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Conheça 10 falácias e veja como identificá-las

Olá, leitor(a)!

A conversa e o debate são importantes elementos que compõem a vida em sociedade e possibilita a criação e a manutenção de relações de qualquer natureza. Essas formas de comunicação foram objeto de estudo de diversos(as) intelectuais ao longo do tempo, da retórica de Aristóteles, na Grécia Antiga, à linguística de Saussure, no final do século XIX.

Pensando em aumentar o conhecimento sobre argumentação e entender melhor algumas de suas técnicas, nós fizemos uma lista com 10 falácias utilizadas em debates. Mais do que saber construir um bom argumento, também é necessário saber identificar um argumento inválido ou inverídico.

O que é uma falácia e a importância de reconhecê-la

Falácia pode ser entendida como um argumento que parece ser válido, mas que, na verdade, não é. Ela é uma técnica muito utilizada no universo da publicidade e propaganda, a fim de convencer alguém a comprar algum produto ou serviço.

Durante um debate, por exemplo, um argumento falacioso pode transformar um raciocínio (com premissas e conclusão) fraco ou inválido em um argumento que parece verdadeiro, com a intenção de persuadir alguém ou refutar as ideias do(a) interlocutor(a). Existem 2 tipos de falácias:

  • Falácias formais: estão relacionadas à forma e às conexões estabelecidas entre as premissas e a conclusão. O conteúdo pode fazer sentido e ser verdadeiro, mas não há relação entre as partes que integram o raciocínio;
  • Falácias informais: nesse caso, o conteúdo das partes não faz sentido ou está incorreto. Isso pode ser causado por falta de conhecimento, uso de palavras ambíguas ou malícia do(a) interlocutor(a) ao abordar o tema.

Apesar dos erros e incoerências, essa técnica argumentativa é utilizada com frequência em debates, especialmente envolvendo políticos(as). Por isso, é importante identificar argumentos falaciosos para não ser persuadido(a) por discursos vazios e incorretos, independentemente da situação.

Além disso, é possível reconhecer a real capacidade de retórica e de argumentação das pessoas envolvidas em um debate. Portanto, aprender sobre falácias não só é uma boa maneira de evitar enganos e mentiras, mas também que ideias sem fundamento influenciem na tomada de decisões e na formação de opiniões.

10 falácias usadas como argumento

Para deixar mais claro como essa estratégia argumentativa aparece em debates, de qualquer natureza, nós listamos as 10 falácias mais comuns utilizadas durante uma argumentação. Vamos apresentá-las a seguir:

Conheça 10 falácias e veja como identificá-las

Fonte: Reprodução

1. Falsa causalidade

Essa falácia ocorre quando se estabelece uma relação de causalidade entre elementos que não possuem, necessariamente, esse tipo de relação. Ela pode acontecer de 3 maneiras:

  • Causa sucessiva: uma relação que se estabelece entre um evento que ocorre depois de outro, mesmo sem determinação direta. Ex.: Sempre que visto minha camiseta azul, chove na minha cidade. Portanto, devo utilizar outra camiseta para evitar a chuva;
  • Causa incorreta: a relação de causalidade é feita de modo equivocado entre os elementos. Ex.: São Paulo possui muitos radares e, mesmo assim, há acidentes com frequência. Logo, se diminuirmos o número de radares o número de acidentes também diminuirá;
  • Causa simplificada: quando há várias causas de um determinado acontecimento, mas apenas uma é escolhida para explicá-lo, simplificando o problema. Ex.: O time venceu apenas um dos últimos cinco jogos no campeonato e a culpa é do técnico, que não monta a equipe da melhor maneira.

2. Apelo à autoridade

É comum utilizar frases e estudos de autoridades em certo assunto para legitimar um argumento. A falácia de apelo à autoridade ocorre quando uma autoridade não possui legitimação para abordar determinado assunto.

Ex.: Segundo Isaac Newton, a retórica é útil porque a verdade e a justiça são por natureza mais fortes que os seus contrários. Esse tipo de falácia também é muito utilizado no universo do marketing, em que associam uma personalidade famosa a determinado produto, a fim de convencer o público a consumi-lo apenas por ser o preferido dela.

3. Contra o homem

Essa é a falácia mais comum observada em debates políticos. Ela acontece quando o(a) debatedor(a) ataca o(a) interlocutor(a) e não o seu argumento, para tentar desestabilizar ou descredibilizar o(a) adversário(a). Pode acontecer de 3 maneiras:

  • Quando ataca o caráter pessoal. Ex.: Pedro teve seu nome ligado ao esquema de desvio de verba pública. Não esperava menos de uma pessoa desonesta;
  • Quando aponta circunstâncias da vida particular. Ex.: Carol é contra a digitalização de materiais didáticos, pois é dona de uma papelaria que realiza a impressão desses materiais;
  • Quando tenta mostrar que o(a) adversário(a) é hipócrita. Ex.: O candidato afirmou que deseja reduzir os impostos sobre os combustíveis, mas, há 4 anos, ele foi favorável ao aumento desses impostos.

4. Composição

Podemos perceber a falácia de composição quando um(a) dos(as) interlocutores(as) assume o todo pela parte. Ex.: se Jorge é inteligente e pertence ao 2º ano B, logo o 2º ano B é inteligente.

Além disso, podemos notar essa dinâmica quando se assume que, caso todos os membros de um grupo possuam determinada característica, o grupo também possui. Ex.: O Brasil possui excelentes jogadores, por isso o time está em excelentes condições de jogo. Nesse caso, apenas o fato de serem excelentes jogadores não garante excelentes condições de jogo.

5. Divisão

Essa falácia é o oposto da abordada no item anterior. Neste caso, a falácia de divisão consiste na parte pelo todo, ou seja, se o todo possui determinada característica, todas as partes que compõem esse todo também a possuem.

Ex.: Se o 2º ano B é uma sala inteligente, Jorge, que pertence ao 2º ano B, é inteligente.

6. Falsa equivalência

Como o próprio nome explica, a falácia da falsa equivalência ocorre quando dois lados opostos de um argumento são apresentados como equivalentes, mas não o são. Esse tipo de argumento pode levar à formação de opiniões equivocadas e sem fundamento.

Ex.: O debate entre Terra esférica e Terra plana. Essas teorias não são equivalentes, pois, de um lado, há suporte científico para confirmar o formato esférico da Terra, do outro, pessoas acreditam que a Terra é plana devido a crenças ideológicas sem fundamento científico.

7. Exaustão

Essa falácia ocorre quando uma das partes tenta vencer a outra por meio da repetição do mesmo argumento. Nesse caso, dizemos que a pessoa repetiu o argumento até a outra “cansar de ouvi-lo”, a ponto de apenas concordar com ele.

Ex.: As pessoas ignorantes são chatas. Elas mostram sua ignorância sendo ignorantes!

8. Falsa dicotomia

Podemos perceber essa falácia quando um argumento coloca duas premissas de forma disjuntiva (ou esta ou aquela), para fazer o(a) interlocutor(a) acreditar que aquelas premissas são as únicas alternativas possíveis sobre a questão abordada. É comum observá-la em conversas entre crianças e pais e em campanhas publicitárias.

Ex.: Ou você me dá chocolate ou eu nunca mais vou dormir em casa; Compre a nova câmera X ou você nunca ficará bem nas fotos.

9. Apelo ao povo

Essa técnica é muito utilizada em campanhas políticas e publicitárias. Ela busca despertar paixão e entusiasmo na multidão a fim de ganhar o apoio do público. Essa falácia pode ser dividida em direta e indireta.

A forma direta tem a intenção de despertar no público o sentimento de pertencimento para aprovação de um discurso ou posicionamento. Um exemplo histórico dessa dinâmica foram os discursos de Adolf Hitler, que fizeram emergir o Partido Nazista na Alemanha durante as décadas de 1930 e 1940.

Já a forma indireta é utilizada com mais frequência em slogans de campanhas publicitárias e pode ser dividida em 3 categorias:

  • Eleiçoeiro: usa a ideia de exclusão para convencer a tomar determinada decisão. Ex.: Financie um carro na nossa loja, ela é a preferida de 98% dos consumidores;
  • Apelo à vaidade: parecida com a falácia de autoridade, utiliza a associação de um produto a uma personalidade que gera identificação nas pessoas.
  • Apelo ao esnobismo: associa um produto ou ideia a uma condição especial, que diferencia as pessoas das demais. Ex.: Compre esse carro e se torne um verdadeiro piloto de corrida.

10. Espantalho

A última falácia da lista é observada quando uma pessoa, para refutar um argumento do(a) oponente, distorce o argumento e ataca essa versão distorcida, uma vez que ela é mais fácil de ser contrariada. Dessa maneira, ela pensa que “derrotou” o adversário, quando, na verdade, apenas criou um espantalho dele.

É muito comum utilizar essa falácia nos momentos em que o(a) adversário não tem conhecimento acerca de um tema complexo. Ex.: A segunda lei da termodinâmica diz que não há troca de calor entre dois corpos de forma espontânea. Logo, a transferência de energia necessita de forças externas, como um aquecedor para aumentar a temperatura.

Conteúdo extra

Para ajudar a entender como se constroem as falácias e como elas são utilizadas durante um discurso ou debate, o Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Amazonas (IFAM) desenvolveu uma cartilha sobre o tema. O material une esses conhecimentos com a literatura de cordel para facilitar a aprendizagem.

A cartilha foi desenvolvida pelo educador João Uilson Vieira Filho e pelo professor de filosofia Ronilson de Sousa Lopes. Clique aqui par acessar o material.

Agora que você já sabe identificar falácias em discursos, queremos saber: qual delas mais chamou sua atenção? Deixe nos comentários!

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