Nova York
As consequências imediatas da quebra da Bolsa de Nova York foram:
- Falência generalizada de bancos. Como as ações continuaram em baixa, os investidores, na tentativa de recuperar dinheiro, procuravam os bancos para sacar suas economias, o que não era possível, já que o setor financeiro também tinha investimentos na bolsa de valores.
- Falência de muitas empresas e desemprego em massa. Mesmo que nem todas as empresas fossem afetadas diretamente pela quebra da bolsa, toda a economia sofria, já que o poder corporativo era desigual.
Como os bancos faliram, a oferta de moeda caiu e o valor do dólar subiu. Assim, os lucros das empresas diminuíram e as dívidas aumentaram, gerando inúmeras falências pessoais e comerciais.
A Grande Depressão nos Estados Unidos
O desemprego atingiu 14 milhões de pessoas, incluindo trabalhadores urbanos e rurais, que representavam aproximadamente 25% da população americana da época.
Para complicar ainda mais o cenário, em 1930, uma seca atingiu 23 estados americanos, em um episódio conhecido como Dust Bowl. Dessa forma, as colheitas foram insuficientes e os agricultores não conseguiram produzir o necessário para seu sustento pessoal e para o comércio.
Plano New Deal e recuperação
Em 1929, a maioria dos economistas e líderes políticos americanos ainda acreditava no laissez-faire, o que fez o presidente Hoover manter suas propostas econômicas. Contudo, a crise não deu sinais de melhora.
Em 1932, Franklin Delano Roosevelt foi eleito presidente dos Estados Unidos e, no ano seguinte, lançou o plano New Deal, inspirado nas ideias do economista J. M. Keynes. A principal característica do plano era a intervenção do Estado na economia, marcando a transição do capitalismo clássico, liberal e concorrencial para o capitalismo monopolista e estatal, isto é, o neoliberalismo.
Dessa forma, o período entre 1933 e 1939 foi marcado por um governo em prol da recuperação econômica. As principais medidas adotadas durante essa fase foram:
- Intervencionismo do Estado na economia, para controlar o sistema de crédito e garantir investimentos;
- Destruição do excedente agrícola para elevar os preços;
- Investimentos públicos em obras de infraestrutura, para aquecimento do mercado consumidor por meio da geração de empregos imediatos;
- Empréstimos públicos para recuperação do setor do agronegócio;
- Política de estímulo à criação de novos empregos;
- Reassentamento, que transferiu famílias que ocupavam terras de qualidade inferior;
- Regulamentação da jornada de trabalho, estabelecimento do salário mínimo, criação do seguro desemprego e outros direitos trabalhistas;
- Lei da Cerveja e do Vinho, que revogou a Lei Seca e tributou as vendas de álcool para aumentar a receita.
Impacto mundial e seus desdobramentos no Brasil
A crise do liberalismo econômico se propagou rapidamente pelos países capitalistas, cujas economias estavam fortemente relacionadas. Nessa época, os Estados Unidos eram o principal parceiro comercial do Brasil, que vendia 70% de sua produção cafeeira para compradores americanos.
Com a queda da demanda causada pela crise, o governo brasileiro, aliado das oligarquias rurais, fez uma intervenção imediata, comprando e queimando cerca de 80 milhões de sacas de café estocadas, na tentativa de reduzir a oferta e manter os preços.
O desequilíbrio das exportações levou à queda do emprego e da renda no Brasil. Isso fez o governo diversificar a produção agrícola e se afastar da elite cafeeira, fatos que posteriormente acarretaram na Revolução de 1930 e na acensão de Getúlio Vargas ao poder.
Na Europa Ocidental, a crise contribuiu para o colapso de regimes democráticos e abriu espaço para o surgimento de governos autoritários, como nazismo e fascismo. A URSS (União das Repúblicas Socialistas Soviéticas), por não ser um país capitalista, mantinha-se isolada e permaneceu fortalecida durante a crise.
Em suma, a Crise de 1929 gerou um novo modelo de capitalismo, pautado não mais no total liberalismo econômico, mas sim na regulamentação moderada do mercado por parte do Estado. Com o New Deal, a economia americana voltou a crescer em 1938, mas o desemprego permaneceu acima de 10% até 1941.
Questões sobre a crise de 1929
O ENEM já cobrou o tema de diferentes formas, por exemplo:
- A prova de 2017 abordou o contexto histórico do período entre guerras e o objetivo das medidas governamentais do New Deal;
- A prova de 2014 questionou qual foi a resposta do Estado brasileiro à conjuntura econômica de 1929;
- A prova de 2012 fez uma comparação entre o crash de 1929 e a crise econômica de 2008/2009.
Além de estudar resolvendo questões de provas anteriores, você pode revisar o conteúdo assistindo a bons filmes.
O cenário político e social do período da Lei Seca, por exemplo, foi retratado no filme Os infratores (Lawless, 2012), que mostra a proibição, fabricação e venda de bebidas alcoólicas.
A falsificação de bebidas e o aparecimento do gangsterismo em algumas cidades norte-americanas inspirou os longas-metragens Inimigos públicos (Public Enemies, 2009) e Bonnie e Clyde (Bonnie & Clyde, 1967), este último baseado em fatos reais.
Já os filmes Tempos modernos (Modern Times, 1936), As vinhas da ira (The grapes of Wrath, 1940) e A luta pela esperança (The Cinderella Man, 2005) mostram os problemas da sociedade durante a Grande Depressão.
E então, o que você achou do nosso resumo? Ficou com alguma dúvida? Deixe aqui nos comentários!
Bons estudos e boa prova!
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