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Educação tradicional: conheça as linhas pedagógicas

Olá, leitores!

As linhas pedagógicas são as metodologias utilizadas pelas instituições de ensino durante o processo de transmissão do conhecimento e aprendizagem. Elas podem ser formuladas por psicólogos, filósofos ou pedagogos, mas sua aplicação dentro das escolas é feita pelos profissionais da educação.

As linhas pedagógicas são usadas em todos os tipos de instituições de ensino, nas escolas de educação básica, de ensino fundamental e médio e nas universidades, e devem ser compreendidas por pais, alunos e professores.

Os alunos e pais porque precisam saber qual é o modelo aplicado na escola em que estudam ou que escolheram para seus filhos e os professores, porque é necessário saberem qual metodologia de ensino deverão trabalhar em sala de aula.

Todas as linhas pedagógicas contribuem para a formação dos estudantes enquanto indivíduos e cidadãos conscientes. No Brasil, são utilizadas 5 linhas pedagógicas principais. Falaremos sobre cada uma, focando no modelo mais conhecido que é a escola tradicional.

Escola Tradicional

Educação tradicional e linhas pedagógicas

Fonte: Reprodução

O modelo de ensino que utilizamos até hoje surgiu na Europa, no século XVIII, e foi chamado de Escola Tradicional. Essa metodologia ficou conhecida pelo seu alto nível de exigência nas avaliações e pela competitividade entre os alunos.

A ideia de ensinar nessa época era bem diferente da concepção atual, pois o conhecimento era passado para o aluno, mas ele não era estimulado a pensar, apenas a armazenar a informação em sua mente. De acordo com Lenir Luft Schmitz, em seu artigo Paradigmas do conhecimento: os percursos e descaminhos da educação ao longo da história, publicado em 2006:

O professor acredita que ele, como adulto, já descobriu as “verdades” sobre
o mundo, as pessoas, as ideias… e precisa em sua função de expectador e
animador fazer com que o aluno descubra estes conhecimentos. O
professor assume, assim, a condição de modelo e referência para seus
alunos, que na categoria de aprendizes precisam imitar seu mestre para
aprender.

Durante o desenvolvimento infantil, a imitação é normal. Entretanto, o conceito de “imitar seu mestre” indica que a criança não é estimulada a raciocinar ao longo do processo educacional, apenas a copiar. O professor da escola tradicional não abre espaço para que seus alunos questionem o conteúdo, e cada estudante entende os temas ensinados de uma maneira diferente, deixando sempre uma dúvida no ar que, geralmente, não é respondida.

A sala de aula da escola tradicional

Quando falamos de escola e sala de aula, pensamos logo em mesas e cadeiras enfileiradas. Esse tipo de organização é feito para que apenas o professor fale e os alunos somente escutem, sem se comunicarem. O modelo de sala de aula tradicional está tão presente atualmente que costuma ser mantido mesmo quando a escola possui outra metodologia de ensino.

Vantagens e desvantagens da escola tradicional

Toda linha pedagógica tem seus prós e contras. Veja agora quais são os da escola tradicional:

Vantagens

A escola tradicional teve seu início na era do Iluminismo, no século XVIII, e tinha como objetivo universalizar o acesso ao conhecimento, sendo essa sua principal vantagem. Aqueles que defendem essa linha pedagógica afirmam que outro ponto positivo é que não tem como formar um aluno crítico e questionador sem uma sólida base de informações, portanto, é fundamental que o professor seja o centro da atenção e passe a maior quantidade de conteúdo possível para seus estudantes.

Desvantagens

Na escola tradicional,  relação entre professor e aluno é de superior-adulto, que ensina e dá as instruções, para inferior-criança, que deve ser disciplinado, permanecer em silêncio, obedecer e prestar atenção no que está sendo dito. Assim, esse modelo de ensino acaba privilegiando o conteúdo, e não se o estudante está compreendendo o que está sendo transmitido.

Nessa linha pedagógica, o aluno é o elemento passivo, que apenas recebe e assimila informações. Já o professor é a figura central, responsável por transmitir todo o conteúdo, sem permitir que haja troca de conhecimento na sala de aula.

A escola tradicional enfatiza a memorização e reprodução, por meio da prática de exercícios, medindo, em seu sistema de avaliação, a quantidade de informações absorvidas em um dado período. Essa estratégia privilegia a preparação do aluno para o Enem e os vestibulares.

Por que a escola tradicional não funciona mais?

Atualmente, a escola tradicional já não funciona tão bem quanto quando foi criada. Com a realidade dinâmica e ativa que temos hoje, é praticamente impossível que uma instituição de ensino possua uma metodologia inerte.

Essa linha pedagógica era utilizada no setor educativo da Era Industrial, em que era necessário se especializar no trabalho, e não reter informação ou construir conhecimento. Entretanto, esse período acabou e hoje a escola tradicional precisa ser revista e reformulada.

O aprendizado atual envolve tecnologia

A tecnologia é considerada a principal responsável pela necessidade de revisão da escola tradicional. Isso acontece devido ao grande número de informações disponibilizadas diariamente pela internet, permitindo que cada aluno tenha seu próprio ponto de vista sobre determinado assunto e seja coautor de seu aprendizado.

Com o avanço da tecnologia, a sua inserção no ambiente escolar não pode ser ignorada. Os dispositivos eletrônicos estão cada vez mais substituindo a lousa e o caderno. Assim, as escolas estão tornando suas salas de aula espaços informatizados, nos quais as ferramentas tecnológicas são incorporadas no cotidiano dos alunos.

A especialização está sendo substituída pelo equilíbrio do saber

Na escola tradicional, é comum observar que cada aluno é bom em uma determinada matéria. Contudo, devido às informações disponibilizadas pela tecnologia, a tendência é que o saber não fique restrito  a apenas uma área do conhecimento, mas sim haja um equilíbrio entre todos os conteúdos.

Esse é outro motivo para que o ambiente da escola tradicional não tenha mais o mesmo sucesso que tinha nos séculos passados. Sua estrutura está presa à divisão das matérias, sem trabalhar a  interligação entre as disciplinas e impedindo que o aluno relacione os conteúdos para desenvolver um raciocínio lógico e completo.

O ensino atual tem como base a vivência

Na nossa mente, o lado intelectual está diretamente ligado à prática, portanto, somente a teoria não tem a capacidade de modificar nossos pensamentos. Sendo assim, as escolas têm excluído as ideias do modelo tradicional e inserido uma metodologia focada na vivência, ou seja, na aplicação dos conteúdos ensinados em sala de aula no cotidiano.

Esses são pontos fundamentais no processo de aprendizagem para que as crianças se tornem adultos com senso crítico e opinião própria. No fim das contas, a principal função do conhecimento é modificar os valores subjetivos de cada um.

O bilinguismo está revolucionando a educação

Outro fator atual que torna a escola tradicional ultrapassada é o ensino de idiomas, já que não se aprende uma língua estrangeira com a metodologia tradicional, copiando textos da lousa e respondendo questionários.

Nesse caso, a prática é indispensável e cabe às instituições de ensino permitir que o aluno tenha contato com o idioma de forma que ele possa exercitar a comunicação. Por meio do aprendizado de uma nova língua, o estudante também pode conhecer outras culturas, ampliar sua visão de mundo e se tornar um cidadão global.

O ensino integral oferece educação mais profunda

Já se observa que aulas em período integral facilitam o aprofundamento do conhecimento e a aplicação do conteúdo ensinado em sala de aula, tornando o processo de ensino mais eficiente. Mesmo nas escolas que utilizam o turno único, é possível realizar práticas que incluem a valorização da individualidade e da diversidade, desde que a criança seja estimulada a participar da construção do conhecimento.

Outras linhas pedagógicas

Além da escola tradicional, existem outras 4 linhas pedagógicas que são utilizadas nas escolas brasileiras. Conheça um pouco mais sobre cada uma abaixo:

Escola Construtivista

A Escola Construtivista tem como principais teóricos Lev Vygotsky e Jean Piaget, e está baseada no princípio de que o aluno é o protagonista do seu processo de aprendizado. Nela, a educação não tem apenas a função de transmitir informações, mas também de oferecer suporte para que o estudante possa criar e experimentar o conhecimento oferecido em sala de aula.

Sendo assim, o conteúdo ensinado nas escolas é uma ferramenta para que o aluno construa o conhecimento por meio da formulação de hipóteses e da resolução de problemas, valorizando a aplicação das informações no cotidiano. Na escola construtivista também não existem provas ou outros instrumentos de avaliação.

 Escola Freiriana

A Escola Freiriana, ou Educação Libertadora, é a linha pedagógica baseada na teoria de Paulo Freire, conhecido em todo o mundo pela autoria do livro Pedagogia do Oprimido. Essa metodologia propõe o “desenvolvimento da visão crítica do aluno por meio das práticas em sala de aula”, ou seja, o professor apresenta os conteúdos não como verdades absolutas, mas sim como propostas de reflexão.

Para Paulo Freire, professor e aluno aprendem juntos em sala de aula, já que deve haver uma troca de experiências, raciocínios e ideias entre eles. O professor precisa levar em consideração aspectos sociais, culturais e humanos para desenvolver suas aulas, ouvindo e ajudando cada estudante a compreender o mundo por meio do conhecimento.

Freire afirma que “o conhecimento faz sentido para o aluno quando o transforma em sujeito que pode transformar o mundo, sendo então a educação uma forma de libertar o estudante”. Além disso, assim como na escola construtivista, a escola freiriana não utiliza provas ou avaliações.

Escola Montessoriana

A Escola Montessoriana, também chamada de pedagogia científica, foi criada pela educadora italiana Maria Montessori e defende a ideia de que as crianças têm a capacidade de aprenderem sozinhas.

Essa linha pedagógica acredita na importância do aluno desenvolver a iniciativa e a independência durante o processo de aprendizagem. Para que isso aconteça, é preciso que ele use as experiências anteriores para construir novos conhecimentos.

As salas de aula que aplicam essa metodologia são equipadas com uma série de materiais, e os  estudantes podem escolher qual irão utilizar em cada dia. Nesse cenário, a função do professor é ser um guia, orientando, tirando dúvidas e ajudando os alunos a superarem suas dificuldades.

O professor ainda é encarregado de organizar a progressão das atividades, garantindo que cada estudante evolua no seu ritmo. Dessa forma, os alunos têm a oportunidade de se desenvolverem ativamente, criando um senso de responsabilidade para com o próprio aprendizado.

Nessa linha pedagógica, as salas de aula podem ser organizadas como no método tradicional ou por ciclos, com crianças de idades diferentes. Na escola montessoriana também pode haver provas mas, na maioria das vezes, a avaliação é realizada por meio de observações que o professor faz sobre as atividades dos alunos. Além disso, nessa linha pedagógica, é comum o estudante fazer uma monografia no final do ensino fundamental e do ensino médio.

 Escola Waldorf

Rudolf Steiner desenvolveu um estudo denominado pedagogia Waldorf, que “visa o desenvolvimento integral da criança como ser humano, não apenas no aspecto intelectual”, ou seja, para o pesquisador a escola deve formar seres humanos através de uma “educação para a liberdade”.

Steiner explica que o desenvolvimento humano é dividido em um ciclo de 7 anos. Assim, os alunos possuem um professor que os acompanha durante todo um ciclo, mas também têm aulas com outros professores, para cobrir toda a grade do currículo, que conta com a presença intensa de aulas de artes, trabalhos manuais, culinária, entre outros.

Nessa linha pedagógica, a avaliação não se prende ao conteúdo dado em sala de aula e verifica habilidades sociais, força de vontade e interesse ao longo das atividades diárias.

Existem outras linhas pedagógicas que são aplicadas ao redor do mundo, mas preferimos focar nas mais conhecidas e utilizadas nas escolas brasileiras.

E então? Você já conhecia essas metodologias de ensino? Ficou com alguma dúvida? Deixe aqui nos comentários!

Até a próxima!

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