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Entenda a diferença entre poema e poesia, prosa e verso

Olá,

No dia a dia há inúmeros conceitos que confundimos, não é mesmo? Alguns por serem técnicos demais, outros porque temos pouca familiaridade. E há também aquelas palavras que quase todo mundo usa “uma” no lugar da “outra” e a “outra” no lugar da “uma”. Um exemplo disso é o poema e poesia. Qual a diferença? Vem com a gente que você logo saberá, pois explicaremos neste texto as diferenças entre poema e poesia, prosa e verso.

Diferença entre poema e poesia

Poema, poesia, prosa e verso

Fonte: Reprodução

Quando falamos em poema, nos referimos à forma em que um determinado texto é apresentado. Isto é, poema é um texto dividido em verso, estrofe e que pode apresentar rimas, métrica, ritmo, etc. Ou seja, o poema é algo concreto, pode ser visto, é a estrutura formal de um texto.

Por outro lado, quando falamos em poesia, nos referimos à capacidade que um texto tem de despertar sentimentos e emoções no leitor. A poesia é dotada de beleza, por isso emociona. Por estar relacionada à emoção e à noção de belo, a poesia pode estar em um poema, assim como também em uma imagem, uma música, um quadro, uma flor, etc.

Perceba, portanto, que o poema é concreto, é a estrutura do texto. Enquanto que a poesia é abstrata, e não está no texto, na imagem ou em qualquer outra coisa, está em quem vê, pois são os nossos olhos ou a nossa capacidade de nos sensibilizar e nos emocionar que transformam algo em poesia.

Diante disso, podemos dizer que um poema sempre será um poema, já a poesia dependerá do leitor para ser considerada uma poesia. Portanto, o poema pode conter poesia ou não. E a poesia pode estar presente no poema como em qualquer outra coisa, embora quando se tratar de textos, é necessário que se saiba que o texto só será poesia se for capaz de despertar sentimentos no leitor.

Exemplo:

Confissão (Carlos Drummond de Andrade)

Não amei bastante meu semelhante,

não catei o verme nem curei a sarna.

Só proferi algumas palavras,

melodiosas, tarde , ao voltar da festa.

 

Dei sem dar e beijei sem beijo.

(Cego é talvez quem esconde os olhos

embaixo do catre.) E na meia-luz

tesouros fanam-se, os mais excelentes.

 

Do que restou, como compor um homem

e tudo o que ele implica de suave,

de concordâncias vegetais, murmúrios

de riso, entrega, amor e piedade?

 

Não amei bastante sequer a mim mesmo,

contudo próximo. Não amei ninguém.

Salvo aquele pássaro -vinha azul e doido-

que se esfacelou na asa do avião.

 

Perceba que a estrutura do texto (em verso) permite-nos saber que se trata de um poema. Contudo, é o sentimento contido nos versos que transforma esse texto em uma poesia.

Diferença entre prosa e verso

Prosa é um texto dividido em parágrafos. Ou seja, em um texto em prosa escrevemos até o final da linha, alterando seu cumprimento apenas no início e no fim do parágrafo. Além disso, o texto em prosa tem seus parágrafos divididos em frases. Alguns exemplos de texto em prosa são: notícias, entrevistas, artigos científicos, artigos de opinião, crônicas, contos, romances. Este texto que você está lendo agora, por exemplo, é um texto em prosa.

Além das características expostas acima, também usamos o termo prosa para nos referirmos a um texto cujo conteúdo se opões ao do texto poético, ou seja, é algo que sem muito sentimento, que não emociona.

 

Verso é cada linha de um poema, ou seja, quando falamos em verso, estamos automaticamente falando em poema, pois apenas em um texto poético temos a presença de versos. Além de não precisar de ser escrito até o fim da linha, o verso tem outras características que o distinguem de um texto em prosa, como o ritmo, a rima, a métrica e a linguagem predominantemente figurada. A divisão dos versos em um texto se dá por meio das estrofes, isto é, cada estrofe corresponde a um grupo de versos. Podemos ter estrofes com um verso, dois, três, quatro, etc.

 

Você viu neste texto qual a diferença entre poema e poesia, prosa e verso. Agora, que tal resolver uns exercícios para testar seus conhecimentos?

Um grande abraço, e até a próxima!

Exercícios

1 – (Enem – 2005)

Leia estes poemas:

Texto 1

AUTO-RETRATO

Provinciano que nunca soube
Escolher bem uma gravata;
Pernambucano a quem repugna
A faca do pernambucano;
Poeta ruim que na arte da prosa
Envelheceu na infância da arte,

E até mesmo escrevendo crônicas
Ficou cronista de província;
Arquiteto falhado, músico
Falhado (engoliu um dia
Um piano, mas o teclado

Ficou de fora); sem família,
Religião ou filosofia;
Mal tendo a inquietação de espírito
Que vem do sobrenatural,
E em matéria de profissão
Um tísico profissional.

(Manuel Bandeira. “Poesia completa e prosa”. Rio de Janeiro: Aguilar, 1983. p. 395.)

Texto 2

POEMA DE SETE FACES

Quando eu nasci, um anjo torto
desses que vivem na sombra
disse: Vai, Carlos! ser gauche na vida.

As casas espiam os homens
que correm atrás de mulheres.
A tarde talvez fosse azul,
não houvesse tantos desejos. (….)

Meu Deus, por que me abandonaste
se sabias que eu não era Deus
se sabias que eu era fraco.
Mundo mundo vasto mundo,
se eu me chamasse Raimundo
seria uma rima, não seria uma solução.
Mundo mundo vasto mundo
mais vasto é o meu coração.

(Carlos Drummond de Andrade. “Obra completa”. Rio de Janeiro: Aguilar, 1964. p. 53.)

Esses poemas têm em comum o fato de

a) descreverem aspectos físicos dos próprios autores.

b) refletirem um sentimento pessimista.

c) terem a doença como tema.

d) narrarem a vida dos autores desde o nascimento.

e) defenderem crenças religiosas.

2 – (UERJ – 2012)

SOBRE  A ORIGEM DA POESIA 

A origem da poesia se confunde com a origem da própria linguagem.

Talvez fizesse mais sentido perguntar quando a linguagem verbal deixou de ser poesia. Ou: qual a origem do discurso não poético, já que, restituindo laços mais íntimos entre os signos e as coisas por eles designadas, a poesia aponta para um uso muito primário da linguagem, que parece anterior ao perfil de sua ocorrência nas conversas, nos jornais, nas aulas, conferências, discussões, discursos, ensaios  ou telefonemas […]

No seu estado de língua, no dicionário, as palavras intermedeiam nossa relação com as coisas, impedindo nosso contato direto  com elas. A linguagem poética inverte essa relação, pois, vindo a se tornar, ela em si, coisa, oferece uma via de acesso sensível mais direto entre nós e o mundo […]

Já perdemos a inocência de uma linguagem plena assim. As palavras se desapegaram das coisas, assim como os olhos se desapegaram dos ouvidos, ou como a criação se desapegou da vida. Mas temos esses pequenos oásis – os poemas – contaminando o deserto de referencialidade.

ARNALDO ANTUNES

No último parágrafo, o autor se refere à plenitude da linguagem poética, fazendo, em seguida, uma descrição que corresponde à linguagem não poética, ou seja, à linguagem referencial.

Pela  descrição apresentada, a linguagem referencial teria, em sua origem, o seguinte traço fundamental:

a) O desgaste da intuição

b) A dissolução da memória

c) A fragmentação da experiência

d) O enfraquecimento da percepção

 

Gabarito

1 – B

2 – C

Bons estudos e até logo!

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