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Como fazer um bom desenvolvimento na redação?

Olá, leitor!

Uma boa redação é constituída por três pilares: a introdução, o desenvolvimento e a conclusão. A introdução é uma das partes fundamentais, que precisa ser trabalhada minuciosamente, pois é o cartão de visitas, é o que irá chamar a atenção do leitor para decidir se vai ou não continuar a leitura.

O desenvolvimento na redação, por sua vez, é a etapa crucial para expor ao leitor suas ideias, conceitos e argumentação. De modo geral, o desenvolvimento tem direta ligação com a introdução, pois dará continuidade às promessas, dúvidas e problemas dispostos na introdução.

Se você possui dificuldades na elaboração de um desenvolvimento na redação, saiba que com algumas dicas e técnicas, você poderá construir uma redação completa, que contenha todas as exigências. Separamos aqui todas as informações que você precisa saber, confira!

Como elaborar o desenvolvimento na redação?

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É no desenvolvimento que todo seu conhecimento será realmente testado. Essa etapa de construção de uma redação requer informações precisas e objetivas, que irão defender seu ponto de vista.

Independente se sua redação é de estilo dissertativo argumentativo (prova do ENEM) ou não, o conceito de desenvolvimento sempre será o mesmo. O desenvolvimento na redação tem um único propósito, mostrar ao leitor como solucionar e razões de um determinado problema.

Compreendendo o conceito de desenvolvimento, que nada mais é do que a evolução de uma ideia, ou seja, precisa existir no desenvolvimento uma direção estratégica para levar o leitor até a conclusão da redação.

Para deixar bem claro como fazer um desenvolvimento na redação, deixaremos 8 dicas abaixo para você colocar em prática, veja:

8 Dicas para construir um bom desenvolvimento na redação

1 – Planejamento

Antes de iniciar sua redação, é recomendado que você faça uma longa pesquisa sobre o tema e reúna o máximo de informações importantes que você poderá utilizar na sua redação.

Essa etapa de planejamento é fundamental, principalmente para quem tem dificuldade em organizar as ideias. Seu texto será conciso e apresentará uma estrutura simples, porém objetiva.

Dessa maneira, ficará mais fácil identificar o que abordar na introdução da redação, no desenvolvimento e como construir uma conclusão para o tema proposto. Faça uma relação de ideias em um mapa mental e monte o “esqueleto” da redação para que sua argumentação flua com maior precisão.

2 – É o leitor quem decide

Uma dica que vale a pena frisar aqui é quanto à conversa com o leitor. Geralmente, as redações devem ser escritas de modo dissertativo objetivo, ou seja, de caráter imparcial.

Desse modo, o autor nunca deverá usar a primeira pessoa do singular (eu). Todo o texto deve ser escrito de modo que no final, o leitor tire suas próprias conclusões. O autor deverá apresentar ao longo da redação os pontos positivos e negativos de sua argumentação, deixando o leitor decidir.

3 – Estrutura do desenvolvimento

Para facilitar a construção do desenvolvimento na redação, basta seguir uma estrutura pré-definida que consiste em tópico frasal, argumentos e finalização. Se sua redação define quantidade de linhas específicas, vale a pena planejar bem essa estrutura para não extrapolar no desenvolvimento e deixar a conclusão incompleta.

O tópico frasal, nada mais é do que a primeira frase de impacto do desenvolvimento. É essa frase que irá dizer ao leitor do que esse parágrafo se trata, em resumo é o coração do parágrafo.

Logo em seguida, você deverá dispor seus argumentos, no caso de um texto dissertativo argumentativo, e nessa parte você não deverá expor qualquer tipo de descrição nem narração.

E por fim, você deverá apresentar uma frase de encerramento, que traz uma característica de conclusão. Comumente é caracterizado por expressões como, portanto, logo, sendo assim, etc.

4 – Demonstração de fatos

É extremamente importante que no momento de criar seu desenvolvimento, você apresente também fatos, mostrando ao leitor citações, dados estatísticos, comparação de pontos de vista, dados históricos, etc.

Para defender um argumento, é necessário que você saiba tudo sobre o assunto e ainda mais, possui provas concretas de tudo o que está expondo ao leitor.

5 – Fontes e credibilidade

Dando continuidade ao tópico anterior, a citação de muito importante, mas você precisa se atentar quanto à credibilidade da fonte. Prefira citar fontes de dados ou pesquisas de Instituições renomadas como a Unesco, IBGE, etc.

6 – Domínio sobre o assunto

Como já falamos aqui no artigo, você precisa reunir todas as informações e se aprofundar o máximo que conseguir sobre o tema proposto. Ter domínio sobre o assunto fará com que você desenvolva novas ideias e consequentemente construa argumentos plausíveis para apresentar ao leitor.

7 – Excesso de vocabulário

Muitas pessoas confundem o texto bem escrito com texto que possui excesso de trabalho com a linguagem. No caso de redação para ENEM, você poderá perder muitos pontos justamente por causa desse erro.

A regra básica de uma redação bem escrita é apresentar informações claras e sucintas. Não rebusque demais o seu texto com palavras difíceis, isso não o fará melhor se não trouxer bons argumentos.

8 – Tipos de argumentos

Existem vários tipos de argumentos que você pode utilizar em sua redação. É importante que você defina o melhor tipo para defender sua tese. Não adianta escolher vários argumentos e bombardear sua redação, isso pode negativar o resultado de sua redação. Veja quais são os tipos:

  • Argumento por dados estatísticos: É um dos argumentos mais utilizados para enfatizar um problema e dar maior credibilidade ao seu ponto de vista.
  • Argumento por dados históricos: Esse tipo de argumento ajuda a enfatizar que o problema já existe desde muito tempo e a urgência pela solução.
  • Argumento por questionamento: Utilizado para colocar em questões tópicos que geram discussão, as perguntas no texto além de chamarem a atenção do leitor, causa senso de debate. Porém, você sempre deverá responder os questionamentos apresentados.
  • Argumento por citação: Citações são sempre bem-vindas em redações. Citar filósofos ou cientistas agrega muito mais valor ao seu argumento.
  • Argumento por causa e consequência: Nesse tipo de argumento, você deverá apresentar claramente a causa do problema e as consequências que isso pode trazer, passando um senso de autoridade no assunto.
  • Contra argumentação: A contra argumentação não deixa claro o seu ponto de vista, mas traz questões que questionam a real solução para o problema.

Exemplos de desenvolvimento na redação

Estaremos apresentando agora alguns exemplos de desenvolvimento que você pode analisar para que você construa seu próprio desenvolvimento. Os exemplos são baseados nas redações nota mil do ENEM, portanto, preste muita atenção. Note também que os textos apresentarão três tipos de cores.

O vermelho representará o tópico frasal, o verde o argumento apresentado e finalmente o roxo denomina o encerramento do parágrafo de desenvolvimento. Confira!

Redação: Tolerância na prática

Em primeiro plano, é necessário que a sociedade não seja uma reprodução da casa colonial, como disserta Gilberto Freyre em “Casa-grande e Senzala”. O autor ensina que a realidade do Brasil até o século XIX estava compactada no interior da casa-grande, cuja religião oficial era católica, e as demais crenças – sobretudo africanas – eram marginalizadas e se mantiveram vivas porque os negros lhes deram aparência cristã, conhecida hoje por sincretismo religioso. No entanto, não é razoável que ainda haja uma religião que subjugue as outras, o que deve, pois, ser repudiado em um Estado laico, a fim de que se combata a intolerância de crença.

De outra parte, o sociólogo Zygmunt Bauman defende, na obra “Modernidade Líquida”, que o individualismo é uma das principais características – e o maior conflito – da pós-modernidade, e, consequentemente, parcela da população tende a ser incapaz de tolerar diferenças. Esse problema assume contornos específicos no Brasil, onde, apesar do multiculturalismo, há quem exija do outro a mesma postura religiosa e seja intolerante àqueles que dela divergem. Nesse sentido, um caminho possível para combater a rejeição à diversidade de crença é desconstruir o principal problema da pós-modernidade, segundo Zygmunt Bauman: o individualismo.

Redação por: Vinícius Oliveira de Lima

Tema da redação: Prática religiosa um direito de todos

O contexto histórico brasileiro indubitavelmente influencia essa questão. A colonização portuguesa buscou catequizar os nativos de acordo com a religião europeia da época: a católica. Com a chegada dos negros africanos, décadas depois, houve repressão cultural e, consequentemente, religiosa que, infelizmente, perpetua até os dias de hoje. Prova disso é o caso de uma menina carioca praticante do candomblé que, em junho de 2015, foi ferida com pedradas, e seus acompanhantes, alvos de provocações e xingamentos. Ainda que a violência verbal, assim como a física, vá contra a Constituição Federal, os agressores fugiram e, como em outras ocorrências, não foram punidos.

Além disso, é importante destacar que intolerância religiosa é crime de ódio: não é sobre ter a liberdade de expressar um descontentamento ou criticar certa crença, mas sim sobre a tentativa de imposição, a partir da agressão, de entendimentos pessoais acerca do assunto em detrimento dos julgamentos individuais do outro sobre o que ele acredita ser certo ou errado para sua própria vida. Tal visão etnocêntrica tem por consequência a falta de respeito para com o próximo, acarretando em episódios imprescritíveis e humilhantes para aqueles que os vivenciam.

Redação por: Jordana Bottin Ecco

Desde a colonização, o país sofre com imposições religiosas. Os padres jesuítas eram trazidos pelos portugueses para catequizar os índios, e a religião que os nativos seguiam – a exaltação da natureza – era suprimida. Além disso, a população africana que foi trazida como escrava também enfrentou fortes repressões ao tentar utilizar sua religião como forma de manutenção cultural. É relevante notar que, ainda hoje, as religiões afro-brasileiras são os maiores alvos de discriminação, com episódios de violência física e moral veiculados pelas mídias com grande frequência.

Concomitantemente, ainda que o Brasil tenha se tornado um Estado laico, com uma enorme diversidade religiosa devido à grande miscigenação que o constituiu, o respeito pleno às diferentes escolhas de crença não é realidade. A palavra religião tem sua origem em “religare”, que significa ligação, união em torno de um propósito; entretanto, ela tem sido causa de separação, desunião. Mesmo que legislações, como a Constituição Federal e a Declaração Universal dos Direitos Humanos, já prevejam o direito à liberdade de expressão religiosa, enquanto não houver amadurecimento social não haverá mudança.

Diante desses exemplos, você pode ver claramente o uso de argumentos por dados históricos, como nos dois últimos textos. Em contrapartida, o primeiro texto embasa seu argumento em uma citação. Você pode perceber também que todos os textos possuem a mesma estrutura, o que são técnicas fundamentais para escrever sua redação.

Pesquise muito bem sobre o tema e aplique essas dicas e exemplos, que você certamente conseguirá construir um excelente desenvolvimento na redação.

Até mais!

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