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Como discutir o racismo na sala de aula?

Olá, leitor!

Apesar das diversas ações educacionais existentes para reduzir as atitudes de racismo na sala de aula, o fato é que ainda há muito a ser feito, pois, esse comportamento preconceituoso, na maioria das vezes, vem de fora dos muros da escola, e de dentro dos lares desses jovens.

Na mídia, apesar de vermos inúmeras campanhas de conscientização contra o racismo, ao mesmo tempo vemos novelas e filmes mostrando cenas com pessoas se comportando de forma contrária ao que essas campanhas pregam, e as crianças acabam refletindo muitas vezes, o mesmo comportamento de racismo na sala de aula.

Diante disso, cabe aos pais conversarem e orientarem seus filhos sobre o erro que é ter atitudes racistas com outras pessoas, e que é preciso respeitar a todos independente de rua cor de pele ou tipo de cabelo.

Na sala de aula também é possível desenvolver algumas atividades de conscientização para que as atitudes de racismo sejam definitivamente abolidas da sociedade e as pessoas possam finalmente viver em paz, como iguais.

Confira todas as informações sobre o racismo em sala de aula!

Qual a origem do racismo?

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Alguns historiadores afirmam que o racismo surgiu no período escravagista, em que os negros não eram tratados como seres humanos. Porém, mesmo após séculos da abolição da escravatura, muitas pessoas ainda tem essa cultura fixada em sua mente.

Obviamente isso não é desculpa para tratar com desrespeito qualquer pessoa, essa é apenas uma explicação histórica, e talvez essa seria a primeira maneira de trabalhar o racismo na sala de aula. Explicando não apenas a história, mas deixando claro para o aluno que esse tipo de comportamento ficou no passado.

Essa é uma forma de abrir o diálogo sobre o racismo na sala de aula, deixando os alunos exporem suas ideias e entendimentos sobre o assunto. O educador pode atuar como um mediador dessa discussão tirando dúvidas, mas sempre deixando claro que o racismo, ou qualquer tipo de atitude preconceituosa não deve ser incentivada.

Vamos pensar juntos, se o racismo é fruto do comportamento da sociedade é preciso desmistificar e “cortar o mal pela raiz”, e a maneira mais eficiente de se fazer isso é por meio da conscientização das crianças, é trabalhando o racismo em sala de aula e mostrando o quão errado é esse comportamento.

A certeza de que o racismo é algo que está presente na sociedade vem de uma pesquisa realizada em 2009, que mostrou que mais de 93% dos entrevistados, apresentavam algum tipo de preconceito, seja ele racial, econômico, religioso ou de orientação sexual.

Essa pesquisa foi realizada em instituições de ensino, sendo que os entrevistados foram pais, alunos e funcionários, ou seja, a necessidade de falar sobre o racismo na sala de aula é mais do que urgente, uma vez que o preconceito existe inclusive dentro das escolas.

O contato com a afroeducação

O primeiro passo que as instituições de ensino deve dar para discutir o racismo na sala de aula, é colocar os alunos em contato com agentes que fazem parte da cultura afro, um exemplo bem simples, é realizar visitações a museus.

Essa é uma forma de estimular os alunos a compreenderem, que como os brancos, os negros tem sua identidade, sua história, suas raízes e lutas. Isso não significa que os negros precisam ser colocados como vítimas da sociedade, esse comportamento seria praticamente uma inversão de valores.

O que quero dizer é que, ao discutir o racismo na sala de aula, apresentando características históricas dos negros, sua importância para eles e para a sociedade como um todo, automaticamente, essa cultura de preconceito começará a ser eliminada do comportamento das pessoas.

Nas aulas de artes, o professor pode incluir a cultura negra no plano de aula, falar de cantores, atores, pintores, e outros artistas que fizeram e ainda fazem a história do nosso país e do mundo.

Os negros que fizeram história no Brasil

Para falar sobre o racismo na sala de aula, de forma tal que o professor mostre para os alunos a importância dessas pessoas para a sociedade, é interessante usar exemplos de personagens históricos que fizeram toda a diferença na sociedade. Veja alguns exemplos que podem ser utilizados durante as aulas:

Joaquim Barbosa

Joaquim Barbosa foi o primeiro negro a presidir o Supremo Tribunal Federal. Ele foi responsável pelo julgamento de um dos maiores escândalos políticos da história brasileira, o mensalão.

Machado de Assis

Machado de Assis foi um dos maiores escritores da história literária brasileira. Ele foi romancista, poeta, dramaturgo, contista, jornalista, cronista e crítico literário. Apesar de sua origem pobre e de não ter frequentado faculdade, esse grande mestre ajudou a fundar a Academia Brasileira de Letras.

Dandara

Dandara participou das lutas no século XVII pela liberdade do povo negro. Ela defendia a ideia de que a liberdade era algo inegociável. Dandara foi casada com Zumbi dos Palmares, e morreu na frente de batalha, lutando para proteger o quilombo dos macacos.

André Rebouças

André Rebouças foi um dos militantes do movimento abolicionista, além de ter sido uma das maiores autoridades brasileiras em engenharia hidráulica e ferroviária. André Rebouças participou da fundação da Sociedade Brasileira contra a Escravidão.

Aqualtune

Aqualtune veio para o Brasil em um navio negreiro, mas logo depois de chegar já começou a participar de movimentos de fugas. Ela foi uma importante líder do quilombo dos Palmares. Aqualtune foi avó de Zumbi dos Palmares.

Os negros que fizeram história no mundo

Nelson Mandela

É considerado o líder mais importante da África e ganhou o prêmio Nobel da paz em 1993. Mandela passou 67 anos de sua vida se dedicando a luta pelo direito de igualdade. Ele lutou contra o sistema do Apartheid, um sistema racista.

Charles Drew

Charles Drew foi médico e pesquisador afro-americano, que fundou o banco de sangue no início da Segunda Guerra Mundial para ajudar os feridos de guerra. Nos trabalhos de doação de sangue ele protestava contra o preconceito e o racismo.

Barack Obama

Barack Obama foi o primeiro presidente negro na história dos Estados Unidos! Em 2009, ele recebeu o prêmio Nobel da paz e foi eleito a pessoa mais poderosa do mundo. Em 2010, foi eleito pela segunda vez a pessoa mais poderosa do mundo pela revista Forbes.

Condoleezza Rice

Condoleezza Rice foi secretária de estado durante o governo Bush. Ela foi considerada pela revista Forbes a mulher mais poderosa do mundo, e por muitas vezes foi porta-voz do governo americano.

Exemplos de atividades realizadas contra o racismo na sala de aula

Muitas escolas brasileiras vêm realizando atividades educativas de conscientização para reduzir os atos de racismo e preconceito na sociedade. Para demonstrar esses trabalhos exemplares, nós do Canal do Ensino selecionamos alguns exemplos:

1. A identidade brasileira de cada um

Projeto realizado em uma escola municipal de Salvador, tem como objetivo estimular as crianças a refletirem sobre a cultura e questões africanas e indígenas.

Durante as atividades, os alunos conseguiram se identificar em cada personagem, assumindo assim sua própria identidade.

2. Quilombo e cultura, uma relação estreita

Esta é uma sequência didática apresentada para alunos do 8º e 9º ano do Ensino Fundamental, e tem como objetivo estudar os quilombos e sua importância na história brasileira.

O conteúdo apresentado nesse projeto, estimula os alunos a discutir, compreender e valorizar os elementos culturais afro e suas relações com a sociedade brasileira.

3. Tour cultural com foco na igualdade

Uma escola em Cuiabá está estimulando seus alunos a refletirem de forma crítica sobre a diferença de oportunidades que existem na sociedade, principalmente o preconceito contra mulheres, indígenas e negros. O projeto é desenvolvido com crianças do ensino fundamental I.

4. A realidade afro do Brasil

Uma escola em Vitória introduziu em seu conteúdo programático de ensino, elementos que compõem a cultura afro, tais como culinária, obras artísticas, músicas, jogos, capoeira, danças, entre outras atividades.

Essa foi a forma que a escola encontrou para fazer as crianças entrarem em contato com essa cultura e assim aprender a valorizar e a respeitar esse povo que tanto fez por nosso história.

5. Cultura afro-brasileira em foco

Em São Paulo, uma escola estadual desenvolveu um projeto para os alunos do 6º ano do Ensino Fundamental. Neste projeto os alunos estudaram gêneros textuais da cultura afro-brasileira em libras.

As disciplinas contempladas com esse projeto foram Artes, História, Língua Portuguesa, Geografia, História e Ciências.

Nesse caso, vale destacar que essa turma era composta de 35 alunos, sendo que destes, 8 eram surdos ou tinham algum tipo de deficiência auditiva.

6. Preconceito e racismo: raízes escravagistas

Esse projeto estimula os alunos a debaterem o preconceito e o racismo no Brasil. A partir dessas discussões, o aluno começa a perceber a importância da cultura africana dentro da sociedade brasileira.

Os professores mostram para seus alunos que os brasileiros são frutos da miscigenação, e que o racismo é uma ideia do período escravagista que deve ficar apenas na história, como aprendizado e não pode mais ser aplicado na sociedade atual.

O que você acha sobre a discussão do racismo na sala de aula? O que você acha que pode ser feito para reduzir as atitudes de preconceito e racismo?

Até a próxima!

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