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O que é educação especial inclusiva?

Olá, leitor!

Professores, educadores e pedagogos estão sempre enfrentando novos desafios. Atender a todas as necessidades, de todos os alunos, é provavelmente o maior deles.

Especialmente quando falamos de alunos que precisam de cuidados e métodos mais específicos.

A educação especial já avançou muito nos últimos anos, mas infelizmente ainda não está onde deveria. É difícil encontrar instituições de ensino realmente equipadas para atender esses alunos, seja na infraestrutura ou na capacitação de seus profissionais.

Ao longo da história, transitamos por diferentes modelos de educação especial. Inicialmente, indivíduos com deficiências sequer participavam dos processos educativos.

Com o tempo, passaram a surgir instituições dedicadas a atender apenas esse público. Hoje, trabalha-se com o modelo de inclusão, buscando trazer as pessoas com deficiência para a convivência social padrão e adaptando as escolas para atender suas necessidades.

No entanto, esse é um processo lento, que precisa de uma estrutura e preparação que, infelizmente, ainda não vemos em todas as instituições.

Quer mais dicas para atender melhor às necessidades dos seus alunos? Leia também esse artigo sobre inteligência emocional.

Existem, claro, cursos de capacitação para educadores na área da educação especial inclusiva. Mas, na maioria das vezes, a capacitação de apenas um profissional não é o suficiente.

A instituição deverá estar envolvida como um todo na adaptação do ambiente.

A seguir, você entenderá melhor do que se trata a educação especial inclusiva e por que ela é tão importante para todos que trabalham na área da educação. Acompanhe!

O que é Educação Inclusiva?

O que é educação especial inclusiva

Fonte: Canal do Ensino

A educação inclusiva trata-se de um modelo educacional voltado para a cidadania global, plena e livre de preconceitos, que valoriza e reconhece as diferenças. A sua principal premissa é que todos os alunos deverão frequentar a sala de aula do ensino regular, de maneira integrada.

Isso não significa, no entanto, ignorar completamente as necessidades individuais de cada aluno. Por isso, a educação inclusiva exige uma mudança radical no paradigma educacional.

Escolas inclusivas devem atender às necessidades de todos os alunos sem discriminar, ou seja, sem trabalhar à parte com determinados alunos.

Isso só é possível por meio da extinção de modelos engessados de ensino, onde todos recebem os mesmos estímulos e são avaliados da mesma forma.

Se você quiser saber mais sobre esse conceito, pode baixar gratuitamente esse livro de Maria Mantoan, autora que discorre sobre o assunto.

Primeiro passo: se livrando dos preconceitos

O termo “portador de necessidades especiais” tem caído em desuso. Isso porque, a partir de muitos pontos de vista, é inadequado. A seguir, você entende por que, além de descobrir os termos certos para usar:

No texto aprovado pela Convenção Internacional para Proteção e Promoção dos Direitos e Dignidades das Pessoas com Deficiência, em 2006, estabeleceu a terminologia mais apropriada. O termo correto é pessoa com deficiência.

Por que não “necessidades especiais”?

É importante combatermos expressões que visam atenuar as diferenças através de eufemismo, tais como: “pessoas como capacidades especiais”, “pessoas especiais “ e pessoas com necessidades especiais”.

De acordo com as premissas da educação inclusiva, as diferenças têm de ser valorizadas, respeitando-se as necessidades de cada pessoa.

Por que não “deficientes físicos” ou “deficientes mentais”?

Há uma associação negativa com a palavra “deficiente”, pois denota incapacidade ou inadequação que são inerentes à natureza da pessoa. Ela não é deficiente, ela tem uma deficiência.

Por que não “portador de deficiência”?

A condição de deficiência é parte do indivíduo, e não algo que ela porta. O termo “portador” presume que a pessoa possa se desprover da deficiência, o que não é verdade.

Entendendo as necessidades de cada aluno

Para atender às necessidades dos alunos com deficiência, é preciso primeiro entender o que eles precisam. Confira uma lista com os pontos mais importantes dessa reflexão:

  • Deficiência Visual e Auditiva: o ensino de linguagens e códigos específicos de comunicação e sinalização (ex: LIBRAS, Braille);
  • Deficiência Intelectual: mediação para o desenvolvimento de estratégias de pensamento (Ex: comunicação alternativa);
  • Deficiência Física: adaptações do material e do ambiente físico (ex: cadeiras, tecnologia assistiva);
  • Transtorno Global do Desenvolvimento (autismo): estratégias diferenciadas para adaptação e regulação do comportamento (ex: ABA, TEACCH, comunicação alternativa);
  • Altas Habilidades: ampliação dos recursos educacionais e apresentação de exercícios mais desafiadores, com o mesmo conteúdo visto pelo resto da classe.

Note que altas habilidades também é considerado uma necessidade particular. Embora a alta capacidade cognitiva dos alunos seja frequentemente vista como algo positivo, ela também exige condições adaptadas de ensino.

Sem elas, é muito provável que a pessoa se desinteresse e apresente queda no desempenho ou desistência do processo educacional.

É interessante ressaltar que é de responsabilidade da instituição de ensino se adaptar para atender às necessidades particulares de todos os seus alunos.

Sendo assim, a escola deverá disponibilizar intérpretes, professores de apoio, infraestrutura e treinamento para seus profissionais.

Formação de professores para a inclusão

Como profissional da educação, você deve saber que precisa estar em constante atualização. Se você se interessa na educação especial inclusiva, pode ser interessante procurar cursos de capacitação específicos na área.

Por exemplo, muitos profissionais optam por fazer um curso de libras ou braille, a fim de acolher melhor alunos com deficiência visual ou auditiva – duas das mais comuns situações de deficiência nas escolas.

No entanto, os professores que não possuem formações específicas não devem ser considerados incapazes de lidar com os alunos com deficiência.

Essa percepção, apesar de comum, não poderia estar mais longe da verdade. Na educação inclusiva, é necessário, principalmente, que o professor esteja disposto a lidar com as diferenças, com a singularidade e a diversidade de seus alunos.

Adaptações curriculares

De acordo com o MEC, podemos definir adaptações curriculares como: estratégias e critérios de atuação docente, admitindo decisões que oportunizam adequar a ação educativa escolar às maneiras peculiares de aprendizagem dos alunos, considerando que o processo de ensino-aprendizagem pressupõe atender à diversificação de necessidades dos alunos na escola.

Isso significa que o professor deve possuir liberdade completa para flexibilizar o currículo visando atender as necessidades dos seus alunos. Não se trata de criar um novo plano de ensino, mas sim ampliar e flexibilizar o existente.

Essa tarefa, no entanto, não cabe apenas ao professor. Como as adaptações deverão criar também condições físicas, ambientais e materiais para os alunos, isso envolve o trabalho de toda a equipe educacional.

Veja algumas das adaptações possíveis:

  • Criar atividades diferenciadas para estimular a participação de todos os alunos;
  • Providenciar mobiliário e todos os equipamentos necessários para salas adaptadas;
  • Fornecer ou atuar para a aquisição de equipamentos necessários como próteses auditivas, treinadores da fala e software educativo;
  • Adaptar materiais de uso comum em sala de aula;
  • Adotar a Língua Brasileira de Sinais – LIBRAS, além de material escrito e computador.

Os desafios da educação inclusiva

No Brasil, a educação inclusiva ainda está em fase de implementação. Já é obrigatório que alunos com deficiência estejam matriculados nas escolas regulares, mas ainda é muito difícil encontrar instituições e profissionais que já estejam completamente adaptados às necessidades específicas desses indivíduos.

É comum ouvir sobre a falta de intérpretes para deficientes auditivos, sobre a dificuldade de acessibilidade dos ambientes e sobre a falta de preparo da equipe escolar como um todo.

Existe, ainda, muito que precisa ser feito. A parte mais importante dessa jornada, no entanto, está nas mãos dos educadores. É preciso entender a importância da subjetividade e individualidade dos alunos.

É importante abordar em sala de aula a valorização de diversidade e buscar novas ferramentas e métodos que possibilitem uma inclusão mais efetiva de todos os alunos no processo educacional.

Materiais para estudo: educação especial inclusiva

Se você se inspirou e gostaria de se aprofundar mais nesse assunto, preparamos uma seleção de materiais gratuitos que podem esclarecer melhor os objetivos e métodos da educação especial inclusiva. Confira:

Livros para download:

Sites:

Conclusão

A educação inclusiva se faz cada vez mais importante. Trata-se de valorizar as diferenças, tratando cada aluno como indivíduos únicos e estimulando a diversidade em sala de aula.

No Brasil, já é obrigatória a matrícula de alunos com deficiência nas escolas regulares. No entanto, estamos ainda bem longe de um modelo ideal de inclusão.

Os profissionais de educação têm enfrentado inúmeros desafios na adequação dos métodos, ferramentas e ambientes para garantir que esses alunos sejam integrados de maneira plena no processo educacional.

Muitos alunos com deficiência acabam dependendo da educação em escolas especiais, o que não é ideal. O modelo incentiva a segregação e mistificação das condições de deficiência, atrasando ainda mais a inclusão.

Por lei, as instituições devem fornecer todo equipamento, treinamento e profissionais necessários para acolher as necessidades de seus alunos.

Infelizmente, muitas escolas no Brasil ainda lidam com a falta de intérpretes, barreiras de arquitetura e falta de flexibilidade no plano ensino.

Mesmo perante a essas dificuldades, os educadores podem fazer muito pelos alunos com deficiência. Apenas exercitar com a classe a aceitação das diferenças e procurar adaptar o conteúdo e atividades em aula já podem surtir um efeito impressionante.

Quer mais dicas para ser o melhor educador possível? Leia também esses outros artigos aqui no Canal do Ensino:

E você, que estratégias utiliza para promover a inclusão em sala de aula? Divida conosco nos comentários e aproveite para perguntar se ficou com alguma dúvida.

Até logo!

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