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Eurocentrismo – como abordar o tema na aula

Olá, leitores!

O eurocentrismo tem sido objeto de estudos sociológicos há algumas décadas. Mas o que esse termo significa e por que é importante estudá-lo?

Afinal, qual o propósito do eurocentrismo? Este é um dos temas da geografia humana que mais geram debates no mundo todo e pode ser um ótimo tema para questões dissertativas, de produção ou interpretação de texto do Enem e demais vestibulares. Então é sempre recomendável ler, se informar e estar por dentro do assunto de forma crítica e reflexiva.

O que é eurocentrismo?

O eurocentrismo é uma visão histórica do mundo que coloca a Europa como protagonista e elemento central na construção da sociedade moderna. Em suma, trata-se da ideia de que a Europa é o centro da cultura do mundo.

A manifestação do eurocentrismo é identificada principalmente no século XIX, como uma corrente acadêmica que enxerga as culturas não-europeias como sendo exóticas e inferiores. Foi um movimento fortemente influenciado pelo Darwinismo social, que era uma tentativa de se aplicar o Darwinismo às sociedades humanas, formando-se um ideal de que a humanidade deveria caminhar para o “modelo europeu”.

Com o revisionismo histórico acontecido nas últimas décadas, ocorreu uma mudança desta visão do mundo, em busca de novas perspectivas.

Críticas ao eurocentrismo

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Mesmo que tenhamos recebido fortes e significativas influências na língua, nos costumes, na moral, na arte, etc., herdadas pelo colonialismo, a Europa nem sempre foi o centro do mundo.

Antes do século XV, muitos africanos e asiáticos não recebiam a mesma influência da Europa como os países colonizados. Este continente não oferecia nenhum obstáculo a essas regiões, que se ocupavam com outras ameaças, como os muçulmanos ou os turcos. A história da América e da China, por exemplo, começa muito antes das navegações, têm início na “história antiga” junto com outras civilizações.

Muitos historiadores criticam a forma como a história é ensinada nas escolas, em que a América, no século XIX, é citada apenas em episódios pontuais, como as independências dos países da América Latina e a Guerra Civil dos Estados Unidos. Fora esses fatos, o centro de todos acontecimentos históricos é focado no território europeu.

Tudo ocorre na Europa, passagens como o período napoleônico, a hegemonia marítima inglesa, avanços científicos e sociais, entre outros fatos, enquanto na América Latina, nada de relevante parece ter acontecido no pós-independência, quando na verdade existiram disputas oligárquicas, governo Rosas na Argentina, Guerra do Pacífico, ideias socialistas e anarquistas, etc., só para citar alguns fatos que são negligenciados pela história eurocêntrica.

Além destas questões, muitos historiadores reconhecem que o eurocentrismo distorce a história e se manifesta em praticamente todos os aspectos da vida ocidental, em valores morais, culturais, estéticos, religiosos e sociais, negando e depreciando os valores não-europeus, podendo ser, inclusive, a base do racismo e da xenofobia.

Como abordar o tema?

A visão eurocêntrica predominou durante muito tempo em todo o mundo. No entanto, atualmente, inclusive dentro dos países europeus, há um movimento tendente a quebrar esta ideia.

Uma correta abordagem do eurocentrismo deve evidenciar que as culturas de todas as regiões do mundo não devem ser vistas como atrasadas, primitivas, exóticas, ignorantes ou inferiores. O mesmo tratamento vale para os povos e expressões culturais da Europa, pois ao tratá-los como inferiores, estaríamos imitando a conduta a qual criticamos.

Nem devemos propor a substituição da língua portuguesa pela tupi ou banir as religiões cristãs trazidas do continente europeu que já foram assimiladas pelos colonizados, porém podemos propor posturas novas como as de deixarmos de considerar as culturas e religiões dominantes como superiores e únicas aceitáveis.

Para que esta mudança de visão ocorra, torna-se necessário que as instituições de ensino estudem e respeitem as variações linguísticas e religiões populares. Desta forma, os falares e crenças diferentes dos códigos dominantes não são desautorizados e encontrarão sua voz no espaço público.

Superar o eurocentrismo em todas as esferas da educação é criar formas de convivência baseadas no respeito e autonomia das escolas e na solidariedade que respeita as diferenças. A tarefa dos educadores críticos deve ser a de transgredir os conhecimentos e relações sociais propostos pelas instituições dominantes em posição de poder na sociedade. A educação não pode ser acrítica dos conhecimentos considerados dominantes, já que é na escola que construímos nossa identidade individual e coletiva, portanto nosso desenvolvimento não deve ser limitado a um pensamento único e colonizado.

E agora, leitor, ficou claro quais são os questionamentos que a visão eurocêntrica traz para a sociologia, a história e a geografia humana? Tem mais algum tema que você gostaria de conhecer melhor? Deixe seu comentário.

Até logo!

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