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Resumo de livro: Poesias, de Olavo Bilac

Olá, leitor!

Olavo Bilac (1865 – 1918) foi muito importante para a literatura brasileira devido ao seu desempenho na escola parnasiana, movimento literário que tinha como característica a estrutura rígida e estética dos versos.

Bilac foi um dos fundadores da Academia Brasileira de Letras e foi eleito “o príncipe dos poetas” pela revista Fon-Fon. O escritor também ficou conhecido por sua atuação na literatura infantil e pelo apoio ao alistamento militar. Nacionalista e republicano, o poeta escreveu o Hino à Bandeira do Brasil e foi preso por sua oposição ao governo de Floriano Peixoto (1839 – 1895).

Primavera

Ah! quem nos dera que isso, como outrora,

inda nos comovesse! Ah! quem nos dera

que inda juntos pudéssemos agora

ver o desabrochar da primavera!

 

Saíamos com os pássaros e a aurora,

e, no chão, sobre os troncos cheios de hera,

sentavas-te sorrindo, de hora em hora:

“Beijemo-nos! amemo-nos! espera!”

 

E esse corpo de rosa recendia,

e aos meus beijos de fogo palpitava,

alquebrado de amor e de cansaço….

 

A alma da terra gorjeava e ria…

Nascia a primavera… E eu te levava,

primavera de carne, pelo braço!

A obra de Olavo Bilac e o Parnasianismo

Poesias, Olavo Bilac

Fonte: Reprodução

Olavo Bilac é considerado um dos principais representantes do Parnasianismo no Brasil, assim como os poetas Alberto de Oliveira (1857 – 1937) e Raimundo Correia (1859 – 1911). Ele tinha como forma preferida para sua poesia o soneto, sendo que os mais famosos são Profissão de FéVia-Láctea.

Língua Portuguesa

Última flor do Lácio, inculta e bela,

És, a um tempo, esplendor e sepultura:

Ouro nativo, que na ganga impura

A bruta mina entre os cascalhos vela…

 

Amo-te assim, desconhecida e obscura

Tuba de alto clangor, lira singela,

Que tens o trom e o silvo da procela,

E o arrolo da saudade e da ternura!

 

Amo o teu viço agreste e o teu aroma

De virgens selvas e de oceano largo!

Amo-te, ó rude e doloroso idioma,

 

Em que da voz materna ouvi: “meu filho!”,

E em que Camões chorou, no exílio amargo,

O gênio sem ventura e o amor sem brilho!

Notas sobre o autor

Filho de Brás Martins dos Guimarães Bilac e Delfina Belmira Gomes de Paula, Olavo Brás Martins dos Guimarães Bilac nasceu em 1865, no Rio de Janeiro. Ele começou trabalhando no jornal Gazeta Acadêmica e chegou a cursar Direito e Medicina, mas não concluiu nenhuma das duas graduações.

Olavo Bilac atuou como jornalista, poeta e inspetor escolar, cargo em que permaneceu até sua aposentadoria. O primeiro poema de Bilac a ser publicado foi o soneto Sesta de Nero, em 1884. Ele fundou os jornais A Rua, O meio e A Cigarra e dedicou boa parte do seu tempo à literatura infantil.

O escritor era a favor do serviço militar obrigatório e tinha ideias nacionalistas e republicanas. Ele foi preso pela oposição ao governo de Floriano Peixoto e foi o primeiro a sofrer um acidente de carro no Brasil, colidindo com uma árvore na Estrada da Tijuca.

Bilac formou, com Alberto de Oliveira e Raimundo Correia, a Tríade Parnasiana e tinha como principal inspiração a mitologia greco-romana, que é constantemente abordada em suas poesias.

Seu poema intitulado Profissão de Fé tornou-se uma espécie de cânone do Parnasianismo, movimento no qual o poeta procurava a perfeição e trabalhava as palavras de forma minuciosa e elegante. Olavo Bilac faleceu no Rio de Janeiro, no dia 28 de dezembro de 1918.

Por estas noites

Por estas noites frias e brumosas

É que melhor se pode amar, querida!

Nem uma estrela pálida, perdida

Entre a névoa, abre as pálpebras medrosas

 

Mas um perfume cálido de rosas

Corre a face da terra adormecida…

E a névoa cresce, e, em grupos repartida,

Enche os ares de sombras vaporosas:

 

Sombras errantes, corpos nus, ardentes

Carnes lascivas… um rumor vibrante

De atritos longos e de beijos quentes…

 

E os céus se estendem, palpitando, cheios

Da tépida brancura fulgurante

De um turbilhão de braços e de seios.

Livro Poesias

O livro Poesias, de Olavo Bilac, é uma obra de extrema importância para a literatura brasileira. Publicado em 1888, inaugurou a carreira do autor e iniciou o Parnasianismo, movimento que defendia uma escrita culta e erudita, marcada pela métrica rígida e pela linguagem rebuscada, com metáforas que misturavam poesia, beleza, arte, história e mitologia greco-romana.

Essa obra foi considerada um dos mais belos livros de poesia da literatura brasileira até a chegada do Modernismo e a desconstrução da ideia do poema regrado. Contudo, não se pode negar a sensibilidade de Bilac, que escrevia com paixão e vontade de alcançar a perfeição tanto procurada pelo Parnasianismo.

Análise da obra

Poesias traz como introdução o soneto Profissão de Fé, espécie de manifesto parnasiano, e conta com 4 partes:

  • Panóplias

São poemas que seguem rigorosamente os cânones parnasianos, aproveitando-se de temas históricos e mitológicos e trabalhando com cuidado a palavra, a rima, a métrica e os versos.

  • Via-Láctea

Parte composta por 35 sonetos que abordam o amor platônico com base em inspirações mitológicas e românticas. Possui influência perceptível de Luís Vaz de Camões (1524 – 1580) e Manuel Maria de Barbosa du Bocage (1765 – 1805) e seu título se refere ao tema das estrelas, presente em muitos poemas do autor.

  • Kitsch

Procura demonstrar uma atmosfera de riqueza e prestígio, trazendo representações estereotipadas de obras de arte e objetos raros, algo típico do Parnasianismo.

  • Sarças de Fogo

Essa parte trata do amor carnal, enfatizando a beleza física da mulher e utilizando palavras que buscam realçar a sensualidade. Alguns poemas são Satânia, O Julgamento de Frinéia, Xenócrates e Alvorada do Amor.

 Soneto

Não és bom, nem és mau: és triste e humano…

Vives ansiando, em maldições e preces,

Como se a arder no coração tivesses

O tumulto e o clamor de um largo oceano.

 

Pobre, no bem como no mal padeces;

E rolando num vórtice insano,

Oscilas entre a crença e o desengano,

Entre esperanças e desinteresses.

 

Capaz de horrores e de ações sublimes,

Não ficas com as virtudes satisfeito,

Nem te arrependes, infeliz, dos crimes:

 

E no perpétuo ideal que te devora,

Residem juntamente no teu peito

Um demônio que ruge e um deus que chora.

Outras obras do autor

  • Poesias, 1888;
  • Crônicas e Novelas, 1894;
  • As Viagens, 1902;
  • O Caçador de Esmeraldas, 1902;
  • Alma Inquieta, 1902;
  • Crítica e Fantasia, 1904;
  • Poesias Infantis, 1904;
  • Tratado de Versificação, 1905;
  • Ironia e Piedade, 1916;
  • Conferências Literárias, 1906;
  • A Defesa Nacional, 1917;
  • Tarde, 1919 (publicação póstuma).

A um poeta

Longe do estéril turbilhão da rua,

Beneditino, escreve! No aconchego

Do claustro, na paciência e no sossego,

Trabalha, e teima, e lima, e sofre, e sua!

 

Mas que na forma de disfarce o emprego

Do esforço; e a trama viva se construa

De tal modo, que a imagem fique nua,

Rica mas sóbria, como um templo grego.

 

Não se mostre na fábrica o suplício

Do mestre. E, natural, o efeito agrade,

Sem lembrar os andaimes do edifício:

 

Porque a Beleza, gêmea da Verdade,

Arte pura, inimiga do artifício,

É a força e a graça na simplicidade.

Curiosidades sobre o autor

  • O nome completo do autor, que é Olavo Brás Martins dos Guimarães Bilac, quando dividido em sílabas poéticas, torna-se um perfeito verso alexandrino, composto por 12 sílabas e presente apenas em poesias muito trabalhadas;
  • Sempre que regressava de uma viagem, Olavo Bilac fazia uma festa no Colombo, restaurante do Rio de Janeiro que servia de ponto de encontro para escritores e artistas. Em retribuição, o estabelecimento batizou um de seus pratos de Peru do Olavo;
  • No ano de 1892, Olavo Bilac e o escritor Raul Pompeia (1863 – 1895) tiveram uma séria desavença e, para resolver a questão, foi organizado um duelo de espadas, que nunca chegou a se realizar.

Relevância da obra

Poesias, de Olavo Bilac, pode ser considerado um dos grandes livros da literatura brasileira, pois inaugurou a carreira do escritor e fundou a escola literária parnasiana.

Última Página

Primavera. Um sorriso aberto em tudo. Os ramos

Numa palpitação de flores e de ninhos.

Doirava o sol de outubro a areia dos caminhos

(Lembras-te, Rosa?) e ao sol de outubro nos amamos.

 

Verão. (Lembras-te Dulce?) À beira-mar, sozinhos,

Tentou-nos o pecado: olhaste-me… e pecamos;

E o outono desfolhava os roseirais vizinhos,

Ó Laura, a vez primeira em que nos abraçamos…

 

Veio o inverno. Porém, sentada em meus joelhos,

Nua, presos aos meus os teus lábios vermelhos,

(Lembras-te, Branca?) ardia a tua carne em flor…

 

Carne, que queres mais? Coração, que mais queres?

Passas as estações e passam as mulheres…

E eu tenho amado tanto! e não conheço o Amor!

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Até a próxima!

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