Você está aqui:Home » COVID-19 » O que sabemos sobre os impactos da pandemia de Covid-19 na educação?

O que sabemos sobre os impactos da pandemia de Covid-19 na educação?

Olá, leitor(a)! 

Desde março de 2020, quando a pandemia de Covid-19 ganhou proporções expressivas ao redor do mundo, a sociedade enfrenta importantes desafios em todas as esferas. A educação, por sua vez, foi um dos campos mais afetados. No Brasil, as consequências da disseminação do vírus aprofundaram problemas já existentes no campo educacional e trouxeram novas questões a serem solucionadas. 

Cenário educacional brasileiro pré-pandêmico

Antes da pandemia de Covid-19, a educação no Brasil não estava em situação emergencial, mas ainda possuía abismos significativos. De acordo com o estudo Cenário da Exclusão Escolar no Brasil, divulgado em abril de 2021 pelo UNICEF (Fundo de Emergência Internacional das Nações Unidas para a Infância), de 2016 a 2019, o número de alunos(as) fora da escola no Brasil foi de 3,9% para 2,7%. 

Entretanto, em 2019, havia cerca de 1,1 milhão de estudantes em idade escolar fora das instituições de ensino, a maior parte (629 mil) na faixa de 15 a 17 anos. Essa situação era mais expressiva entre grupos vulneráveis. Por exemplo, os números mais altos de crianças e jovens fora da escola estavam nas regiões Norte (4,3%) e Centro-Oeste (3,5%). 

A exclusão também era mais intensa em locais rurais e atingia principalmente estudantes pretos(as), pardos(as) e indígenas (71,3%) e estudantes com menos recursos financeiros, já que quase 62% dos(as) alunos(as) fora da escola em 2019 viviam em famílias com renda per capita de até meio salário-mínimo. Até então, os motivos de evasão incluíam falta de vagas para algumas faixas etárias, falta de conexão com o aprendizado, trabalho e gravidez na adolescência. 

Os impactos da pandemia na educação

Esses abismos foram agravados pela pandemia de Covid-19. Segundo o relatório do UNICEFem novembro de 2020, mais de 5 milhões de alunos(as) brasileiros(as) não tinham acesso à educação, número que remete aos índices do começo dos anos 2000. Dessa quantidade, cerca de 1,5 milhão não frequentava a escola; outros 3,7 milhões estavam matriculados(as), mas não puderam usufruir do conteúdo.  

A exclusão escolar também revelou desigualdades regionais e socioeconômicas. Com a Covid-19, as regiões Norte (28,4%) e Nordeste (18,3%) mostraram os maiores percentuais de estudantes sem acesso à educação. Ademais, alunos(as) pretos(as), pardos(as) e indígenas corresponderam a 69,3% do total de crianças e adolescentes excluídos(as) da educação. 

Além disso, 40% dos 5 milhões de estudantes que tiveram o direito ao ensino e ao aprendizado negado estavam entre 6 e 10 anos, faixa etária na qual a educação era quase universal no país antes da Covid-19. Com isso, o estudo estima que a pandemia pode gerar uma regressão de 20 anos na educação brasileira. 

Para Olavo Nogueira Filho, diretor executivo da organização sem fins lucrativos Todos Pela Educação, focada em garantir o acesso universal à educação básica de qualidade, ainda não é possível medir com precisão os impactos duradouros da pandemia na educação, mas as consequências de outras calamidades podem ser usadas para levantar hipóteses. 

O que sabemos sobre os impactos da pandemia de Covid-19 na educação?

Fonte: Reprodução

No evento Educação 360°, ele citou como exemplos a epidemia de ebola, que ocorreu em alguns países da África entre 2013 e 2016, e o furacão Katrina, que atingiu algumas regiões dos Estados Unidos em agosto de 2005. No caso do ebola, as escolas ficaram fechadas por um período de 5 a 8 meses. De 2 a 3 anos depois da epidemia, houve uma queda de 5% a 8% nos padrões de matrícula, composta principalmente por alunos(as) no fim da trajetória escolar e/ou em condições sociais mais vulneráveis. 

Quanto ao furacão Katrina, as instituições de ensino permaneceram vazias por 4 meses e foram necessários 2 anos para que os padrões de aprendizagem fossem recuperados. Ademais, 2 anos após o furacão, o número de estudantes com problemas de saúde mental havia triplicado. Para ele, esses indicadores são motivo de preocupação. “É fundamental ter em mente que os riscos que as pesquisas atuais mostram de fato precisam ser levados a sério”, concluiu. 

Outro desafio importante levantado pela pandemia em relação ao ensino e ao aprendizado diz respeito ao uso de equipamentos e ao acesso à internet. Segundo o relatório Retratos da Educação no Contexto da Epidemia do Coronavírus – Um Olhar sobre Múltiplas Desigualdades, publicado em fevereiro de 2021 por entidades que englobam a Fundação Lemann, a Fundação Roberto Marinho e o Itaú Social, 98% dos(as) estudantes com renda familiar superior a 5 salários-mínimos tinham acesso a computadores com internet. O número cai para 30% no que diz respeito a famílias com renda de até 2 salários-mínimos 

Os desafios gerados pela pandemia

A pandemia gerou e intensificou grandes abismos da educação brasileira. A longo prazo, esses problemas podem ter consequências para a sociedade e para a economia, já que alunos(as) que abandonam a escola terão menos oportunidade de trabalho e menos conhecimento sobre seus direitos. Por outro lado, a pandemia trouxe a possibilidade de reflexão sobre o modelo educacional adotado 

Algumas recomendações sugeridas pelo estudo do UNICEF incluem realizar a busca ativa de estudantes fora da escola, garantir acesso amplo à internet, promover campanhas de comunicação para retomar as matrículas e fornecer condições e direitos para que crianças e adolescentes fiquem ou retornem para a escola. 

Nogueira Filho, por sua vez, afirmou que episódios como a pandemia levam tempo para serem recuperados e têm consequências mais severas para estudantes no fim do ciclo escolar ou em anos de transição. Por isso, ele acredita que alunos(as) nessas faixas etárias devem ser prioridade na busca de soluções para a questão educacional. “Precisamos achar meios de expandir a agenda escolar dos(as) estudantes com qualidade. As escolas integrais, por exemplo, são muito usadas nos primeiros anos, mas são deixadas de lado nos anos finais”, disse ele. 

Para Pasi Shalberg, educador finlandês que também falou no Educação 360°a pandemia provocou uma mudança de paradigma na educação. “A pandemia modificou as escolas ao redor do mundo. Trouxe a incerteza, a complexidade, o desconhecido e a visão de mundo orgânica. O modelo de ensino e aprendizado se tornou mais complexo e as interações, mais criativas, orgânicas e vivas”, afirmou no evento. 

Para ele, flexibilidade, profissionalismo, criatividade e confiança, principalmente na habilidade de professores(as), são fatores importantes para lidar com a incerteza e promover respostas mais assertivas. Como exemplos, citou o fim do ensino padronizado, o uso do erro como parte fundamental da aprendizagem e a adoção de um modelo mais colaborativo e menos competitivo. 

De acordo com Shalberg, a pandemia trouxe uma chance de reforma educacional, de identificar os problemas e as decisões erradas do passado e corrigi-las. “As escolas devem priorizar uma abordagem holística, que vá além do aprendizado acadêmico, levando segurança e acolhimento”, disse Shalberg. 

E então? O que achou do nosso texto sobre os impactos da pandemia de Covid-19 na educação? Deixe um comentário! 

No Canal do Ensino, leia também: 

Boa aula e até logo! 

Deixe um comentário

© 2012-2019 Canal do Ensino | Guia de Educação

Voltar para o topo