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Como fazer uma boa análise literária

Conhecer os aspectos básicos de uma narrativa é o primeiro pré-requisito para fazer uma boa análise literária.

Olá, leitores!

A análise literária é o ato de decompor um texto no intuito de observar cada componente que o constitui. Ou seja, de estudar os aspectos integrantes de uma narrativa. Desse modo, você conseguirá compreender, interpretar e assimilar os sentimentos e valores de uma obra.

Porém, para atingir esse objetivo, é necessário aplicar corretamente a análise literária, explorando todas as características do texto.

Por exemplo, um dos erros mais comuns de quem estuda romance é de não conhecer os principais elementos que o integra. Do mesmo modo, não pode ser considerada análise comentários escritos sobre um material, por mais correto ou relevante que seja. Antes de quaisquer conclusões, é importante examinar todo o corpo narrativo.

Por isso, para ajudá-los a realizar uma boa análise literária, separamos 7 itens a serem explorados logo após a leitura da obra. Confiram:

1. Enredo

No texto narrativo, o enredo ou trama é responsável por sustentar a história. É quem irá desenvolver ou construir o conteúdo por meio da conexão de fatos que fundamentem a ação narrativa. Por meio dele, é possível encontrar o conflito ou tensão no texto que motiva as personagens a se movimentarem. Onde está a força principal de todos os acontecimentos? Quem segura o enredo?  Lembre-se que enredo e personagem dependem um do outro.

Como visto, todo enredo está presente na estrutura do conflito. Desse modo, para analisar a obra, é necessário encontrar três pontos principais: o início, desenvolvimento e clímax.

  • O início expõe o conflito do romance, da situação que culminará em todo o desenrolar da trama;
  • O desenvolvimento são todas as consequências que o conflito trará, ou seja, os níveis (baixo e alto) de tensão apresentados para serem resolvidos;
  • O clímax são os acontecimentos finais da problemática; é onde ocorre o desfecho.

Obs.: É permitido iniciar uma obra pelo desfecho e, depois, serem apresentados o início e o desenvolvimento do conflito. Isso pode ocorrer em obras que utilizam flashbacks para narrarem os acontecimentos. Apesar da alteração da ordem cronológica, esses três pontos (início, meio e fim) estarão presentes em todos os textos narrativos.

Resumidamente, o enredo é o esqueleto de uma obra literária.

2. Tempo e espaço

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Foto: Reprodução

O tempo e o espaço se referem ao contexto histórico e ao local onde a narrativa se desenrola. No decorrer do texto, podemos encontrar os acontecimentos históricos, presentes no romance, e determinar em que época a história se passa. Também é possível identificar o local por meio dos ambientes e lugares citados.

O tempo e o espaço podem estar presentes numa obra de forma clara, ou seja, diretamente mencionada pelo narrador ou personagem. Ou de forma mascarada, quando apenas as descobrimos ao ligarmos alguns fatores ao texto, como, por exemplo:

  1. Se a narrativa nos apresenta a época da ditadura, pressupomos que a história acontece em meados de 1964 e 1985;
  2. Se a narrativa cita a Rua do Ouvidor, concluímos que o enrendo ocorre no Rio de Janeiro, porque essa Rua é famosa naquela cidade. Além disso, podemos identificar o espaço por meio da descrição do ambiente e da análise do aspecto social de um determinado lugar.

Obs.: Caso o tempo e o espaço não possam ser definidos, descreva-os como não-identificados ou não-definidos. Há outro modo para tratar locais inexistentes, como cidade/estado/país, é chamá-los de fictícios.

3. Narrador

O narrador é a entidade que conta a história, podendo se apresentar das seguintes formas:

  • Heterodiegético: narrador que não é personagem da história, esse é o mais adotado pelos escritores;
  • Homodiegético: narrador que faz parte da história, mas não é o personagem principal;
  • Autodiegético: narrador que é o personagem principal da narrativa, protagonista.

Obs.: Dentro desses narradores, podemos encontrar a narrativa em 1ª e 3ª pessoa. Contudo, em relação à 3ª pessoa, há ainda o narrador omnisciente (aquele que sabe de todos os acontecimentos e as personagens), o qual pode se apresentar em duas versões: intruso (quem se intromete na história) e observador (quem apenas narra os fatos sem interferir). E em relação à 1ª pessoa, existe o narrador seletivo (quem narra os fatos da forma que quer, podendo mascarar alguns aspectos ou acontecimentos à sua maneira).

4. Linguagem

Por meio da linguagem é possível analisar a forma como a obra é escrita e até mesmo narrada. Por exemplo, ao pegarmos um livro antigo, observamos que o vocabulário é diferente do atual.

Assim, o primeiro passo para estudar uma narrativa de linguagem é verificá-la como simples ou rebuscada, formal ou informal, culta ou marginalizada, etc.

Outro aspecto a ser adotado é levantar os estilos de linguagem. Esse tipo de estudo é complicado porque exige um pouco mais de conhecimento sobre o assunto. Porém, em alguns casos são fáceis de serem identificados e sempre acrescentam pontos para uma análise literária.

No livro O Cortiço, por exemplo, há alguns exemplos de figuras de linguagens. O autor Aluísio de Azevedo utiliza o ‘animalismo’ ou ‘zoomorfismo’ para caracterizar seus personagens com características animais.

No total, existem cerca de 21 figuras de linguagens – ter conhecimento básico sobre cada uma delas é essencial para uma boa análise.

Logo prepararemos um texto sobre as figuras de linguagens para explicá-las detalhadamente.

5. Personagens

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As personagens devem ser analisadas tanto no aspecto físico como no aspecto psicológico. Contudo, é necessário respeitar a ordem de importância das personagens da seguinte forma:

  • Personagens principais (protagonista(s) e antagonista(s));
  • Personagens secundárias.

Obs.: A análise das personagens principais deve ser feita de forma mais completa. Além das descrições físicas e psicológicas, podemos analisar alguns aspectos sociais e históricos, se houverem, como também traçar um perfil mais aprofundado sobre suas motivações, desejos e anseios.

6. Sinopse

Agora que você conhece todas as características da análise narrativa, escreva uma breve sinopse sobre ela!

Você sabia que a sinopse ajuda a absorver melhor o conteúdo analisado?

Se você conseguir resumir um material sem dificuldades, estará preparado(a) para a última e mais importante parte da análise literária.

7. A importância da obra

Depois de todo esse processo de análise dos elementos que compõem uma narrativa literária, você conseguirá discorrer sobre o livro como um todo.

Basta seguir a sua própria opinião, baseada nas estruturas textuais analisadas acima e, a partir disso, determinar a importância de cada obra para a literatura.

Esperamos tê-los ajudado, até a próxima!

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