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Como fazer um poema?

Olá, leitor!

“Um poema como um gole d’água bebido no escuro.
Como um pobre animal palpitando ferido.
Como pequenina moeda de prata perdida para sempre na floresta noturna.
Um poema sem outra angústia que a sua misteriosa condição de poema.
Triste.
Solitário.
Único.
Ferido de mortal beleza.”

(“O Poema”, Mário Quintana)

Essa é a definição de poema de Mário Quintana, um dos maiores poetas brasileiros do século XX. Em suas obras, Quintana trabalha com uma linguagem simples, abordando temas do cotidiano, experiências passadas e o próprio ato de escrever. O poeta também ficou conhecido por seu estilo introspectivo, lírico e delicado.

E você? O que acha do conceito de poema de Mário Quintana? Você gosta de ler e escrever textos desse gênero literário? Então, veio ao lugar certo! No artigo de hoje, vamos discutir as características do poema e dar algumas dicas para você escrever seu próprio texto poético. Acompanhe!

O que é um poema?

Como fazer um poema

Fonte: Reprodução

“Os poemas são pássaros que chegam
não se sabe de onde e pousam
no livro que lês.”

(“Os Poemas”, Mário Quintana)

A palavra poema tem origem na língua grega e vem do verbo poein, que significa fazer, criar. Também foi na Grécia Antiga que as primeiras manifestações desse gênero literário surgiram, com obras como Ilíada e Odisseia, ambas atribuídas ao poeta Homero. Ao longo do tempo, os poemas adquiriram características específicas.

Esse tipo de texto se organiza em versos (cada linha de um texto poético) e em estrofes (conjunto de versos), explorando a sonoridade e o significado das palavras. Os poemas podem ou não ter rimas e costumam empregar expressões no sentido conotativo, ou seja, com uma acepção diferente da usual.

Os poemas se classificam tanto pela maneira como expõem as ideias quanto por aspectos relativos à sua estrutura. Um texto desse tipo pode ser épico, quando conta a história de personagens heroicos, lírico, se aborda sentimentos e emoções, ou dramático, isto é, um poema escrito para ser encenado.

Alguns poemas possuem forma fixa, logo, precisam ter um número específico de versos e estrofes. O soneto, formato amplamente conhecido, conta com 14 versos, divididos em duas estrofes de quatro versos e duas estrofes de três versos.

Além do soneto, bastante tradicional, há outras formas fixas, como a balada, composta por três estrofes de oito ou dez versos e uma estrofe de quatro ou cinco versos, e o acróstico, poema de apenas uma estofe cujas letras iniciais formam o nome de uma pessoa ou objeto.

Os versos e as rimas também recebem classificações. Os principais tipos de verso são os pentassílabos, também chamados de redondilhas menores e composto por 5 sílabas poéticas, os heptassílabos (redondilhas maiores), formados por sete sílabas poéticas, os decassílabos ou heroicos, que possuem 10 sílabas, e os dodecassílabos, chamados de alexandrinos e compostos por 12 sílabas. Os versos que não apresentam um padrão de sílabas poéticas, são chamados de versos livres.

Situação parecida ocorre com as rimas, que se diferenciam pela posição na estrofe. Se o primeiro verso de uma estrofe rima com o terceiro e o segundo, com o quarto, dizemos que temos rimas cruzadas ou alternadas. Quando o primeiro verso rima com o quarto e o segundo, com o terceiro, as rimas são interpoladas. Contudo, se o primeiro verso rima com o segundo e o terceiro, com o quarto, as rimas são emparelhadas. Os versos que não trabalham com rimas são chamados de versos brancos.

Qual a diferença entre poema e poesia?

“Impossível qualquer explicação: ou a gente aceita à primeira vista, ou não aceitará nunca: a poesia é o mistério evidente. (..) E, embora evidente, traz sempre um imprevisível, uma surpresa, um descobrimento.”

(“Poesia”, Mário Quintana)

O poema é um gênero literário repleto de regras e particularidades, estando necessariamente ligado ao trabalho com as palavras. Por isso, poema e poesia, apesar de muito usadas como sinônimos, são palavras com significados diferentes.

Poesia é uma qualidade imaterial que está associada a vários tipos de arte, não especificamente ao texto. Um desenho, uma peça publicitária, uma escultura, uma fotografia podem ser repletas de poesia, desde despertem emoções e reflexões no interlocutor. Entretanto, essas manifestações artísticas não podem ser consideradas poemas, pois não trabalham com esse gênero literário.

Mesmo textos que exploram a sonoridade e os significados das palavras só serão poemas se seguirem as regras desse gênero literário. Caso contrário, essas expressões escritas serão vistas como textos poéticos.

Como fazer um poema?

“Um poeta sofre três vezes: primeiro quando ele os sente, depois quando ele os escreve e, por último, quando declamam os seus versos.”

(“Destino Atroz”, Mário Quintana)

A seguir, vamos listar algumas dicas para ajudar quem deseja escrever poemas ou textos poéticos. Veja:

1. Leia muito

O primeiro passo para escrever um bom poema é ler muito, não só textos poéticos, mas todos os gêneros literários. Quanto mais frequente e variada for a leitura, maior e mais rico será o leque de referências para criar um texto próprio.

2. Defina o tema

Antes de começar a criar seu poema, defina um tema para ser abordado no texto. Escolher o assunto que será trabalhado ajuda a pensar em quais sentimentos você deseja despertar no leitor. Quanto mais específico for o tema, mais fácil tende a ser o processo de escrita.

3. Pense em um método e uma forma

Pense em palavras-chave e escreva frases sobre o assunto do poema. Nessa etapa de separação de ideias, cada escritor age de uma maneira. Alguns preferem definir a forma do poema primeiro e depois escolher palavras que se encaixem nesse formato.

Já outros optam por escrever palavras e frases sem um critério definido para depois analisarem suas anotações e decidirem qual será a forma do poema. Sinta-se à vontade para escolher o método que for mais confortável para você.

4. Use figuras de linguagem

A beleza de textos poéticos está na sua capacidade de trazer diferentes olhares sobre a realidade. Por isso, as palavras e frases de um poema precisam ser muito bem escolhidas, a fim de provocar novas reflexões e sensações no leitor.

Uma sugestão para atingir esse objetivo é utilizar figuras de linguagem, que ajudam a tornar o texto mais expressivo. As figuras de linguagem mais conhecidas são a comparação, que constrói uma relação de semelhança entre dois elementos, e a metáfora, que também trabalha com similaridade, mas o faz de forma pouco usual.

Além desses recursos mais comuns, temos figuras de linguagem que abordam aspectos gramaticais, como o pleonasmo, caracterizado pela redundância de uma ideia, aspectos fonéticos, como a aliteração, repetição intencional  de sons consonantais, e até aspectos retóricos, como o paradoxo, que utiliza duas ideias opostas na mesma oração.

Para conferir outras figuras de linguagem, clique aqui.

5. Revise

Revisar é um passo essencial na elaboração de qualquer texto. É durante esse processo que percebemos erros gramaticais, ortográficos e até trechos que podem ser suprimidos ou incluídos. Por isso, releia várias vezes a primeira versão do seu poema antes de considerar o texto finalizado.

Como dizia Mário Quintana:

“Quem diz que ama a POESIA
E não a sabe fazer
É apenas um POETA inédito
Que se esqueceu de escrever…”

(“Batalhão das Letras”, Mário Quintana)

Até logo!

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