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Como fazer um artigo de opinião?

Olá,

Vivemos sem dúvida a era da informação. O mundo hoje exige tanto que saibamos interpretar a enxurrada de informações que chega até nós quanto sabermos nos posicionar diante de tudo o que ocorre a nossa volta.

Neste texto, você aprenderá a escrever um artigo de opinião, um gênero textual importante tanto para a vida acadêmia quanto para a vida pessoal. Vejamos o que é:

Artigo de opinião

O artigo de opinião é um gênero textual jornalístico do tipo dissertativo-argumentativo. Nesse tipo de texto, o autor deve se posicionar diante de um tema defendendo seu ponto de vista com intuito de convencer o outro em relação a uma ideia específica, daí o fato de o artigo de opinião ser um texto argumentativo.

Embora, os artigos de opinião abordem temas importantes para a sociedade – tais como política, meio ambiente, educação, cultura, etc. – esses assuntos acabam importando menos que a análise feita e a opinião emitida.

Características do artigo de opinião

Confira as principais características de um artigo de opinião:

  • Uso de argumentos: por se tratar de um texto argumentativo, o artigo de opinião sempre deverá apresentar argumentos, pois é através deles que convencemos nosso leitor;
  • Pode ser um texto polêmico: como muitas vezes o tema em questão é polêmico, o artigo de opinião será também muitas vezes polêmico. Sendo comum até mesmo que essa polêmica já seja levantada no próprio título;
  • Temas atuais: o artigo de opinião costuma abordar assuntos atuais e que estão em alta no momento de sua escrita e publicação;
  • Primeira ou terceira pessoa: diferentemente do texto dissertativo-argumentativo que exige apenas a terceira pessoa, o artigo de opinião pode ser redigido tanto na primeira quanto na terceira pessoa;
  • Assinatura do autor: o artigo de opinião comumente é assinado pelo autor;
  • Veiculado em jornais: o artigo de opinião na maioria das vezes é publicado jornais.

Estrutura do artigo de opinião

O artigo de opinião é dividido em três partes principais: introdução, desenvolvimento e conclusão.

Vejamos cada uma delas:

  • Introdução: a introdução é apresentada no primeiro parágrafo. É nessa parte do texto em que você anuncia ao leitor o tema que será abordado. Além do tema, você pode também deixar que o leitor já saiba a sua opinião sobre o tema, contudo, mesmo que seja apresentada a opinião, você não deve apresentar argumentos na introdução.
  • Desenvolvimento: é a parte do artigo de opinião em que são apresentados os argumentos. Pode ser considerada a parte mais importante: é no desenvolvimento que você vai convencer o leitor a ter a mesma opinião que você sobre o tema proposto. Para isso, faça comparações, narre fatos vivenciados por você ou fatos históricos, faça também relações de causa e consequências. Mas convença o seu leitor.
  • Conclusão: tão importante quanto a introdução e o desenvolvimento é a conclusão, portanto preste bastante atenção ao escrevê-la. Nessa parte do texto, você deve fazer duas coisas: retomar a sua opinião e apresentar uma solução para o problema. Dica: a conclusão, assim como a introdução, deve ter no mínimo duas frases.

Dicas para escrever um artigo de opinião

Elaboramos a seguir algumas dicas que irão lhe ajudar bastante a escrever um artigo de opinião:

  • Considere quem será o seu interlocutor: ao escrever um texto, é ideal que o autor tenha em mente qual será seu público alvo. Tente adequar a linguagem ao perfil de seu leitor.
  • Rascunhe os possíveis argumentos a serem usados: antes de escrever seu texto, anote em um pedaço de papel tudo que lhe parecer bom como argumento.
  • Elabore um título: tente despertar a curiosidade do leitor através do título.
  • Use verbos no presente e no imperativo: os verbos no presente aproximam o leitor daquilo que está sendo dito; enquanto que os verbos no imperativo ajudam o autor a convencer o leitor.
  • Quantidade de parágrafos: o seu texto deve ter no mínimo três parágrafos: um para a introdução, um para o desenvolvimento e o último para a conclusão. Contudo, o ideal mesmo é que se tenha pelo menos quatro parágrafos, sendo os dois do meio para o desenvolvimento e contendo cada um deles um único argumento.
  • Tamanho dos parágrafos: o ideal é que o parágrafo tenha três frases e não seja muito longo. Contudo, lembre-se que seu parágrafo deve ter no mínimo duas frases.

Exemplo de artigo de opinião

O problema é de gestão

O presidente Jair Bolsonaro decidiu afinal demitir o ministro da Educação, Ricardo Vélez Rodríguez. Foi o segundo ministro a cair em três meses – o primeiro foi Gustavo Bebianno, da Secretaria-Geral da Presidência. Segundo Bolsonaro, a decisão foi tomada por uma “questão de gestão”, já que Vélez “lamentavelmente não tinha essa expertise com ele”. Traduzindo: para o presidente, seu escolhido para o Ministério da Educação, uma das pastas mais importantes do governo, não tinha a experiência necessária para desempenhar tão relevante função, e disso resultou uma gestão insatisfatória.

Ora, a inexperiência de Ricardo Vélez era de conhecimento geral no instante em que seu nome foi anunciado para ocupar o cargo de ministro da Educação. É pouco provável que o presidente da República não soubesse que Ricardo Vélez não tinha em seu currículo nenhum sinal de tarimba como administrador público, especialmente em área tão complexa como a educação.

Contudo, Ricardo Vélez não foi escolhido para ser propriamente um gestor da educação. Seu papel, como estava claro desde o início, era implementar a agenda ideológica apresentada por Bolsonaro na campanha eleitoral. De acordo com essa agenda, é preciso acabar com o “marxismo cultural” que, segundo os bolsonaristas, está entranhado nas universidades e escolas públicas. “Jair Bolsonaro prestou atenção à voz entrecortada de pais e mães reprimidos pela retórica marxista que tomou conta do espaço educacional”, discursou Ricardo Vélez ao tomar posse, em janeiro.

Para assessorá-lo, o ministro trouxe ex-alunos seus, igualmente despreparados. À medida que a inaptidão de Ricardo Vélez e de sua equipe cobrava seu preço na forma de desorganização, demissões em série e paralisia decisória, outras forças trataram de disputar o poder no Ministério da Educação, tornando insustentável a permanência de um ministro que, de tão desprestigiado, só soube pela imprensa que seria demitido, já que o presidente Bolsonaro preferiu contar a jornalistas, e não a ele, sobre sua decisão, na semana passada.

Para o lugar de Ricardo Vélez, o presidente Bolsonaro escolheu o economista Abraham Weintraub, que era secretário executivo da Casa Civil e se tornou conhecido por ajudar a formular um esboço da reforma da Previdência. Assim como o antecessor, o novo ministro não tem qualquer experiência de gestão no setor público e em educação. Na posse, foi apresentado por Bolsonaro como alguém que, por sua “dedicação e patriotismo”, será capaz de “fazer os nossos jovens melhores que seus pais e avós”. Sem modéstia, o próprio ministro Weintraub disse, “não para me vangloriar, mas para acalmar os ânimos”, que seu diferencial é sua autoproclamada capacidade de gestor.

Com essa escolha para o Ministério da Educação, o presidente julga resolver a “questão de gestão” que oficialmente custou o cargo a Vélez. Mas o problema é o que o presidente entende por “gestão”. Ao colocar na Educação mais um ministro com pouco vínculo com a área e nenhuma passagem pelo serviço público em geral, Bolsonaro deixa claro que uma boa “gestão”, para ele, não é a formulação de sólidas políticas educacionais nem a administração da complexa estrutura de ensino, e sim a disposição de combater “comunistas” – que, segundo disse o agora ministro em outra ocasião, “estão no topo do País”.

O caso do Ministério da Educação mostra que o problema de gestão não é deste ou daquele ministro, mas do próprio presidente – que, afinal, escolhe seus ministros e se orgulha de fazê-lo sem interferência política. A administração do governo, que depende diretamente da direção determinada pelo presidente, ziguezagueia ao sabor das crenças pessoais de Bolsonaro e de seus principais conselheiros, quase sempre divorciadas da realidade do País. Por sorte, há entre os assessores do presidente, especialmente na equipe econômica, funcionários que têm demonstrado boa capacidade de trabalho e consciência de suas responsabilidades.

Há poucos dias, em tom de blague, Bolsonaro disse que não nasceu para ser presidente. As sucessivas crises num governo tão novo, com a queda de dois ministros em três meses, a desarticulação política e a paralisia de diversos setores, estão aí a sugerir que talvez ele tenha razão.

Fonte: https://opiniao.estadao.com.br/noticias/notas-e-informacoes,o-problema-e-de-gestao,70002785573

Conclusão

Você viu neste texto como fazer um artigo de opinião. Leia e releia o artigo até estar confiante de que já é capaz de escrever um bom texto.

Um grande abraço, e até a próxima!

comentários (1)

  • Ana Célia Albuquerque Melo

    Daniel, parabens pelos artigos que voce vive postando. Sou professora aposentada, pesquiso muito o Cana de Ensino. Muitos conteúdos e informações

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