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Resiliência pedagógica: o que é e como aplicar

O que é Resiliência pedagógica? Como aplicar? 

Primeiramente precisamos entender o que é resiliência para depois aplica-la na educação. Resiliência é um termo da física, que se refere a propriedade que alguns corpos possuem em retomar à sua forma original após uma deformação elástica. No sentido figurado é a capacidade que algumas pessoas possuem em se adaptar facilmente as diversas situações.

Uma pessoa pode-se perguntar se é resiliente? Se é capaz de lidar bem com os problemas? Se consegue resolve-los de forma branda e pacífica? Se se adapta bem com as mudanças? Muitas vezes, quando passamos por mudanças ficamos resistentes. O medo e ansiedade pode até impedir que uma pessoa veja as coisas de modo positivo.

Mas com o tempo e ao passo que conhece outras pessoas, você acaba se identificando com algumas delas, aos poucos consegue adaptar-se e resolver todos os conflitos que aparecem. No entanto, quando a mudança é planejada fica mais fácil a adaptação. E podemos nos preparar melhor para os eventos posteriores. Por exemplo quando mudamos de casa, de escola, de cidade, ou de país.

Muitas vezes pode-se pensar: como vou resolver este problema? Como vou superar este obstáculo? Como vou resistir a essa pressão? Tenha certeza de uma coisa, as situações adversas sempre existiram e sempre existirão. Pode até provocar um choque, estresse ou mesmo pânico, mas é necessário pensar com clareza. E tentar encontrar soluções para enfrentar e superar estas adversidades.

Resiliência Pedagógica

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Na área da educação não é diferente, temos muitas vezes de lidar com mudanças e resolução de problemas. Sem contar que temos que superar as tensões. Por exemplo: Quando entramos numa escola, temos conceitos arraigados de nossa formação e de nossas experiências anteriores. Temos que verificar quais são as crenças e valores daquela comunidade.

Não é nada fácil quando nos deparamos com um ambiente novo, é comum ficar tenso, ansioso, nervoso. Doe um pouco do seu tempo para conhecer esta nova realidade. Com o tempo conhecemos melhor o local e as pessoas desta comunidade. Conhecer o Projeto Político Pedagógico é fundamental.

Uma outra dica é se puder ler o Plano Gestor, verificando qual é a ideologia e os preceitos da comunidade. Faça alguns apontamentos se tiver dúvidas. Converse com o diretor ou coordenador pedagógico. Verifique a avaliação do ano anterior. Isso te auxiliará a compreender melhor as pessoas daquela escola.

Agora vejamos algumas ações que devemos ter para sermos resilientes:

Administrando nossas emoções

Mesmo que esteja nervoso com a mudança de escola tente se manter sereno. Observe o comportamento das pessoas e verifique a sua empatia por alguma delas. Quando pensamos no que perdemos ou no que deixamos, temos a tendência de ficar negativos e não conseguir encontrar nada de bom. Com isso a dificuldade aumenta e você se desgasta emocionalmente.

Muitas vezes nos sentimos muitos cansados, pois a pressão e a tensão sobrecarregam todo o sistema nervoso. Os pensamentos ficam em “looping”, parece que não raciocinamos corretamente. Qualquer ação parece que é para você ou contra você, quando isso acontece temos que tomar cuidado. O aumento do estresse pode ocasionar confusões mentais, fazendo com que você não perceba o que realmente está acontecendo.

Alguns professores acabam tendo problemas emocionais e necessitam de orientação médica e psicológica. Em alguns casos, pode-se gerar doenças psicossomáticas que alteram a funcionalidade de seu organismo. Os órgão mais afetados são: o estomago, intestino, garganta, pulmão, entre outros órgãos até o coração.

Muitas vezes projetamos nossas expectativas e queremos que tudo saia conforme ou melhor do que planejamos. Temos só que tomar cuidado! A ansiedade poderá nos levar ao perfeccionismo que não é saudável. Pois perdemos a capacidade de delegar, nos sobrecarregamos e não aceitamos a opinião alheia. Somente a nossa opinião e nosso modo de fazer as coisas estão corretos.

Controlando os impulsos

Muitas pessoas afirmam que possuem dificuldade de se controlar diante de uma situação. Quantas vezes precisamos parar e pensar antes de agir diariamente. O ser humano de modo geral possui impulsos nervosos e controla-lo é uma tarefa árdua. Algumas pessoas afirmam que agem impulsivamente, ou seja, movidas somente pela experiência de uma emoção. Porém, raciocinar é necessário.

Quando estamos em uma escola, somos pessoas públicas. Principalmente na sala de aula, somos exemplos de conduta. Se agimos por impulso, fornecemos um modelo errado para os nossos alunos. Um conselho é sempre pensar antes de agir. E diante de uma situação limite, procure ajuda de alguém.

Procure sempre conversar na presença de outras pessoas, isso te ajudará a controlar melhor seus impulsos. Pense antes de falar. Você gostaria de ouvir o que está pensando? Como você se sentiria? Se as respostas forem sim e bem, continue senão. Tente falar de modo que não agrida a outra pessoa. É importante usar a empatia.

Quando falamos com crianças e adolescentes temos que tomar o máximo de cuidado. São seres em formação, ainda não possuem todas as estruturas emocionais. Palavras agressivas e destrutivas podem gerar danos a personalidade desta pessoa.

Principalmente em sala de aula precisamos controlar nossos impulsos sendo mais sensíveis mediante as diferentes situações. Vejamos um exemplo de sala de aula e a conduta de uma professora e de sua aluna.

Exemplo de sala de aula

A professora pede aos alunos para fazer uma árvore e pintar. Uma aluna faz uma árvore em formato cilíndrico e pinta de cinza e marrom. A professora passa por sua carteira e vê. Imediatamente a professora repreende a criança. Fornece outra folha e desenha na lousa uma macieira. A aluna pode pensar:

Primeira hipótese a aluna “Que não sei desenhar e nunca mais vou fazer um desenho livre.” podendo se tornar depressiva e construindo o sentimento de que não consegue fazer nada direito. Acaba não sabendo lidar com as situações novas e com a crítica alheia.

Segunda hipótese a aluna “Vou mostrar que a professora que está errada, existe a minha árvore em algum lugar.” podendo se rebelar contra a autoridade da professora e contrariar tudo o que ela fizer. No sentido de mostrar a ela que pudesse realizar as coisas de outras formas.

Terceira hipótese a aluna “Não estou nem aí, vamos copiar. Pelo menos ela não reclama.” A aluna começa a não criar estratégias e somente copia os exemplos. Não cria nada de novo só cópia.

Otimismo

Quando iniciamos nossas atividades precisamos pensar que tudo dará certo. Mesmo que tenhamos medo e ansiedade precisamos controlar nossos pesamentos. Ter esperança mesmo que o poder de decisão não esteja em nossas mãos.

Quando enxergamos a vida pelo foco positivo, temos maiores chances de sermos felizes. E com isso, transmitir este sentimento para aqueles que nos rodeiam. No caso acima citado, a professora poderia estar com problemas pessoais e não consegue ver com sutileza o desenho da aluna. Vejamos algumas sugestões de perguntas que ela poderia ter feito:

  • Você já viu uma árvore assim?
  • Conhece muitas árvores diferentes?
  • Você gostaria de fazer outros tipos de árvores?
  • Qual é a árvore que você acha mais bonita?
  • Você pode desenhar uma igual a do quadro, para podermos fazer algumas anotações?

Assim a aluna se sentiria acolhida, podendo elevar sua autoestima, pois a professora se importa com ela. Aprenderá que sempre pode fazer melhor e diferente. As pessoas podem esperar que você faça algo diferente, de acordo com suas crenças e valores.

Empatia

Normalmente as pessoas afirmam que possuem empatia por uma pessoa, mas não por outra. Muitas vezes ao entrar em uma nova escola, ou qualquer ambiente novo, procura-se automaticamente se inserir. O ser humano procura compreender os ideais das pessoas que estão ao seu redor. Verificam aquelas que possuem as regras de conduta semelhantes as suas, assim ficará mais fácil trabalhar junto.

Muitas vezes nos colocamos no lugar de outra pessoa, mas a empatia vai além disso. É a capacidade de se sentir o mesmo que o outro; possuir as mesmas opiniões em determinados assuntos. Com isso direcionamos nossas ações e tentamos compreender melhor o outro.

Apesar de alguns professores ter situações adversas como uma sala de aula mal iluminada; muitos alunos em classe; pais que não compreendem a didática da escola; salários baixos; acumulo de cargo ou função; e de parecer que não tem tempo para mais nada. Mas atenção! Saia do piloto automático e procure conhecer as pessoas que você convive.

A medida que as dificuldades aparecem, podemos nos apoiar nas pessoas que conhecemos. Isso nos auxilia a superar as dificuldades, na tomada de decisões e a resolver os problemas facilmente. Quando somos amparados, não temos receio do erro e nem do fracasso. E agimos melhor diante da diversidade.

Auto eficácia

A maioria dos educadores possuem a capacidade de organização e de execução de diversas ações. Diariamente possuem muitos desafios vejamos alguns:

  • cumprir um programa;
  • planejar e executar bem as aulas;
  • manter a conduta dos alunos;
  • cuidar do desenvolvimento global dos alunos;
  • respeitar normas de conduta, entre outros.

Entretanto não podemos esquecer que são seres humanos. Além da característica de auto eficácia é necessário que tenha autoconfiança para lidar melhor com os problemas cotidianos. Mas quais são as características da resiliência atribuídas ao professor.

Resiliência atribuída ao professor

Muitos estudos apontam algumas características da resiliência atribuídas ao professor, como:

  • Comunicação é a principal característica de troca entre as pessoas;
  • Responsabilidade o educador possui a responsabilidade por sua
  • própria vida e a de outros;
  • Ter consciência limpa é a capacidade de aceitar as responsabilidades, reconhecer os erros e superá-los;
  • Ter convicções sobre alguns valores essenciais que permitem avançar e suportar adversidades.
  • A compaixão lhe permite envolver-se com os outros e tentar compreende-los.

Então, podemos concluir que todos podemos nos beneficiar da resiliência. Pois, ela favorece a intermediação entre o professor e seus alunos, possibilitando uma melhor troca de conhecimentos, o aumento da confiança, do respeito e da autoestima.

Assim, diante da complexidade da atual educação, é necessário que se revise a formação do educador. Acrescentando estes conceitos da resiliência, tornando os professores mais confiantes, conscientes e bem preparados para enfrentar o início da carreira profissional e contribuir para amenizar as relações diante das adversidades da sala de aula.

POLETTI R.; DOBBS, B. A resiliência: a arte de dar a volta por cima. Petrópolis, RJ:

Vozes, 2007.

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