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Elementos da narrativa: quais são e características

Olá,

Uma coisa que todos nós fazemos é contar histórias. Ao virar para um amigo para relatar algo, você está contando uma história.

Neste texto, apresentaremos os elementos da narrativa e suas principais características. Vamos lá?

Narrativa

Quando falamos em narrativa, referimo-nos ao processo de expor um acontecimento ou uma série de acontecimentos reais ou imaginários.

Ao fazermos isso, usamos alguns elementos que irão compor e dar vida à história que narramos. Esses elementos são: o enredo, o narrador, os personagens, o tempo e o espaço. Confira a seguir o que é cada um desses elementos, seus tipos e características.

Enredo

O enredo é a sucessão de acontecimentos apresentados em um texto narrativo. Podemos dizer que o enredo é praticamente a história a ser contada.

O enredo é dividido em quatro partes:

  • Situação inicial ou introdução: é o início da história. É nessa parte do enredo em que o narrador apresenta os personagens e situa-os em um determinado tempo e espaço.
  • Conflito: o conflito é um acontecimento que modifica a situação inicial, geralmente consiste na apresentação de uma situação problema que deve ser resolvida pelos personagens. É importante lembrar que um texto narrativo, principalmente os textos narrativos longos, pode apresentar mais de um conflito.
  • Clímax: o clímax é a parte do enredo em que os acontecimentos culminam em uma tensão máxima. Ou seja, o clímax é a parte mais tensa da história, parte essa que antecipa o desfecho.
  • Desfecho: o desfecho é a conclusão ou término de um texto narrativo. Geralmente, o desfecho apresenta a solução para o conflito.

Narrador

O narrador é quem conta a história, quem apresenta o enredo. É importante que não se confunda narrador com autor, pois o narrador geralmente é alguém criado pelo autor para narrar sua história. Os tipos de narrador são:

  • Narrador personagem ou narrador de primeira pessoa: esse tipo de narrador participa da história, por isso falamos que o foco narrativo é em primeira pessoa, pois, como o narrador participa da história, esta é narrada em primeira pessoa.
  • Narrador observador ou narrador de terceira pessoa: esse tipo de narrador apenas narra a história, sem fazer parte dela. Por não fazer parte da história, esse narrador usa a terceira pessoa.
  • Narrador onisciente: é o narrador que sabe tudo sobre a história. Possui uma compreensão ampla sobre os fatos narrados e é capaz de saber até mesmo os pensamentos e sentimentos dos personagens. Geralmente, o foco narrativo é também de terceira pessoa.

Personagens

Os personagens são as pessoas, animais ou coisas que participam da história, participando dos acontecimentos e executando ações no decorrer da narrativa. Os personagens são divididos em:

  • Protagonista: é o personagem ou personagens de destaque na história. Ocupa lugar de destaque se comparado aos demais personagens.
  • Antagonistas: são os personagens que se opões ao protagonista. Geralmente, são responsáveis por criar o conflito.
  • Secundários: são os personagens que aparecem em segundo plano, por serem menos importantes para o desenvolvimento do enredo.

Tempo

Quando falamos sobre o tempo de uma narrativa, referimo-nos à forma como os acontecimentos são situados no tempo. O tempo narrativo pode ser:

  • Cronológico: quando os acontecimentos são narrados de forma linear, ou seja, narra-se os fatos na medida e na ordem em que vão acontecendo.
  • Psicológico: quando os acontecimentos não são narrados de forma linear. Nesse caso, ocorrem flashbacks, por exemplo. Portanto os acontecimentos não são narrados na ordem exata em que ocorrem.

Espaço

O espaço é onde acontecem os fatos narrados. O espaço em uma narrativa pode ser:

  • Físico: nesse caso são apresentados os lugares onde acontecem os fatos narrados. Por exemplo, o espaço físico pode ser uma escola, uma rua, uma casa, uma praia, etc.
  • Psicológico: o espaço psicológico é o interior dos personagens. Nesse caso, a narração se volta para os pensamentos e sentimentos dos personagens.
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Fonte: Reprodução

Exemplo de texto narrativo

Caso de secretária (Carlos Drummond de Andrade)

Foi trombudo para o escritório. Era dia de seu aniversário, e a esposa nem sequer o abraçara, não fizera a mínima alusão à data. As crianças também tinham se esquecido. Então era assim que a família o tratava? Ele que vivia para os seus, que se arrebentava de trabalhar, não merecer um beijo, uma palavra ao menos!

Mas, no escritório, havia flores à sua espera, sobre a mesa. Havia o sorriso e o abraço da secretária, que poderia muito bem ter ignorado o aniversário, e entretanto o lembrara. Era mais do que uma auxiliar, atenta, experimentada e eficiente, pé-de-boi da firma, como até então a considerara; era um coração amigo. Passada a surpresa, sentiu-se ainda mais borocoxô: o carinho da secretária não curava, abria mais a ferida. Pois então uma estranha se lembrava dele com tais requintes, e a mulher e os filhos, nada? Baixou a cabeça, ficou rodando o lápis entre os dedos, sem gosto para viver.

Durante o dia, a secretária redobrou de atenções. Parecia querer consolá-lo, como se medisse toda a sua solidão moral, o seu abandono. Sorria, tinha palavras amáveis, e o ditado da correspondência foi entremeado de suaves brincadeiras da parte dela.

— “O senhor vai comemorar em casa ou numa boate?”

Engasgado, confessou-lhe que em parte nenhuma. Fazer anos é uma droga, ninguém gostava dele neste mundo, iria rodar por aí à noite, solitário, como o lobo da estepe.

— “Se o senhor quisesse, podíamos jantar juntos”, insinuou ela, discretamente.

E não é que podiam mesmo? Em vez de passar uma noite besta, ressentida – o pessoal lá em casa pouco está me ligando -, teria horas amenas, em companhia de uma mulher que – reparava agora – era bem bonita.

Daí por diante o trabalho foi nervoso, nunca mais que se fechava o escritório. Teve vontade de mandar todos embora, para que todos comemorassem o seu aniversário, ele principalmente. Conteve-se no prazer ansioso da espera.

– Onde você prefere ir? – perguntou, ao saírem.

– Se não se importa, vamos passar primeiro no meu apartamento. Preciso trocar de roupa.

Ótimo, pensou ele; faz-se a inspeção prévia do terreno e, quem sabe?

– Mas antes quero um drinque, para animar – ela retificou. Foram ao drinque, ele recuperou não só a alegria de viver e de
fazer anos, como começou a fazê-los pelo avesso, remoçando. Saiu bem mais jovem do bar, e pegou-lhe do braço.

No apartamento, ela apontou-lhe o banheiro e disse-lhe que o usasse sem cerimônia. Dentro de quinze minutos ele poderia entrar no quarto, não precisava bater – e o sorriso dela, dizendo isto, era uma promessa de felicidade.

Ele nem percebeu ao certo se estava se arrumando ou se desarrumando, de tal modo que os quinze minutos se atropelaram, querendo virar quinze segundos, no calor escaldante do banheiro e da situação. Liberto da roupa incômoda, abriu a porta do quarto. Lá dentro, sua mulher e seus filhos, em coro com a secretária, esperavam-no atacando “Parabéns para você”.

 

Nesse conto o narrador apresentou a situação inicial ao mesmo tempo em que apresentou o conflito. Perceba que o conflito apresentado vai sendo desenvolvido até chegar ao clímax, enquanto este apresenta o desfecho.

 

Conclusão

Você aprendeu neste texto o que é narrativa, quais são seus elementos e suas características. Agora, faça os exercícios a seguir para treinar seus conhecimentos.

Um grande abraço, e até a próxima!

Exercícios

1 –  (Enem-2013)

“Tudo no mundo começou com um sim. Uma molécula disse sim a outra molécula e nasceu a vida. Mas antes da pré-história havia a pré-história da pré-história e havia o nunca e havia o sim. Sempre houve. Não sei o quê, mas sei que o universo jamais começou.

[…]

Enquanto eu tiver perguntas e não houver resposta continuarei a escrever. Como começar pelo início, se as coisas acontecem antes de acontecer? Se antes da pré-pré-história já havia os monstros apocalípticos? Se esta história não existe, passará a existir. Pensar é um ato. Sentir é um fato. Os dois juntos – sou eu que escrevo o que estou escrevendo. […] Felicidade? Nunca vi palavra mais doida, inventada pelas nordestinas que andam por aí aos montes.

Como eu irei dizer agora, esta história será o resultado de uma visão gradual – há dois anos e meio venho aos poucos descobrindo os porquês. É visão da iminência de. De quê? Quem sabe se mais tarde saberei. Como que estou escrevendo na hora mesma em que sou lido. Só não início pelo fim que justificaria o começo – como a morte parece dizer sobre a vida – porque preciso registrar os fatos antecedentes.”

LISPECTOR, C. A hora da estrela. Rio de Janeiro: Rocco, 1998 (fragmento).

A elaboração de uma voz narrativa peculiar acompanha a trajetória literária de Clarice Lispector, culminada com a obra A hora da estrela, de 1977, ano da morte da escritora. Nesse fragmento, nota-se essa peculiaridade porque o narrador

a) observa os acontecimentos que narra sob uma ótica distante, sendo indiferente aos fatos e às personagens.
b) relata a história sem ter tido a preocupação de investigar os motivos que levaram aos eventos que a compõem.
c) revela-se um sujeito que reflete sobre questões existenciais e sobre a construção do discurso.
d) admite a dificuldade de escrever uma história em razão da complexidade para escolher as palavras exatas.
e) propõe-se a discutir questões de natureza filosófica e metafísica, incomuns na narrativa de ficção.

Gabarito

1 – C

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