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O que é retórica e por que você precisa dela?

Olá, leitor(a)!  

Jornalistas de prestígio, líderes políticos(as) respeitados(as), advogados(as) exitosos(as), ativistas admirados(as), influenciadores(as) famosos(as), publicitários(as) premiados(as) e muitos(as) outros(as) profissionais de áreas afins possuem em comum uma habilidade: a retórica 

Ao contrário do que se pensa, entretanto, o exercício dessa prática não serve apenas para garantir o sucesso de comunicadores(as), mas também para melhorar nossas relações, na vida pessoal e profissional, seja ao expor nossos sentimentos, apresentar projetos e várias outras situações.  

A origem da retórica 

O que é retórica e por que você precisa dela?

Fonte: Reprodução

Estudar a origem e a história das palavras é o que definimos como etimologia, vocábulo composto dos termos gregos étymos (verdadeiro, em português) e lógos (estudo, em português). Assim como conhecer o passado é importante para pensar soluções para o presente e o futuro, compreender a origem das palavras pode auxiliar no entendimento de conceitos que parecem complexos. 

Nesse sentido, por exemplo, quando buscamos a formação e o significado daquilo que constitui a palavra “retórica”, as explicações já não parecem tão necessárias. O termo vem do latim rhetorica, que por sua vez tem origem no grego rhétoriké, em que rhétor significa “orador” e iké quer dizer “arte” ou “técnica”. De forma resumida, então, retórica é o mesmo que a arte ou a técnica do orador, isto é, daquele que fala.  

A expressão, como já indica sua composição, surgiu na Grécia Antiga a partir do desenvolvimento da política. Isso porque, com a democracia, o conflito de ideias é bastante comum e, para se chegar a um consenso e tomar decisões, o convencimento de todos ou de uma grande maioria é essencial. Apesar de a palavra ser formada por termos que a preenchem de sentido, a concepção do seu significado não era unânime, existia a retórica defendida pelos sofistas e pelos socráticos:  

Retórica sofista 

Os principais nomes dessa corrente de pensamento são os filósofos gregos Protágoras e Górgias. Para eles, a verdade absoluta não existe e, se existisse, seria impossível exteriorizá-la. Dessa forma, a linha de pensamento partia do princípio de que a realidade era relativa, dependendo essencialmente da capacidade de convencimento de alguém sobre outrem.  

Isso incomodava profundamente os filósofos clássicos, principalmente pelo que consideravam ser falta de compromisso com a verdade e uso indevido do conhecimento para persuadir e manipular pessoas conforme convinha. Uma das principais críticas ao movimento era o emprego da retórica, combinado verdades e mentiras, para enganar pessoas.  

Retórica dialética 

Sócrates, um dos filósofos mais respeitados da história, cujas ideias só foram conhecidas por meio de seus discípulos, foi um dos precursores da dialética — que etimologicamente significa “a arte do diálogo”. Assim, e conforme a própria instituição da filosofia, a busca pela verdade era o motivo primordial do embate de ideias travado por ele.  

Da mesma maneira pensavam Platão e Aristóteles, filósofos gregos clássicos que fundaram parte de suas teorias a partir do método socrático de reflexão. Para eles, a retórica não poderia ser apenas uma técnica aplicada de acordo com interesses particulares, era necessário que ela estivesse amparada na lógica e na verdade do mundo. Desse modo, ela precisava estar vinculada com a dialética e comprometida com a ética.  

Diferença entre retórica e oratória 

A confusão entre os termos retórica e oratória, ou o entendimento deles como um só, é bastante comum. Contudo, há uma sutil diferença. A primeira, como vimos, envolve os mecanismos de convencimento utilizados por aquele(a) que fala. Já a palavra oratória, em sua origem, significa “a arte de falar bem”, ou seja, a eloquência ao comunicar algo.  

Então, quando afirmamos que alguém tem o dom da oratória, significa dizer que essa pessoa consegue expor de modo estruturado e com clareza suas ideias. Isso não indica, porém, que ela recorra a bons argumentos para persuadir os(as) interlocutores(as), e é dessa maneira que a retórica entra em cena. Afinal, o modo como os argumentos são relacionados tem a ver com a habilidade de organizá-los e usá-los de forma precisa e convincente.  

Estratégias retóricas mais utilizadas 

Independentemente de qual concepção de retórica se tenha, ou não se tenha, são inegáveis a influência e a importância dela e da oratória na formação das civilizações. Afinal, a conquista e a manutenção do poder de inúmeros líderes políticos se deram, muitas vezes, em razão da capacidade de estruturação e convencimento de suas convicções como as mais adequadas.  

A partir dessas práticas, muitas regras e costumes foram criados e perpetuados ao longo do tempo. Atualmente, elas prestam auxílio especialmente na área profissional, como na instituição de parcerias, apresentação de propostas de negócios, conquista de uma promoção ou novo emprego, entre outras situações. Vejamos como elas se manifestam nas seguintes áreas do saber: 

Direito 

O surgimento do sistema político democrático, que tem como premissa a igualdade de participação direta ou indireta de todos os cidadãos na constituição de governos e leis, possui estreita relação com a aplicação da retórica no Direito. Isso porque, quando o Estado passa a administrar os direitos e deveres de cidadãos, estes, ao infringirem alguma normal social ou serem acusados(as) disso, precisam minimizar suas ações ou defender sua inocência.  

Assim, e também para a criação ou modificação de uma legislação, a retórica se consolida como principal pilar do discurso jurídico. Nessa área, o exercício da retórica precisa estar apoiado no princípio da verossimilhança, isto é, aquilo que é ou aparenta ser verdadeiro e a partir de exemplos fáticos.   

Economia 

Adam Smith, considerando o pai da economia moderna, ministrou aulas de retórica na Universidade de Glasgow, na Escócia, por anos. Com isso, não é difícil entender como suas teorias econômicas influenciam profissionais da área, no mundo todo, até hoje. Mas não foi só ele que recorreu às técnicas de persuasão na oratória, a história registra muitos outros economistas que praticaram a retórica durante o desenvolvimento das ciências econômicas.  

A utilização de estratégias de convencimento, entretanto, não é vista da mesma maneira por todas as pessoas da área, reavivando, assim, debates que remontam à oposição entre sofistas e socráticos. Apesar de novas concepções acerca do termo surgirem dessas discussões, em nenhuma delas a preocupação com evidências empíricas parece ganhar o centro dos debates.   

Pedagogia 

No campo pedagógico, formado não só por professores(as) e gestores(as), mas também por estudantes, a utilização da oratória e da retórica tem como motivação a necessidade de reconhecer e conquistar espaços sociais. Nesse caso, o domínio dessas técnicas possibilitaria, para todos os indivíduos envolvidos no processo de ensino e aprendizagem, maior autonomia e expansão da consciência.  

Para isso, as práticas estariam centradas na exposição de ideias diante de um público. Isso vale não só para alunos(as), que podem fazer isso ao apresentar seminários, por exemplo, mas também para professores(as), uma vez que estes(as) precisam convencer estudantes da importância de aprender determinado conhecimento. Assim, são trabalhadas questões relacionadas à timidez, entonação de voz, postura, entre outras coisas. 

Política 

Como mencionado inúmeras vezes neste texto, a retórica é intrínseca à política e vice-versa. Posto isso, podemos focar nos usos contemporâneos dessa ferramenta na área. Um exemplo de como ela se manifesta pode ser acompanhado durante períodos de eleição de governos democráticos, em que candidatos(as) de variados partidos políticos precisam convencer cidadãos(ãs) de que farão a diferença caso sejam eleitos(as).  

Desse modo, via de regra, seus discursos são minuciosamente estudados e completamente voltados para a comunicação em massa, ou seja, desejam alcançar o maior número de pessoas. Para isso, utilizam-se de várias táticas, seja a depreciação de adversários, seja a exaltação de seus feitos. Nesse sentido, inclusive, a espetacularização do processo eleitoral tem se tornado muito mais recorrente do que a preocupação em produzir e apresentar bons projetos de governo, uma vez que gera curiosidade por parte do eleitorado.  

Publicidade 

Não seria leviandade afirmar que a publicidade é uma definição moderna da retórica, pois é a partir de técnicas de sedução que ela existe. Tendo como finalidade não só convencer um determinado público sobre algo, mas também produzir desejos e necessidades nele, a publicidade está fundamentada na venda de ideias. 

Por isso, a linguagem e os métodos de argumentação são recursos essenciais na elaboração de peças publicitárias. Por exemplo, em meios de comunicação como rádio e televisão, uma boa oralidade é imprescindível, assim, o direcionamento das estratégias de convencimento se baseia nisso. Em revistas e jornais, por sua vez, imagens e textos bem articulados farão a diferença. Atualmente, devido ao impacto que exerce na sociedade, a área é regulada e precisa atender a princípios éticos em seus anúncios.  

Religião 

Por fim, mas não menos importante, veremos como a retórica é exercida na religião. Ainda que se argumente que um sistema de crenças não deve ser questionado, é preciso entender que ele também se constitui a partir da prática persuasiva. Afinal, a oratória e a retórica são ferramentas comuns no cultivo e permanência de fiéis em espaços religiosos.  

Nos discursos de cunho religioso, as técnicas de convencimento buscam não apenas a atenção de ouvintes, mas, principalmente, motivá-los(as) a adotar determinadas posturas com base em suas interpretações de textos designados como sagrados. Neles, é comum o uso de figuras de linguagem e a menção a experiências cotidianas com a intenção de simplificar uma determinada doutrina.  

E aí? Conseguimos convencê-lo(a) da importância da retórica e explicar como usá-la? Então, aproveite os comentários para dizer o que chamou mais a sua atenção e se pretende exercitar essa habilidade!  

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Obrigada pela companhia e até a próxima!  

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