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Educação Integral: o que é e como funciona

Olá, leitor!

O que é Educação Integral? Como funciona na prática a Educação Integral?

A Educação Integral é uma concepção da educação que abrange o desenvolvimento global do sujeito em todas as dimensões: cognitiva; estética; ética; física; social; afetiva. Normalmente, se propõe projetos coletivos em contra turno ao período da escolarização.

Nesta idealização de educação, focasse a formação de sujeitos críticos, conscientes, autônomos e responsáveis. Propõe a inclusão, pois valoriza a singularidade de cada indivíduo. Prioriza as suas necessidades e expectativas que podem ser alteradas de acordo com o seu crescimento ou desenvolvimento.

Nesta proposta educativa os projetos interagem com o sujeito, são contextualizados com a comunidade local. Proporcionando uma interação entre o sujeito e a pratica educativa em consonância com a comunidade que este está inserido. São preservados seus valores e crenças.

Vejamos dois exemplos:

  • Se uma escola prioriza o ensino de ginástica na sua grade regular, haverá projetos que interligam com a ginástica propiciando um melhor rendimento dos alunos nesta modalidade;
  • Se há uma escola de samba na localidade: os agentes locais podem promover uma parceria com a escola e nesta haver aula de dança ou dos instrumentos da escola de samba. Podendo até formar um grupo mirim da escola.

Ao passo que há a promoção da equidade, reconhecesse o direito de todos. Estamos falando não só da aprendizagem, como também do acesso à educação com: múltiplas linguagens; diversos recursos; em diferentes espaços; com a pluralidade de saberes e diferentes agentes.

Então, podemos afirmar que a educação integral articula diversas experiências educativas, que podem ser vivenciadas dentro e fora da escola. Porém, sempre parte da intencionalidade do educador favorecendo as múltiplas aprendizagens.

Contudo, a manutenção da educação integral é um desafio constante para os gestores e as Secretarias de Educação. O programa Mais Educação do MEC, fornece subsídios para a implantação da educação integral nas escolas públicas. Porém, preconiza a participação da comunidade e por meio do Programa Dinheiro Direto na Escola- PDDE.

Lembrando que o PDDE viabiliza a entrada da verba para a Educação Integral na escola, sendo administrada pela Associação de Pais e Mestres e o Conselho de Escola, conjuntamente com a equipe gestora da unidade. Confira a seguir, tudo sobre uma educação integral de qualidade!

Como funciona a educação integral

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Primeiramente, vamos entender este projeto da educação integral, que tem como objetivo: ampliar as oportunidades educativas dos educandos, com a expansão do período escolar. Inicialmente priorizou os alunos com vulnerabilidade social. Porém, hoje temos a demanda dos genitores que trabalham fora e os filhos ficam a cargo de terceiros ou sozinhos.

O funcionamento é variável, podendo ter dentro ou fora da escola de acordo com o espaço disponível.  Há também diferentes profissionais envolvidos, como: Professores; estagiários; monitores; voluntários; e outros atores sociais.

Normalmente, a equipe de trabalho estabelece projetos e oficinas; outras vezes a secretaria da educação realiza a escolha estabelecendo as oficinas e os agentes contratados.

O projeto de trabalho possui uma abordagem global que integra vários conhecimentos. Deste modo é favorecido o envolvimento, a participação e o interesse de todos. Tendo um tema gerador que articula os conteúdos das diversas áreas do conhecimento.

As oficinas pedagógicas favorecem o ensino e a aprendizagem a medida que aborda diferentes linguagens, promovendo a experimentação, estimulando a interação em todas as dimensões.

A composição curricular é pautada na formação cidadã do sujeito, por meio da ampliação do tempo, espaço e oportunidades educativas diversificadas.

Vejamos alguns exemplos:

  • O acompanhamento pedagógico: letramento e alfabetização, matemática, história e geografia, língua estrangeira. Tendo como exemplo as oficinas de recuperação ou alfabetização;
  • A cultura, a música e a arte: oficinas como: apreciação de diferentes movimentos artísticos, danças ou fanfarras e bandas;
  • O esporte e o lazer, composta pela recreação, as lutas, xadrez, voleibol, handebol, basquete, tênis, futebol, natação, atletismo, ginástica artística e rítmica;
  • A tecnologia e a cibercultura, que envolve a criação de programas, a robótica, a fotografia, rádio escolar, vídeo e jornal escolar;
  • Segurança alimentar e nutricional englobando a alimentação saudável e a promoção a saúde;
  • A educação ambiental, educação para a sustentabilidade, como: compostagem, horta escolar e pomar;
  • Os direitos humanos e a cidadania, envolvendo a formação cidadã e a participação: parlamento mirim e conselho mirim.

Gestão democrática no funcionamento do projeto

Tendo em vista que a educação integral preconiza a construção coletiva, cabe a equipe gestora promover reuniões pedagógicas, debates e a construção coletiva do projeto pedagógico da escola. Bem como o estabelecimento da organização de seus tempos, da relação e os espaços que possam ser utilizados pela educação integral.

A construção do projeto político pedagógico, prevê o estabelecimento de parcerias. Quando a gestão compartilha as responsabilidades e as tomadas de decisões o fardo fica mais leve.

A educação integral prevê o critério de adesão e define que a escola deve ter condições de organizar seus espaços. Mas também cita que a cidade deve ser educadora e auxiliar as escolas nesta busca de novos espaços.

O projeto também destaca que a prioridade no atendimento são os alunos em distorção idade/ano; de correção de fluxo; beneficiários do programa do Bolsa Família; vítimas de violência, abusos ou trabalho infantil; ou com baixo rendimento escolar.

Os recursos financeiros auxiliam na alimentação e na aquisição de materiais para a escola manter o projeto e as oficinas.

Lembramos que, como em qualquer projeto é viável que haja ajustes e modificações sempre que necessário. O replanejamento e a reflexão promovem a adaptação a realidade e o redirecionamento das ações para atender melhor a demanda.

Vejamos a efetividade deste projeto de educação integral em uma cidade do Estado de São Paulo que foi iniciado em 2009.

Educação Integral em Mogi das Cruzes

Mogi das Cruzes é uma cidade do estado de São Paulo, que está localizada aproximadamente cerca de 70 quilômetros da capital São Paulo. Foi fundada em 1º de setembro de 1560 por exploradores portugueses. É considerada a maior cidade da região do Alto Tietê, e segundo dados coletados em 2015, o município possuía 424 633 habitantes.

Como houve um crescimento significativo, necessitou realizar investimentos na área da educação. Por esta razão no início de 2009 foi implantado o programa “Escola de Tempo Integral”. Este programa tem por objetivo principal: contribuir com a formação das crianças, por meio de um ensino de qualidade.

No início da proposta de educação integral, foram atendidos quinhentos e quarenta alunos de primeira à quarta série, de três escolas municipais. Foi estabelecido parcerias com algumas secretarias municipais, como: esporte e lazer; meio ambiente; saúde e promoção social.

Cada parceiro contribuía com algumas ações, projetos e programas desenvolvidos no Centro Municipal de Programas Educacionais (Cempre) Dra. Ruth Cardoso, no Jardim Layr e as Escolas Municipais Profª Etelvina Cáfaro Salustiano, no Conjunto Jefferson e Prof. Mario Portes, em Jundiapeba.

A partir de 2010, o programa foi ampliado e passou a ser desenvolvido em quatorze escolas. Com isso, contou com a participação de aproximadamente cinco mil alunos que aderiram o período integral.

O primeiro horário de atendimento das sete horas às onze horas e trinta minutos no ensino regular; com as oficinas e projetos de meio dia às dezesseis horas e trinta minutos. E o segundo das nove a uma hora com as oficinas e projetos; e o ensino regular da uma hora às dezessete horas e trinta minutos.

Pressupostos da educação integral mogiana 

Segundo a Secretaria Municipal de Educação de Mogi das Cruzes, a sua missão é “promover a educação integral em período parcial ou integral com objetivo de contribuir para o desenvolvimento global da criança, ampliando seus horizontes”.

A educação integral prevê aulas estruturadas e acompanhadas pelo coordenador pedagógico da escola e os coordenadores de área do período integral. Também, é oferecida uma formação continuada aos atuantes e aos professores das oficinas.

O objetivo primordial é proporcionar inúmeras condições para o desenvolvimento pleno dos alunos. Visando que os educandos tenham uma formação global, com aplicação das suas capacidades e habilidades, gerando assim novas competências.

Logo, os pais ficam tranquilos, pois sabem que seus filhos estão seguros, num ambiente de confiança sob os cuidados e orientação pedagógica de uma equipe de profissionais, tendo inúmeros recursos para o seu crescimento.

Porque os estudantes contam também com cinco refeições diárias: café da manhã, lanche, almoço, lanche e jantar. Esta alimentação é enriquecida e balanceada, seu cardápio é cuidadosamente avaliado pela equipe de “Merenda” sob a supervisão de uma nutricionista.

Além do acompanhamento das disciplinas do currículo comum a todas as escolas municipais, os educandos do ensino integral participam de diversas atividades culturais, esportivas e intelectuais. Estas passaram a ser desenvolvidas e aplicadas em parceria com as secretarias municipais de Educação, Cultura, Esporte e Lazer, Saúde, Assistência Social, Desenvolvimento Econômico e Social, Transportes e Verde e Meio Ambiente.

Mas também contam com o apoio de outras ações desenvolvidas por outros órgãos públicos municipais, estaduais, federais, instituições privadas, associações, agremiações e organizações não governamentais que também fazem parte deste Programa de Educação em tempo Integral.

Panorama Nacional da Educação Integral

Segundo os dados do Ministério da Educação e Cultura (MEC), houve um crescimento significativo no atendimento dos alunos em período integral. Vejamos alguns desses dados:

  • Em 2008 haviam 941.573 estudantes em atividades previstas pelo SIMEC e em 2014 são 8.309.309;
  • Estudantes com atividades complementares nas escolas em 2008 eram 510.569 estudantes, já em 2013 haviam 4.562.401 estudantes;
  • Estudantes com tempo integral em 2008 eram 665.346 alunos, já em 2013 eram 3.292.442 alunos.

Estes dados apontam uma ampliação na jornada escolar dos alunos, maiores possibilidades de aprendizagens, menores riscos de incidência de violência contra o menor. Para as famílias é um ganho significativo, pois deixam seus filhos com pessoas capacitadas e em segurança.

Até breve.

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