Você está aqui:Home » Dicas » Estudantes » São Bernardo, de Graciliano Ramos

São Bernardo, de Graciliano Ramos

Olá, leitor!

A obra São Bernardo, de Graciliano Ramos, foi escrita em 1934 e publicada em 1938, sendo um dos romances mais importantes da segunda geração modernista (1930/1944) e um livro que compõe um grupo de obras seletas conhecida como o Clico da Seca”, de escritores nacionais dessa fase modernista que falam sobre a falta de água e de recursos para se sobreviver no nordeste brasileiro.

A história dessa obra se destaca porque, com sua grande maestria na escrita, Graciliano Ramos consegue tecer uma trama muito envolvente, amarrando essa ideia de enredo com um pano de fundo histórico e uma subtrama que envolve os acontecimentos do nosso país. Naquela época, o ciclo da seca e a miséria que traz para essa região e, também, narra a saga de um personagem sincero e bruto, que se utiliza desse brutalidade para tocar a sua vida. Assim percebe que vai sendo desumanizado devido aos seus próprios atos e perde a capacidade de se reinventar e mudar o seu estilo de vida, ou seja, não consegue buscar um sentido real para a sua existência.

São Bernardo é um livro que retrata não apenas a miséria do sertão em relação à seca, retrata também como é a vida das pessoas ambiciosas que tendem a fazer de tudo para conseguirem aquilo o quê querem e, mesmo quando eles conseguem, estão insatisfeitos e infelizes.Isso é o que acontece a Paulo Honório, que estraga seu casamento e a felicidade da sua vida, bem como toda os seus desejos e posses que conseguiu através de sua ambição, explorando outras pessoas, devido ao ciume doentio e sem sentido, que acaba culminando numa tragédia acentuada pela chegada de uma seca que acaba com toda sua brutalidade e dureza e, finalmente, derrota-o completamente, deixando-o apenas com as suas amarguras, arrependimentos e memórias, sendo que é aí que ele passa a nos narrar sua história no livro.

Resolvi discorrer sobre as minhas viagens ao sertão. Depois, com indiferença, insisti nos trinta e quatro contos e obtive modificação para cinqüenta e cinco. Mostrei generosidade: trinta e cinco. Padilha endureceu nos cinqüenta e cinco, e eu injuriei-o, declarei que o velho Salustiano tinha deitado fora o dinheiro gasto com ele, no colégio. Cheguei a ameaçá-lo com as mãos. Recuou para cinqüenta. Avancei a quarenta e afirmei que estava roubando a mim mesmo.

Nesse ponto cada um puxou para o seu lado. Fincapé. Chamei em meu auxílio o Mendonça, que engolia a terra, o oficial de justiça, a avaliação e as custas. O infeliz, apavorado, desceu a quarenta e oito. Arrependi-me de haver arriscado quarenta: não valia, era um roubo. Padilha escorregou a quarenta e cinco. Firmei-me nos quarenta. Em seguida roí a corda:

– Muito por baixo. Pindaíba.

Descontado o que ele me devia, o resto seria dividido em letras. Padilha endoideceu: chorou, entregou-se a Deus e desmanchou o que tinha feito. Viesse o advogado, viesse a justiça, viesse a polícia, viesse o diabo. Tomassem tudo. Um fumo para o acordo! Um fumo para a lei!

Resumo da Obra

São Bernardo, Graciliano Ramos

Fonte: Reprodução

Paulo Honório era um menino órfão que foi criado por uma mulher negra que trabalhava como doceira. Sendo assim, desde pequeno ele trabalhava, fosse guiando um cego da região ou fosse vendendo cocada.

Com o passar do tempo o menino foi trabalhar na roça, o trabalho era duro, ele trabalhou lá até seus 18 anos. Um dia ele acaba esfaqueando um homem chamado João Fagundes, tudo porque ele se envolveu com uma mulher a qual Paulo Honório havia perdido a virgindade e estava apaixonado.

Devido a isso, Paulo Honório foi preso, mas como tudo na vida tem seu lado bom, ele aprendeu a escrever na cadeia com um sapateiro chamado Joaquim. Passando esse período, o jovem só pensa em juntar dinheiro, e esse passa a ser o seu objetivo de vida.

Paulo Honório sai da prisão e sua primeira atitude foi buscar dinheiro emprestado de um agiota, encontrou então o Pereira. Assim, ele pega certa quantia de dinheiro e começa a negociar gado e várias outras coisas pelo sertão.

Ele começa a enfrentar todas as injustiças a má sorte, a sede e a fome, ele tenta superar tudo isso com frieza e firmeza, para isso acaba usando meios não muito corretos, ele começa a ameaçar e a roubar as pessoas.

Ele consegue juntar uma quantia considerável de dinheiro e volta a sua cidade natal, Viçosa, sonhando em comprar a fazenda São Bernardo, sendo que essa era a fazenda que ele havia trabalhado na infância.

Paulo Honório começa a fazer jogos sociais como, por exemplo, criar uma falsa amizade com Luís Padilha, que era o grande herdeiro das terras de São Bernardo. Luís era um jovem boêmio e apaixonado por jogos, bebidas e mulheres, sendo assim, Paulo já sabia de seus pontos fracos, então, ganha facilmente sua confiança.

Aproveitando-se da inexperiência de Luís Padilha que, por sua vez, é incentivado por Honório a financiar projetos que não serão bem-sucedidos. Nesse contexto, Paulo fazia tudo na intenção de falir Luís para que pudesse comprar a fazenda. Seu plano então dá certo e ele acaba comprando a fazenda por um valor muito baixo.

Paulo Honório conta com a ajuda de seu amigo Casimiro Lopes para matar Mendonça, que era o fazendeiro vizinho, tudo para que pudesse expandir suas terras. Depois do assassinato encomendado, a fazenda São Bernardo ganhou mais terras e ficou ainda maior.

Honório pega dinheiro emprestado e compra maquinário para plantar mamona e algodão, mas para escoar seus produtos, são necessárias estradas, que foram construídas logo em seguida. Paulo Honório é cada vez mais dedicado ao trabalho e ao intuito de enriquecer ainda mais. Para isso, ele comete muitos erros e injustiças, utilizando todo e qualquer meio para conseguir seus objetivos, ele sempre fica impune por causa de sua rede de relacionamentos. Sendo seus principais parceiros: o advogado Nogueira, que é um manipulador e mantém os políticos locais na linha; o jornalista Godin, que sempre manipulava as informações a quem pagasse mais; e o padre Silvestre, que sempre protegia a quem desse boas quantias de dinheiro para a igreja.

Quando ele percebe que seus negócios estão em alta, Honório contrata o Seu Ribeiro para cuidar da contabilidade dos seus negócios da fazenda São Bernardo, então, ele decide construir uma escola e alfabetizar os empregados, tudo isso, é claro, devido a seus interesses políticos, pois isso serviu para agradar o governador de Alagoas.

Paulo Honório manda buscar a negra que o criou, a velha Margarida. Assim, ela a chama para trabalhar na fazenda São Bernardo em troca de casa e comida.

Como todo homem rico, ele pensa em ter seus herdeiros, pensa em se casar, e chega a cogitar casamento com uma das irmãs ou filhas de seus amigos, mas não encontra nenhuma de seu agrado.

Um dia, numa visita a casa do juiz Magalhães, ele conhece a professora Maria Madalena. Ele sendo um homem determinado, conseguiu convencer a moça a casar-se com ele. Assim, Madalena se muda para a fazendo e leva sua tia Glória para morar com eles, mas Honório vai percebendo com o passar do tempo que a rotina da fazenda começa a mudar devido a presença da esposa, pois Madalena, além de uma professora dedicada, também se interessa pela condição de vida das pessoas que trabalham para eles, ela escuta os empregados sobre as péssimas condições de trabalho deles e do professor Padilha, que dá aulas para os funcionários, então, exige do marido uma compra de materiais escolares para a escola da fazenda. Ela começa também a dividir as tarefas em relação a escrituras com Seu Ribeiro.

Madalena era vista por Paulo Honório como uma mulher tradicional de sua época, ou seja, moralista, frágil, uma dona de casa. O marido começa a ficar muito incomodado com as atitudes de Madalena, então, começam os desentendimentos e brigas do casal, mostrando a personalidade violenta de Honório.

Paulo Honório não conseguindo a submissão da esposa, assim como consegue de todos, começa a ficar cada vez mais agressivo com todos, mostrando-se um ciumento excessivo. Com o nascimento do primeiro filho, Madalena esperava que o ciúme do marido fosse diminuir, mas isso não aconteceu, Honório continuava descontrolado de ciúmes.

Uma noite, o casal recebe a visita do juiz Magalhães, ele tem uma conversa animada com Madalena, Paulo Honório fica enfurecido de ciúmes, e começa a se martirizar com pensamentos de traição, imaginando o quanto de prazer um homem culto e intelectual poderia dar a sua esposa. Ele começa a fazer comparativos dele mesmo com o juiz intelectual e se considera bruto, chegando à conclusão, em seus delírios, de que seria impossível Maria Madalena resistir aos encantos do juiz.

Passando a noite, logo pela manhã, Honório se depara com sua esposa abatida, escrevendo uma carta para Azevedo Godim. Ele se descontrola e exige explicações. Ela também se descontrola e rasga a carta, ela o chama de assassino, mesmo se arrependendo do que fez, Honório não esquece o insulto recebido e resolve expulsar Padilha de suas terras. O professor afirma ser fiel a ele e obediente as suas vontades, mas não adianta, o professor afirma que se Madalena sabe de algo, foi dito pela própria população local e não por ele.

A paranoia toma de conta de Paulo Honório que vai ouvindo passos imaginários durante a noite, tem delírios, e fica visualizando uma infidelidade da esposa que só existe em seu imaginário.  Madalena sofre, cada vez mais solitária e sentindo-se humilhada, começa a perder o interesse pela vida e até mesmo pelo seu filho.

Paulo Honório era orgulhoso e vaidoso com suas terras, uma vez estava contemplando sua propriedade da torre da igreja, avista Madalena escrevendo uma carta, ele desce, confere o trabalho dos empregados e acha uma folha no chão, ele lê e relê os escritos. Ele é tomado pelo ódio e o ciúme o cega, pois, ele tem certeza de que a carta se endereçava a um homem com quem Madalena teria um caso.

Honório sai de casa atormentado, vai à procura da esposa e a encontra na igreja com uma aparência tranquila e calma. Ele exige de Madalena explicações e ela, por sua vez, apenas diz que o restante das folhas estava no escritório dele. Então, ela pede desculpas a todos os presentes pelo o ocorrido e diz que o ciúme acabou com a vida dos dois. Honório nem volta a fazenda naquela noite, passa a noite inteira sozinho sentado no bando da sacristia.

Quando Honório chega em casa na manhã seguinte, ouve gritos. Quando vai ver o quê se trata, percebe que Madalena havia se suicidado. Ela deixou em cima da bancada uma carta de despedida, escrita especialmente para seu marido, dessa carta faltava apenas uma página, aquela que ele havia encontrado no dia anterior.

Após a morte de Madalena, D. Glória e Seu Ribeiro deixam a fazenda. Luís Padilha junta-se os revolucionários para lutar na Revolução de 1930 e também deixa São Bernardo. O juiz Magalhães é afastado do cargo e os limites da fazenda passam a ser contestados judicialmente. Com tudo isso, Paulo Honório se encontra abandonado.

Finalmente, em meio a solidão e somente com a companhia de Casimiro Lopes e seu cachorro, Paulo Honório escreve sua narrativa. Amargurado pelo passado, toma consciência da desumanização por que passou enfrentando a dureza do sertão. Incapaz de mudar, Paulo Honório busca algum sentido para a sua vida refletindo sobre o passado e escrevendo sua história sentado à mesa da sala, fumando cachimbo e bebendo café.

Ninguém imaginará que, topando os obstáculos mencionados, eu haja procedido invariavelmente com segurança e percorrido, sem me deter, caminhos certos. Não senhor, não procedi nem percorri. Tive abatimentos, desejo de recuar; contornei dificuldades: muitas curvas. Acham que andei mal? A verdade é que nunca soube quais foram os meus atos bons e quais foram os maus. Fiz coisas boas que me trouxeram prejuízo; fiz coisas ruins que deram lucro. E como sempre tive a intenção de possuir as terras de São Bernardo, considerei legítimas as ações que me levaram a obtê-las.

Alcancei mais do que esperava, mercê de Deus. Vieram-me as rugas, já se vê, mas o crédito, que a princípio se esquivava, agarrou-se comigo, as taxas desceram. E os negócios desdobraram-se automaticamente. Automaticamente. Difícil? Nada! Se eles entram nos trilhos, rodam que é uma beleza. Se não entram, cruzem os braços.

Mas se virem que estão de sorte, metam o pau: as tolices que praticarem viram sabedoria. Tenho visto criaturas que trabalham demais e não progridem. Conheço indivíduos preguiçosos que têm faro: quando a ocasião chega, desenroscam-se, abrem a boca e engolem tudo.

Eu não sou preguiçoso. Fui feliz nas primeiras tentativas e obriguei a fortuna a ser-me favorável nas seguintes.

Estrutura da Obra

São Bernardo, de Graciliano Ramos possui cerca de 170 páginas, a depender da sua edição, divididas em trinta e seis capítulos. O enredo da história é baseado em lembranças, ou seja, é nos contado através de flashbacks da memória do narrador, Paulo Honorário, que nos conta então sua história de vida de forma cronológica quando volta ao passado, no inicio da narrativa.

Contexto Histórico

O autor compõe uma trama que tem como plano de fundo a situação dramática do Nordeste brasileiro, afetado com as secas periódicas, sobretudo as das primeiras décadas do século XX, que ocasionou o êxodo rural, a pobreza generalizada e as tentativas de sobrevivência dos sertanejos nordestinos. Além disso, ainda temos menção ao início da Revolução de 1930, outro período histórico daquela época.

Notas Sobre o Autor

Graciliano Ramos de Oliveira nasceu em Quebrângulo, Alagoas, em 27 de outubro de 1892. Terminando o segundo-grau em Maceió, mudou-se para o Rio de Janeiro, onde trabalhou como jornalista durante alguns anos. Em 1915 volta para o Alagoas e casa-se com Maria Augusta de Barros, que falece em 1920 e o deixa com quatro filhos.

Trabalhando como prefeito de uma pequena cidade interiorana, foi convencido por Augusto Schmidt a publicar seu primeiro livro, “Caetés” (1933), com o qual ganhou o prêmio Brasil de Literatura. Entre 1930 e 1936 morou em Maceió e seguiu publicando diversos livros enquanto trabalhava como editor, professor e diretor da Instrução Pública do Estado. Foi preso político do governo Getúlio Vagas enquanto se preparava para lançar “Angústia”, que conseguiu publicar com a ajuda de seu amigo José Lins do Rego em 1936. Em 1945 filia-se ao Partido Comunista do Brasil e realiza durante os anos seguintes uma viagem à URSS e países europeus junto de sua segunda esposa, o que lhe rende seu livro “Viagem” (1954).

Artista do segundo movimento modernista, Graciliano Ramos denunciou fortemente as mazelas do povo brasileiro, principalmente a situação de miséria do sertão nordestino. Adoece gravemente em 1952 e vem a falecer de câncer do pulmão em 20 de março de 1953 aos 60 anos.

Suas principais obras são: “Caetés” (1933), “São Bernardo” (1934), “Angústia” (1936), “Vidas Secas” (1938), “Infância” (1945), “Insônia” (1947), “Memórias do Cárcere” (1953) e “Viagem” (1954).

Relevância da Obra

São Bernardo, de Graciliano Ramos, é de extrema importância para a segunda fase do modernismo brasileiro, geração de 1930, devido a sua temática regionalista e por ser um dos livros que compõe o clico da seca no nordeste brasileiro, ao lado de grande outros títulos, tais quais: O Quinze, de Rachel de Queiroz; A Bagaceira, de José Américo de Almeida; Menino de Engenho, de José Lins do Rego; Vidas Secas, também de Graciliano Ramos; dentre outros.

Demorei-me um instante vendo um casal de papacapins namorando escandalosamente. Uma galinhagem desgraçada. Dentro de alguns dias aquilo se descasava, cada qual tomava seu rumo, sem dar explicações a ninguém. Que sorte!

E dirigi-me a casa. No alpendre Madalena, Padilha, Dona Glória e Seu Ribeiro conversavam. Com a minha chegada calaram-se. Puxei uma cadeira e sentei-me longe deles. Era possível que a palestra não me interessasse, mas  suspeitei que estivessem falando mal de mim. Provavelmente. Dona Glória sempre com segredinhos ao ouvido de Seu Ribeiro. E Madalena escutando o Padilha. O Padilha, que tinha uma alma baixa, na opinião dela. Para o inferno. Tão bom era um como o outro. Entretidos, animados. Conspiração. Talvez não fosse nada. Mas para quem, como eu, andava com a pulga atrás da orelha! Aborrecia.

Estavam constrangidos, certamente adivinhando o que eu pensava. Padilha mastigava com os dentes estragados o sorriso servil. Levantei-me, encostei-me à balaustrada e comecei a encher o cachimbo, voltando-me para fora, que
no interior da minha casa tudo era desagradável.

No fim do pátio um moleque passou, com um bodoque na mão. Estava ali para que servia a escola. Vadiando, matando passarinhos, num dia de descanso, bom para soletrar a cartilha e riscar papel.

Seis contos de tábuas, mapas, quadros ‘e outros enfeites de parede. Seis contos!

Carrancudo, olhei de esguelha para Madalena, que ficou sossegada, como se aquilo não tivesse sido feito por ela.

Acendi o cachimbo, furiosamente, e procurei distrair-me.

Foco Narrativo, Narrador e Linguagem

O foco narrativo da obra é em primeira pessoa do singular, o que confere a narrativa um narrador a contar, através das memórias, as lembranças do seu passado amargurado, utilizando-se de flashbacks. Isso faz com que o narrador seja considerado como autodiegético, ou seja, aquele que narra sua própria história, onde ele é o protagonista.

Além disso, a utilização dos flashbascks, faz com que essa obra s destaque das demais da época, sendo uma das únicas que trabalha com os aspectos psicológicos, pois a narrativa memorialista caracteriza a história como internalizada dentro da psique da personagem.

A linguagem de São Bernardo, como de costume no modernismo, é carregada de gírias, expressões e vocabulários  idiomáticas regionais e marcas da oralidade do povo sertanejo humilde. O narrador conta sua história através dos seus recursos, ou seja, através das suas expressões e palavras específicas do nordeste brasileiro ou das regiões próximas ao estado de Alagoas.

Tempo e Espaço

O espaço ode se passa a obra São Bernardo, de Graciliano Ramos, é o interior do estado de Alagoas, fazendo menções a lugares próximo onde o autor da obra nasceu, a cidade de Quebrângulo.

Em relação ao tempo, ele é considerado psicológico, ou seja, por se ruma narrativa de memórias, o tempo se passa de acordo com as lembranças do personagem que, mesmo que tenha sido narrado de forma cronológica, não está se passando no momento, quer dizer, são fatos já concretizados.

Análise das Principais Personagens

As principais personagens de São Bernardo, de Graciliano Ramos, são:

Paulo Honório

Principal personagem da obra, o personagem narrador, que decide colocar no papel as suas memórias da vida amargurada que teve, procurando sempre buscar um sentido para a sua vida. Caracterizado por ele mesmo como um homem rude, violento, ciumento e sem escrúpulos, capaz de cometer atrocidades devido a sua ganância e o desejo de se tornar um homem rico. Sua vida é somente para isso, enriquecer. Mesmo na época em que vivia apenas trabalhando, trabalhava demais somente pensando em ganhar mais dinheiro e não por prazer à profissão. Para conseguir o que queria, comete até mesmo assassinato.

Madalena

Par romântico do personagem principal, Madalena é caraterizada como uma professora do primária que foi criada pela tia, sendo moça muito inteligente e gentil, o que para Paulo parecia ser uma boa mulher para ser sua esposa, tendo em vista que ela era bonita e parecia-lhe que a moça seria uma esposa recatada e submissa. Entretanto, após casar-se com Paulo Honório, Madalena mostra-se que é sim uma mulher doce, gentil e muito inteligente, contudo, muito contestadora também e, assim, passa a querer consertar algumas injustiças que o marido fazia na fazenda. Dessa maneira, começam as brigas do casal e o ciúme doentio de Paulo, que faz com que a vida da professora se torne muito infeliz e sofrível, culminando em seu suicídio.

Quando dei acordo de mim, a vela estava apagada e o luar, que eu não tinha visto nascer, entrava pela janela. A porta continuava a ranger, o nordeste atirava para dentro da sacristia folhas secas, que farfalhavam no chão de ladrilhos brancos e pretos. O relógio tinha parado, mas julgo que dormi horas. Galos cantaram, a lua deitou-se, o vento se cansou de gritar à toa e a luz da madrugada veio brincar com as imagens do oratório. Ergui-me, o espinhaço doído da posição incômoda. Estirei os braços. Moído, como se tivesse levado uma surra.

Saí, dirigi-me ao curral, bebi um copo de leite. Conversei um instante com Marciano sobre as corujas. Em seguida fui passear no pátio, esperando que o dia clareasse de todo. Realmente a mata, enfeitada de paus-d’arco, estava uma beleza.

Três anos de casado. Fazia exatamente um ano que tinha começado o diabo do ciúme.

A serraria apitou; as suíças de Seu Ribeiro surgiram a uma janela; Maria das Dores abriu as portas; Casimiro Lopes apareceu com uma braçada de hortaliças.

Desci ao açude. Derreado, as cadeiras doendo. Que noite! Despi-me entre as bananeiras, meti-me na água, mergulhei e nadei.

Quando cheguei a casa, o sol já estava alto. O espinhaço ainda me doía. Que noite!

Subindo os degraus da calçada, ouvi gritos horríveis lá dentro.

Até a próxima!

Deixe um comentário

© 2012-2019 Canal do Ensino | Guia de Educação

Voltar para o topo