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Poesias, de Olavo Bilac

Olá, leitor!

Olavo Bilac foi muito importante para a literatura brasileira devido ao seu desempenho na escola parnasiana, movimento literário que tinha como característica a estrutura rígida e estética dos versos

Bilac foi um dos fundadores da Academia Brasileira de Letras e foi eleito pela revista Fon-Fon “o príncipe dos poetas”. O escritor também ficou conhecido por sua atuação na literatura infantil e pelo apoio ao alistamento militar. Nacionalista e republicano, o poeta escreveu o hino à bandeira e foi preso por sua oposição ao governo de Floriano Peixoto.

Primavera

Ah! quem nos dera que isso, como outrora,

inda nos comovesse! Ah! quem nos dera

que inda juntos pudéssemos agora

ver o desabrochar da primavera!

Saíamos com os pássaros e a aurora,

e, no chão, sobre os troncos cheios de hera,

sentavas-te sorrindo, de hora em hora:

“Beijemo-nos! amemo-nos! espera!”

E esse corpo de rosa recendia,

e aos meus beijos de fogo palpitava,

alquebrado de amor e de cansaço….

A alma da terra gorjeava e ria…

Nascia a primavera…E eu te levava,

primavera de carne, pelo braço!

A obra de Olavo Bilac e o Parnasianismo

Poesias, Olavo Bilac

Fonte: Reprodução

Olavo Bilac é considerado um dos principais representantes do Parnasianismo no Brasil, assim como os poetas Alberto de Oliveira e Raimundo Correia, valorizando a estética e a métrica dos versos, que eram muito bem trabalhados. Bilac tinha como principal forma de sua poesia o soneto, sendo que os mais famosos são Profissão de FéVia Láctea.

Língua portuguesa

Última flor do Lácio, inculta e bela,

És, a um tempo, esplendor e sepultura:

Ouro nativo, que na ganga impura

A bruta mina entre os cascalhos vela

Amo-se assim, desconhecida e obscura

Tuba de algo clangor, lira singela,

Que tens o trom e o silvo da procela,

E o arrolo da saudade e da ternura!

Amo o teu viço agreste e o teu aroma

De virgens selvas e de oceano largo!

Amo-te, ó rude e doloroso idioma,

Em que da voz materna ouvi: “meu filho!”,

E em que Camões chorou, no exílio amargo,

O gênio sem ventura e o amor sem brilho!

Notas sobre o autor

Filho de Brás Martins dos Guimarães Bilac e Delfina Belmira Gomes de Paula, Olavo Brás Martins dos Guimarães Bilac nasceu em 1865, no Rio de Janeiro. Ele começou trabalhando no jornal Gazeta Acadêmica e chegou a cursar Direito, mas não se formou.

Olavo Bilac atuou como jornalista, poeta e inspetor escolar, cargo em que permaneceu até sua aposentadoria. O primeiro poema de Bilac a ser publicado foi o soneto Sesta de Nero, em 1884. Ele  fundou os jornais A Rua, O meio e A Cigarra e dedicou boa parte do seu tempo à literatura infantil.

O escritor era a favor do serviço militar obrigatório e tinha ideias nacionalistas e republicanas. Ele foi preso pela oposição ao governo de Floriano Peixoto e foi o primeiro a sofrer um acidente de carro no Brasil, colidindo com uma árvore na estrada da Tijuca.

Bilac formou, junto com Alberto de Oliveira e Raimundo Correia, a Tríade Parnasiana e tinha como inspiração a mitologia greco-romana, que é constantemente abordada em suas poesias.

Seu poema intitulado Profissão de Fé tornou-se uma espécie de cânone do Parnasianismo, movimento no qual o poeta procurava a perfeição e trabalhava as palavras de forma minuciosa e elegante. Olavo Bilac faleceu no Rio de Janeiro, no dia 28 de dezembro de 1918.

Por estas noites

Por estas noites frias e brumosas

É que melhor se pode amar, querida!

Nem uma estrela pálida, perdida

Entre a névoa, abre as pálpebras medrosas

Mas um perfume cálido de rosas

Corre a face da terra adormecida …

E a névoa cresce, e, em grupos repartida,

Enche os ares de sombras vaporosas:

Sombras errantes, corpos nus, ardentes

Carnes lascivas … um rumor vibrante

De atritos longos e de beijos quentes …

E os céus se estendem, palpitando, cheios

Da tépida brancura fulgurante

De um turbilhão de braços e de seios.

Livro Poesias

O livro Poesias, de Olavo Bilac, é uma obra de extrema importância para a literatura brasileira. Publicado em 1888, o livro inaugurou a carreira do escritor e iniciou o Parnasianismo, movimento que defendia uma escrita culta e erudita, marcada pela métrica rígida e pela linguagem rebuscada, com metáforas que misturavam poesia, beleza, arte e história, esta última relacionada à mitologia greco-romana.

Essa obra foi considerada um dos mais belos livros de poesia da literatura brasileira até a chegada do Modernismo e a desconstrução da ideia do poema regrado. Contudo, não se pode negar a sensibilidade de Bilac, que escrevia com paixão e vontade de alcançar a perfeição tanto procurada pelo Parnasianismo.

Análise da obra

Poesias traz como introdução o soneto Profissão de Fé, espécie de manifesto parnasiano, e é dividido em 4 partes:

  • Panóplias

São poemas que seguem rigorosamente os cânones parnasianos, aproveitando-se de temas da Antiguidade greco-romana e prezando o trabalho com a palavra, a rima, a métrica e os versos.

  • Via Láctea

Trata-se de 35 sonetos que abordam o amor platônico, inspirando-se em sugestões mitológicas e românticas. A obra possui uma influência perceptível de Camões e Bocage e seu título alude à temática das estrelas, presente em muitos poemas do autor.

  • Kitsch

O kitsch procura demonstrar uma atmosfera de riqueza e prestígio, trazendo representações estereotipadas de obras de arte e objetos raros, traço típico do Parnasianismo visto, por exemplo, nas suas constantes referências à Grécia Antiga.

  • Sarças de fogo

Essa parte trata do amor carnal, focando na beleza física da mulher e utilizando palavras que buscam enfatizar a sensualidade. Alguns poemas de Sarças de Fogo são Satânia, O julgamento de Frinéia, Xenócrates e Alvorada do Amor.

 Soneto

Não és bom, nem és mau: és triste e humano…

Vives ansiando, em maldições e preces,

Como se a arder no coração tivesses

O tumulto e o clamor de um largo oceano.

Pobre, no bem como no mal padeces;

E rolando num vórtice insano,

Oscilas entre a crença e o desengano,

Entre esperanças e desinteresses.

Capaz de horrores e de ações sublimes,

Não ficas com as virtudes satisfeito,

Nem te arrependes, infeliz, dos crimes:

E no perpétuo ideal que te devora,

Residem juntamente no teu peito

Um demônio que ruge e um deus que chora.

Outras obras do autor

  • Poesias, 1888;
  • Crônicas e Novelas, 1894;
  • As viagens, 1902;
  • O Caçador de Esmeraldas, 1902;
  • Alma inquieta, 1902;
  • Critica e fantasia, 1904;
  • Poesias infantis, 1904;
  • Tratado de versificação, 1905;
  • Ironia e Piedade, 1916;
  • Conferências Literárias, 1906;
  • A Defesa Nacional, 1917;
  • Tarde, 1919 (publicação póstuma).

A um poeta

Longe do estéril turbilhão da rua,

Beneditino, escreve! No aconchego

Do claustro, na paciência e no sossego,

Trabalha, e teima, e lima, e sofre, e sua!

Mas que na forma de disfarce o emprego

Do esforço; e a trama viva se construa

De tal modo, que a imagem fique nua,

Rica mas sóbria, como um templo grego.

Não se mostre na fábrica o suplício

Do mestre. E, natural, o efeito agrade,

Sem lembrar os andaimes do edifício:

Porque a Beleza, gêmea da Verdade,

Arte pura, inimiga do artifício,

É a força e a graça na simplicidade.

Curiosidades sobre o autor

  • O nome completo do autor, que é Olavo Brás Martins dos Guimarães Bilac, quando dividido em sílabas poéticas, se torna um perfeito verso Alexandrino, composto por doze sílabas e presente apenas em poesias muito trabalhadas;
  • Sempre que regressava de uma viagem, Olavo Bilac fazia festa no Colombo, um restaurante do Rio de Janeiro que servia de ponto de encontro para escritores e artistas. Em retribuição, o restaurante batizou um de seus pratos de Peru do Olavo;
  • No ano de 1892, Olavo Bilac e o escritor Raul Pompéia tiveram uma séria desavença e, para resolver a questão, foi organizado um duelo de espadas, que nunca chegou a se realizar.

Relevância da obra

Poesias, de Olavo Bilac, pode ser considerado um dos grandes livros da literatura brasileira, pois inaugurou a carreira do escritor e fundou a escola literária parnasiana.

Última página

Primavera. Um sorriso aberto em tudo. Os ramos

Numa palpitação de flores e de ninhos.

Doirava o sol de outubro a areia dos caminhos

(Lembras-te, Rosa?) e ao sol de outubro nos amamos.

Verão. (Lembras-te Dulce?) À beira-mar, sozinhos,

Tentou-nos o pecado: olhaste-me… e pecamos;

E o outono desfolhava os roseirais vizinhos,

Ó Laura, a vez primeira em que nos abraçamos…

Veio o inverno. Porém, sentada em meus joelhos,

Nua, presos aos meus os teus lábios vermelhos,

(Lembras-te, Branca?) ardia a tua carne em flor…

Carne, que queres mais? Coração, que mais queres?

Passas as estações e passam as mulheres…

E eu tenho amado tanto! e não conheço o Amor!

Até a próxima!

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