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Como desenvolver a autonomia das crianças? Veja 9 dicas

Olá, leitor(a)!  

As crianças têm muito a nos ensinar, especialmente no que diz respeito ao deslumbramento com o desconhecido e à capacidade de sonhar e inventar a vida. Contudo, para que essas características permaneçam ao longo de suas trajetórias e sejam aperfeiçoadas, é fundamental que adultos(as) cuidem e estejam atentos(as) ao desenvolvimento delas.  

Nesse sentido, muitas habilidades podem ser trabalhadas desde os primeiros anos de existência dos(as) pequenos(as). Trata-se apenas de definir quais as melhores estratégias para cada uma das fases pelas quais eles(as) passam. A fim de ajudar cuidadores(as) com essa tarefa, nós mostramos a importância de incentivar a autonomia das crianças e listamos 9 dicas para fazer isso.  

Autonomia e a importância de incentivá-la nas crianças 

Para muitos profissionais da área da saúde mental, a infância é a fase mais importante da vida das pessoas. Isso porque, nesse período, estamos construindo nossa subjetividade, nossos valores e modos de reagir aos acontecimentos. Assim, todas as coisas ditas e feitas durante o crescimento das crianças impactam o seu circuito de afetos e crenças.  

Em outras palavras, os comportamentos que apresentamos hoje, de alguma forma, são o reflexo daquilo que experienciamos quando pequenos(as). Sob essa perspectiva, torna-se imprescindível pensar modelos de educação (formal e informal) que priorizem o desenvolvimento cognitivo, emocional e intelectual dessas crianças com prudência e responsabilidade.  

Tendo isso em vista, e identificando uma frequente queixa social relacionada a certa incapacidade das novas gerações de lidar com dificuldades e frustrações, uma das pautas mais discutidas na atualidade envolve a necessidade de incentivar a autonomia dos(s) baixinhos(as). Isso não significa permitir que eles(as) façam tudo o que desejam, mas sim ensiná-los(as) sobre limites e deveres. 

O termo autonomia possui origem grega, em que auto significa “próprio, de si mesmo” e nomia se refere a “norma, regra”. Dessa forma, quando falamos em estimular essa característica nas crianças, estamos propondo que elas desenvolvam a aptidão de enumerar, relacionar e tomar decisões, estabelecendo o próprio senso crítico e princípios de conduta. 

Além dos benefícios óbvios, relacionados ao amadurecimento, a aquisição da autonomia contribui para o surgimento e aperfeiçoamento de outras capacidades, como raciocínio lógico e memória. Ademais, e conforme demonstra a experiência de uma escola da Bahia, dar oportunidade para que as crianças participem ativamente da tomada de algumas decisões e cumpram pequenas tarefas de modo independente são ações que aumentam a autoestima e a sensação de pertencimento delas.  

9 dicas sobre como desenvolver a autonomia das crianças 

Vemos, então, que quanto mais autônomos(as) e independentes os(as) baixinhos(as) forem, maiores as chances de viverem a fase adulta de modo saudável e com comprometimento. Por isso, e a fim de ajudar cuidadores(as) com essa importante missão, nós reunimos 9 dicas para incentivar a autonomia nas crianças. Confira:  

Como desenvolver a autonomia das crianças? Veja 9 dicas

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1. Criar uma rotina com tarefas e momentos de lazer

Antes de encorajar os(as) pequenos(as) a tomarem suas próprias decisões, eles(as) precisam de exemplos de como isso funciona, e de alguma disciplina. Diferentemente do que se possa imaginar, não se trata de impor um cronograma de atividades que devem ser rigorosamente cumpridas, mas de promover uma rotina que ofereça descanso, saúde e estímulos. Assim, mesmo com tarefas pouco divertidas, as crianças vão absorver os conceitos de processo e de responsabilidade.  

2. Reservar tempo de qualidade com as crianças

O tempo reservado para estar com as crianças é essencial não só para que elas criem vínculos, mas também para que se sintam importantes e amadas — esses sentimentos contribuem para o desenvolvimento da confiança necessária para ter autonomia. Além disso, nessa fase da vida, nós agimos como uma espécie de mímico(a), reproduzindo tudo aquilo que vemos e ouvimos. Portanto, os comportamentos e as escolhas linguísticas dos(as) baixinhos(as) sofrem influência direta das pessoas com as quais eles(as) convivem.  

3. Sugerir atividades lúdicas e sensoriais 

Frequentemente, ouvimos cuidadores(as) ou educadores(as) expressarem espanto pela quantidade de energia que uma criança pode acumular, chegando a dizer, inclusive, que elas estão “ligadas no 220”. Por essa razão, exercícios ou propostas educativas que não considerem questões físicas têm grandes chances de falhar. Ademais, incentivar atividades lúdicas e sensoriais é uma excelente maneira de viabilizar a autonomia e a independência, já que os(as) pequenos(as) estão em reflexão e ação constantes. 

4. Encorajar os(as) pequenos(as) a expressarem como se sentem

Para que nossos pequenos seres humanos possam realizar suas escolhas e comunicá-las com clareza, antes é necessário que eles sejam encorajados a expressarem como se sentem. Muitos estudos, especialmente de viés psicanalítico, mencionam o ato de conversar sobre aquilo que nos aflige como meio de curar questões internalizadas. Quando você incentiva uma criança a falar sobre suas alegrias, dores e outros sentimentos, você mostra que ela tem valor e que o que ela diz é relevante.  

5. Promover uma comunicação propositiva e afetiva

Essa sugestão vem ao encontro do que foi defendido no item anterior, com o apelo de que o canal de comunicação estabelecido entre uma pessoa adulta e uma criança seja afetivo e, principalmente, propositivo. A infância é um período de experimentação, em que quase tudo acontece pela primeira vez, logo, as crianças não sabem como reagir a alguns acontecimentos. Por isso, é essencial que tenhamos um diálogo que proponha a elas soluções, a fim de que desenvolvam a capacidade de refletir, em vez de, por exemplo, paralisarem e chorarem. 

6. Incentivar a resolução de pequenos problemas

Entendendo que, na maioria das vezes, é possível encontrar caminhos para solucionar um problema, incentivar que crianças resolvam alguns dá a elas a oportunidade de refletirem sozinhas e criarem os próprios critérios para decidir. Isso pode começar, por exemplo, com a escolha de uma roupa para ocasiões específicas. Assim, quase como um desafio, os pais explicam o funcionamento do evento, se o lugar é quente ou frio, e, a partir disso, estimulam que elas decidam que vestimentas devem usar. 

7. Apresentar maneiras de lidar com a frustração

Manha, pirraça e teimosia são alguns dos substantivos usados para tratar crianças que não desenvolveram a capacidade de lidar com um “não” ou qualquer outra situação desconfortável para elas. Essa postura é muito comum quando os pais têm dificuldade de impor limites e conversar sobre aquilo que é negociável ou não. Dessa maneira, ensinar os(as) pequenos(as) que existem algumas normas importantes de serem seguidas, e que isso influencia em muitas outras coisas, permitirá que eles(as) se tornem pessoas maduras, resilientes e definam com clareza os próprios limites.   

8. Abordar o erro sob a perspectiva da responsabilização

A sensação de culpa costuma prender a pessoa que a sente em um evento ou situação que surgiu a partir de um descuido dela. Nesse sentido, por exemplo, muitas crianças acabam desenvolvendo traumas na realização de algumas atividades por temerem a repreensão de pais e educadores(as). Por essa razão, é fundamental trabalhar o erro a partir da ação, ou seja, do que se pode fazer para remediá-lo. É importante que crianças entendam a ideia de consequência, mas isso precisa ser realizado de forma amorosa e prática, concedendo a elas a oportunidade de corrigir aquilo que fizeram. 

9. Possibilitar que as crianças participem ativamente da rotina de casa

Depois de colocar em prática todas as dicas anteriores, que tal usar a casa como um laboratório para a construção da autonomia dos(as) pequenos(as)? Alguns exemplos de práticas a serem adotadas, e que são um excelente incentivo para que crianças façam escolhas e lidem com as consequências delas, incluem: sugerir que recolham e guardem os brinquedos após usar; pedir que arrumem a própria cama; e chamar elas para iniciarem experiências culinárias na cozinha. 

Conteúdo extra 

Para quem tem interesse em entender mais sobre modelos de educação amparados nas ideias de autonomia, independência, liberdade e tempo de qualidade, nós recomendamos o canal da Morgana Secco. Além dele, Morgana utiliza sua página no Instagram para compartilhar a rotina vivida com a bebê Alice, que ficou famosa ao reproduzir com fluidez, ainda muito pequena, palavras difíceis.  

Outra sugestão interessante é o podcast Marista Lab – Por uma educação transformadora, cuja proposta é convidar famílias, crianças e educadores(as) para conversar sobre diversos temas relacionados à educação. No episódio #26, por exemplo, o bate-papo gira em torno do poder da autonomia sob a perspectiva de uma criança.     

#Partiu promover uma cultura que reconheça a capacidade dos(as) pequenos(as) de tomarem decisões e crescerem mais responsáveis? Então compartilhe nosso texto com os pais e cuidadores(as) que você conhece!  

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Muito obrigada pela leitura e até breve!  

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