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Os novos modelos de escola para o século XXI

Os novos modelos de escola para o século XXI visam proporcionar mudanças nos sistemas de ensino e nas metodologias empregadas dentro das sala de aula. Um papel muito importante para esse processo é a reformulação da educação brasileira. Contudo, os professores tem um papel fundamental nesse processo, sendo que as mudanças podem e devem começar por eles. Sendo assim, confira alguns novos modelos de escolas e as propostas que cada um deles apresentam!

Olá, leitor!

A nossa atual ideia de escola vem de sedimentos superpostos ao longo de vários séculos. A ideia de ensino sistematizado começou há cerca de 30 séculos, logo depois da invenção do alfabeto. Cinco séculos antes de nossa Era, Platão sistematizou a ideia de currículo, que permaneceu bastante inalterada até por volta do século XVIII.

Ao longo da Idade Média, a educação profissional se dava entre mestres e aprendizes, e a universidade surgiu pela livre iniciativa de docentes que iam atrás dos alunos dispostos a pagar por seus ensinamentos. Com a Idade Moderna, surgiram novas ciências – que precisavam ser desenvolvidas, aprendidas e ensinadas. E também surgiu a didática como instrumento para o ensino de grupos de alunos.

O movimento conhecido como “enciclopedismo” tentou organizar o conhecimento humano em disciplinas. A revolução industrial juntou essas ideias e criou o modelo que conhecemos de organização escolar, inspirado no modelo industrial de produção em série.

Àquela altura, todos os componentes do que nós conhecemos como escola já existiam – professores, currículos, alunos, sistemas de avaliação e certificação. A grande novidade foi o critério de idade usado para agrupar os alunos, de forma a permitir uma expansão mais rápida e eficiente. Até hoje seguimos este modelo de escola. Mudar não será fácil. Confira!

Reformulação da educação: mudanças metodológicas necessárias

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Mudar a escola significa alterar alguns de seus parâmetros de funcionamento: o currículo (o que aprender), a forma de agrupar os alunos (por idade ou outro critério), o critério de agrupamento (por interesses, séries ou outro critério), a didática (ensino individual, presencial, à distância, via computador, mediada pelo professor) e as formas de avaliação. Qualquer dessas mudanças envolve rupturas radicais na estrutura escolar e no sistema de poder – e por isso é tão difícil mudar a escola.

Hoje dispomos de evidências, conhecimentos e instrumentos que permitiriam efetuar mudanças radicais na estrutura da escola e torná-la muito mais interessante, eficaz e eficiente. Experimentos em maior ou menor escala já comprovaram a viabilidade de alterar todos os parâmetros acima e, em tese, tudo pode funcionar bem.

Se observarmos os sistemas educacionais mais avançados do mundo, onde menos se mexeu foi no currículo. Dificilmente um sistema escolar sobreviverá sem uma escolha judiciosa do que ensinar e sem especificar rigorosamente o que precisa ser aprendido e, provavelmente, isso continuará a ser feito na forma de disciplinas escolares.

Dificilmente, as disciplinas serão muito diferentes das atuais. Esta é a forma como o conhecimento é produzido e organizado e, do que sabemos ate hoje, é a melhor forma de assegurar o acesso dos indivíduos a novos conhecimentos.

A outra área onde pouco se mexeu foi na avaliação. Testes e outras evidências de aprendizagem pelo aluno continuam a ser usados como mecanismos de aferição de conhecimento. Isso também dificilmente mudará, embora a avaliação não precise estar necessariamente vinculada a um professor ou escola.

Quanto aos outros aspectos, tudo o mais poderá mudar. Há evidências suficientes para criar modelos de escolas sem muros, com agrupamentos realizados por diferentes critérios de idade, tamanho ou interesses, ou até mesmo escolas sem professores ou com professores assumindo novas e diferentes funções.

Quais são os principais desafios para os novos modelos de escolas?

Dois fatores parecem impedir essas mudanças. O primeiro é a inércia das escolas. O segundo é o espaço institucional para inovar. O caso das tecnologias na educação é o mais bem conhecido.

Sabemos que as tecnologias existentes são capazes de lidar com grande parte dos desafios e tarefas hoje desempenhadas por professores e escolas, e, em alguns casos, podem fazer muito melhor e de maneira mais eficiente. O problema é que não existe espaço para conceber uma escola a partir dessas tecnologias e de novos arranjos institucionais.

Até aqui, o uso de novas tecnologias tem sido submetido aos critérios e regras da escola formal. Isso reduz o seu impacto e a possibilidade de testar os seus limites, sendo consideradas, mais uma despesa, que um investimento.

Porém, existem algumas alternativas que, mesmo de forma tímida, estão surtindo resultados no segmento de novos modelos de escolas. Abaixo, citamos algumas delas:

Uso inteligente da tecnologia

Usar a tecnologia, de forma a integrar o conteúdo e o aluno, para ensinar os alunos é um meio bem interessante adotado nos novos modelos de escolas do século XXI. Isso tem feito o aluno ter acesso mais fácil ao professor, podendo dar sua opinião e falar o que acha da aula, muitas vezes contribuindo para melhorar a forma do professor ensinar.

Além disso, o professor torna-se amigo dos alunos, conversando e deixando o ambiente mais tranquilo, bem diferente das escolas do século passado. O acesso a informação também mudou. Não é apenas o professor que consegue passar as informações; o aluno pode entrar na internet e descobrir sobre assuntos que antigamente não seria possível.

A escola do século XXI utiliza de muitos recursos para ajudar os alunos e professores, com a tecnologia avançando muito ultimamente. Os recursos hoje são outros, muitas escolas particulares e algumas públicas têm TV na sala de aula, dessa forma, o professor pode passar vídeos e filmes sem precisar sair da sala ou marcar um horário na sala de vídeo da escola.

O acesso à internet também deixou tudo diferente. Os alunos conseguem fazer trabalhos com mais facilidade e, muitas vezes, se reúnem para fazer um trabalho em grupo pela internet. Os professores também estão usando a internet para ajudar no ensino, eles criam canais e grupos para discutir sobre diversos assuntos e falar sobre a matéria que está sendo ensinada.

Muitos professores e até mesmo a escola estão usando a tecnologia no ensino. Essa é talvez a maior diferença no modelo da nova escola do século XXI. Mas, é claro, que muita coisa mudou, como já mostramos, os professores e alunos tem mais contato e mais diálogo, atitude que não acontecia antigamente. No século passado o professor era a autoridade dentro da sala de aula e o aluno que falasse alguma coisa na hora errada era penalizado.

Escola da Ponte

A Escola da Ponte é originária da cidade do Porto, em Portugal. A prerrogativa é estabelecer um novo modelo de escola sem salas de aula tradicionais, com disciplinas diversas e onde os estudantes escolhem em quais conteúdos precisam se aprofundar.

Os professores atuam como orientadores educativos e acompanham os estudantes de modo individual e diferenciado, levando em conta as necessidades e especificidades de cada um. Em lugar de um único professor, os estudantes acessam todos os orientadores educativos, que os acompanham tanto nas questões de aprendizagem acadêmicas quanto comportamentais.

Em lugar de disciplinas, o projeto pedagógico é dividido por seis dimensões, apoiadas por docentes, pedagogos e psicólogos: linguística, lógico-matemática, naturalista (Ciências da Natureza, Ciências Naturais, Físico-Química e Geografia), identitária (Estudo do Meio, História e Geografia de Portugal e História), artística, pessoal e social.

Cada estudante escolhe ainda um tutor, qualquer indivíduo da comunidade escolar (funcionários, professores, pais), que será responsável por orientá-lo no decurso pedagógico que ele estabelece para si. Dessa forma, o aluno e seu tutor avaliam juntos como foi o processo de aprendizagem, se os objetivos foram alcançados, se ficou alguma dúvida ou se a criança ou o adolescente está satisfeito com o que alcançou.

Em Eldorado do Sul/RS, há um projeto para estabelecer uma escola nos moldes da Escola da Ponte. A instituição não teria séries, os alunos seriam agrupados por áreas de interesse, não por turmas, e não haveria uma avaliação baseada em notas ou em boletins, visando o efetivo aprendizado e a auto-crítica.

Sala de aula invertida

Na sala de aula invertida, o que é invertido é a ordem de ensino e tarefas. Os alunos estudam o conteúdo nas suas casas e vão para o colégio fazer exercícios e tirar dúvidas com os professores.

Os docentes incentivam os alunos a trabalhar em grupo e expor suas ideias para o restante da classe. Não há uma regra para o momento em sala. Pode ser uma atividade prática, um debate com a turma toda ou em grupos. Ou tudo ao mesmo tempo, com diferentes atividades simultâneas.

Além disso, os professores têm mais liberdade de circular pela sala e interagir com os alunos de maneira pouco mais particular. A autonomia permite que os estudantes se aprofundem no conteúdo com seu próprio ritmo.

O principal ganho propiciado pelo método é tornar os alunos mais ativos e responsáveis. Os estudantes deixam de serem apenas receptores de informação e se tornam agentes de sua própria educação, além disso existe um melhor aproveitamento do tempo em sala de aula. Esse é um dos novos modelos de escola mais defendidos pelos especialistas da educação.

School In The Cloud

A SITC foi criada a partir de um experimento do indiano Sugata Mitra, um professor que começava a duvidar da eficiência de um modelo de escola e de ensino datado de mais de 300 anos: o atual. Ele instalou computadores em comunidades pobres da Índia e deixou que crianças aprendessem, por intuição, como lidar com as máquinas.

Os resultados surpreenderam, em muito, e foi observado que as crianças ensinavam umas as outras como usar os computadores. Aos poucos, Mitra foi inserindo conteúdo escolar nos computadores e, após alguns meses, aplicava testes. As crianças não apenas aprendiam grande parte do conteúdo, como desenvolviam a habilidade no inglês, que não era a primeira língua de muitas, mas a única opção disponível nos computadores.

Após anos de aperfeiçoamento, a School In The Cloud chegou a seguinte definição: utiliza-se um professor apenas como monitor das crianças, dispostas em grupos, instigando-as com perguntas interessantes a elas e deixando-as com autonomia para buscar as respostas usando computadores dispostos em sala de aula. E mais: os professores nem sequer precisam estar presentes em sala de aula, podem fazer intervenções esporádicas por Skype. Deixando assim, toda a escola em nuvem.

Aos interessados em estudar e, até mesmo aplicar o método, o site do School In The Cloud disponibiliza um kit completo para baixar online ensinando como aplicar o método.

No Brasil, já foram feitos experimentos com crianças da 3ª série do Colégio Presidente Pedrosa, da rede pública de Curitiba. Os resultados foram muito similares, mostrando que barreiras culturais não são muito relevantes para o método.

Os alunos apresentaram algumas dificuldades em expor as suas descobertas para a turma e ainda buscavam a aprovação da professora antes de chegar a qualquer conclusão. Isso é uma questão  que necessita ainda ser trabalhada neste modelo de escola.

Até mais!

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