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Por que os alunos não aprendem com Slides?

Olá professores!

Veja se esta situação já aconteceu com você: ficou acordado até tarde na véspera de estar na escola às 8 da manhã e ainda não tinha preparado a aula. Joga algum texto no PowerPoint e se prepara para falar sobre os tópicos. Simples e prático, não é? Pois saiba que esse “método” pode estar, na verdade, mais prejudicando do que ajudando seus alunos, não importa se o assunto é fácil ou difícil. Veja abaixo uma análise feita pelo Porvir.

Aqui, você vai ficar sabendo por que o design instrucional, na maioria das vezes, não funciona com estudantes; e quando você deve ensinar com PowerPoint – e também quando evitá-lo. Tudo começa com um conceito chamado de “carga cognitiva”.

Carga cognitiva

Imagine o cérebro dos estudantes como uma caixa. Conforme você começa a jogar pedras, ela fica mais e mais pesada – e assim, é mais difícil para o estudante aguentá-la e mantê-la organizada. Basicamente, essa é a definição de carga cognitiva. Ela descreve a capacidade da memória do nosso cérebro em suportar e processar partes de informação. Todos temos uma limitação de memória, então quando temos que lidar com informações demais, a carga fica mais pesada e mais difícil de ser controlada.

Origem da informação

Na sala de aula, a carga cognitiva do estudante é muito afetada pela origem externa da informação – em outras palavras, a maneira pela qual ela é apresentada a eles. Todo professor instintivamente sabe que existem jeitos melhores – e piores – de apresentar um conteúdo. A razão para isso, segundo pesquisas, é que, ao aliviar a carga, fica mais fácil para o cérebro do estudante acessar a informação e a transformar em memória.

Ensinar com slides de texto do PowerPoint durante uma leitura em voz alta, infelizmente, significa o mesmo que jogar muitas pedras dentro da caixa do aluno e faz com que ele retroceda.

O efeito de redundância

A apresentação simultânea de um texto de modo visual e oral, atualmente é muito comum nas salas de aula. Veja só, que curioso: um estudo australiano do final dos anos 1990 (o 1999 Kalyuga Study) comparou o resultado acadêmico de um grupo de universitários que assistiu a uma aula de um professor que usou texto e áudio (o que significa que havia palavras na tela enquanto ele falava) com um outro em que os alunos só ouviam a uma explicação sem PowerPoint. Os pesquisadores concluíram que a utilização de estímulos visuais com palavras durante uma apresentação aumenta a carga cognitiva, em vez de diminui-la.

Isso se deve ao chamado efeito redundante. A redundância verbal “surge da apresentação verbal e discurso na íntegra”, aumentado o risco de sobrecarregar a capacidade de memória – por isso, pode causar efeito negativo no aprendizado.

Considere, por exemplo, uma aula de ciências sobre cadeias alimentares. O professor pode começar explicando a diferença entre carnívoros e herbívoros. Aparece um slide com a definição de cada termo. O professor começa a ler diretamente do slide. As partes duplicadas de informação – falada e escrita – não vão reforçar positivamente uma a outra; no lugar disso, as duas sobrecarregam as habilidades do estudante em controlar a informação.

Pesquisadores defendem que seria mais fácil para estudantes aprenderem as diferenças entre carnívoros e herbívoros se eles fechassem os olhos e só ouvissem à explicação. Mas estudantes que ficam com olhos fechados durante a aula são acusados de “não estarem prestando a devida atenção”.

Como aliviar a carga

Então qual a melhor solução? Como garantir que as crianças aprendam a partir de suas explicações orais em vez de ficarem com o cérebro saturado? (Empreendedores, saibam que isso também poderia ser aplicado em suas apresentações nas empresas).

Richard Mayer, um neurocientista da Universidade de Santa Barbara e autor do livro “Multimedia Learning” (Aprendizado Multimídia) oferece a seguinte sugestão: elimine elementos textuais de suas apresentações e passe a falar por tópicos, compartilhando imagens ou gráficos com os alunos. O vídeo abaixo (em inglês) detalha exatamente o que ele quer dizer:

Este método, segundo Mayer, é particularmente apropriado para assuntos em que gráficos geométricos e imagens são cruciais para a compreensão dos conceitos-chave, como cadeia alimentar, cálculo de área de uma superfície ou ciclo da água.

Outros estudos sugerem que misturar pistas visuais com explicações orais (em aulas de matemática e ciências, em particular) é essencial e eficiente. No estudo de Leslie, um grupo da quarta série que não sabia nada sobre magnetismo aprendeu significativamente mais quando teve contato tanto com imagens quanto com a explicação do professor em comparação a outro grupo que só teve a explicação oral.

Sugestões

Você é professor de ciências? Coloque uma foto dos dentes de um leão e de uma zebra na tela enquanto explica a diferença entre carnívoros e herbívoros.

Ensina história? Coloque em volta da data “1776” pinturas dos Pais Fundadores dos Estados Unidos assinando a Declaração de Independência (o mesmo vale para a História brasileira), em vez de incluir fatos relacionados em sua apresentação.

E se você tem dificuldades em tirar completamente as palavras de suas apresentações em PowerPoint, especialmente quando quer que os estudantes tomem nota, aqui vão mais algumas dicas:

– Limite-se a uma palavra por slide. Se for explicar termos, tente coloca-lo associado a um conjunto de imagens – e peça para os alunos para deduzirem;

– Obedeça ao “princípio da personalização”, que basicamente diz que atrair leitores entregando conteúdo de modo conversacional vai aprimorar o aprendizado. Por exemplo, Richard Mayer sugere usar muitos “Eus” e “Vocês” em seu discurso, porque alunos reagem melhor à linguagem mais informal.

Interessante, não é? Aproveite para melhorar cada vez mais seu método de ensino e conquiste seus alunos, transformando-os em futuros profissionais de sucesso.

Como otimizar a aprendizagem dos alunos?

Boa sorte!

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