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Como desenvolver a autoestima nos alunos?

Olá, leitor!

Cada vez mais, educadores se preocupam com transmitir mais aos seus alunos do que apenas conteúdos programáticos. A educação infantil envolve mais fatores do que apenas a alfabetização.

A autoestima nos alunos é uma das preocupações para educadores infantis e, todo o mundo. No entanto, abordar e ajudar a desenvolver essa habilidade pode não ser uma tarefa simples. Lidar com a autoestima é um desafio até mesmo para os adultos.

Na nossa sociedade, temos uma relação complicada com a autoestima. Enxergar e estar ciente das nossas qualidades muitas vezes é visto como uma característica negativa.

Quando perguntadas sobre si, raramente as pessoas descrevem seus pontos fortes. E isso é aprendido desde a infância.

Ouve-se muito, por exemplo, que elogiar demais as crianças pode resultar em um adulto mimado e que lida mal com frustrações. Na verdade, o problema normalmente não é a quantidade de elogios, mas a qualidade deles.

Se você quiser mais dicas sobre como abordar a autoestima na escola, pode ler também esse artigo do Canal do Ensino.

A seguir, vamos explorar melhor os conceitos e a importância da autoestima na educação infantil. Você também encontrará sugestões de atividades e ações que ajudam as crianças a desenvolver autoestima e confiança.

O que é autoestima?

autoestima nos alunos

Fonte: Canal do Ensino

A autoestima faz parte da percepção que temos de nós mesmos. Ela envolve muitos fatores emocionais e é subjetiva. Sendo assim, mesmo que uma pessoa tenha várias boas características que todos podem observar, é possível que ela tenha a autoestima baixa.

Essa visão subjetiva de si é resultado de um processo longo de construção, que começa na primeira infância. Nossas experiências e contatos com o mundo exterior são os responsáveis pela construção, não apenas dessa, mas de todas as nossas percepções.

Todos os contextos em que estamos inseridos contribuem para a formação da autoestima. A família, a escola, o relacionamento com nossos pares, o trabalho e a sociedade em geral.

Essas são fontes contínuas de informações sobre nós mesmos. As pessoas comentam sobre nosso comportamento, êxitos e fracassos, sobre nossas características.

Essas informações, aliadas ao estilo educativo parental, os valores sociais e modelos encontrados na mídia, são responsáveis por pequenas pistas, que formam a percepção de quem somos.

Dependendo do que o mundo exterior nos diz, essa imagem é mais positiva ou mais negativa.

Por que abordar a autoestima na escola é importante?

Todas as nossas interações sociais são importantes para a formação da autoimagem. Isso não exclui o ambiente escolar. Esse é um conceito em constante formação e atualização, especialmente nas crianças.

Por isso, trazer para o seu plano de aula e para suas ações no dia a dia, práticas que ajudam os alunos a se enxergarem sob uma luz mais positiva é essencial. Também é papel do educador desenvolver a autoestima nos alunos.

Grande parte da vida infantil é passada em apenas dois ambientes: o escolar e o familiar. Por isso, é fundamental que ela receba mensagens positivas sobre si nesses contextos.

É claro, a convivência familiar acaba detendo um papel mais relevante no desenvolvimento da autoestima nos alunos. Esse é o primeiro círculo social da criança e o mais importante para ela.

Entretanto, a escola vem em segundo. Uma experiência positiva no ambiente educacional pode ajudar a neutralizar uma negativa em casa, em certos casos.

Alunos que vêm de famílias instáveis ou desinteressadas são aqueles que mais precisam do educador. A escola é uma oportunidade para essas crianças de se enxergarem sob uma ótica diferente e mais positiva.

Confiança e aprendizado

A boa autoestima nos alunos leva também a um melhor aprendizado. Isso porque, ela está intrinsecamente ligada à formação da confiança. Vamos entender melhor como isso afeta o aprendizado por meio de um exemplo.

Imagine que um aluno tenha dificuldades com matemática. Frequentemente, ele ouve os pais e educadores conversando sobre isso. Nessas conversas, ouve que ele “não tem jeito”, que “não importa o que os pais façam, ele não aprende” e que “não leva jeito para matemática”.

Essas são pistas que essa criança usa para formar sua identidade, ou seja, ela se convencerá de que não conseguir aprender matemática é uma característica imutável nela. Com o tempo, ela vai parar de tentar.

Se, ao invés disso, esse aluno ouvisse “precisamos tentar ensinar matemática de um outro jeito”, “sabemos que ele está se esforçando” e “com o tempo, ele conseguirá”, o cenário seria muito diferente.

A autoestima nos alunos não precisa vir apenas de sucessos. Os fracassos são, afinal, uma ótima oportunidade de aprendizado. Com pequenas mudanças na forma que nós, adultos, lidamos com as falhas das crianças, é possível mudar a visão que elas têm de si.

Uma criança que se enxerga como “burra” pode passar a se ver como “perseverante”. E essa confiança na própria habilidade de insistir e superar é essencial para o aprendizado. É a diferença entre “sou mesmo burro, é melhor desistir” e “vou tentar mais uma vez, se eu insistir, conseguirei”.

Como desenvolver a autoestima nos alunos?

Agora que já discutimos a importância de desenvolver a autoestima nos alunos, vamos sugerir algumas formas de incorporar essa prática nas suas aulas.

  • Busque focar os elogios feitos para as crianças em ações, não em características. Isso ajuda com a compreensão de que por meio de esforço é possível superar obstáculos;
  • Não faça comparações. Isso é ruim para todos. Além de prejudicar a autoestima nos alunos, você estará incentivando atritos e problemas de relacionamento entre os colegas. Essa é uma ação que gera sentimentos de inveja, ressentimento e inferioridade;
  • Quando elogiar apenas um aluno, faça isso em particular. Quando for elogiar a sala, use frases que ressaltam a participação pessoal de todos. Um bom exemplo é: “Parabéns por trabalharem em equipe tão bem. Uma salva de palmas para vocês mesmos e para seus colegas”;
  • Se um aluno fracassar em algo, procure explicar que fracassos acontecem. É importante que a criança entenda que todo mundo erra, inclusive pais e professores. Acrescente que você sabe que ele é um aluno dedicado e que tem certeza que conseguirá acertar se continuar tentando;
  • Incentive que os alunos falem o que pensam. Incluí-los no processo de educação é essencial para o desenvolvimento da confiança. Isso pode ser feito por meio de exercícios criativos, onde não há certo ou errado. Outra forma de estimular a autoestima e independência é pedir que, de uma seleção de exercícios, os alunos escolham cinco problemas favoritos para responder;
  • Esteja disponível. Sempre deixe claro para os alunos que eles podem conversar com você sobre as aulas, dificuldades, sentimentos e confiança. É importante que as crianças entendam que ter dificuldades é normal, e que às vezes nos sentimos inferiores e impotentes. Saber que isso acontece com todos de vez em quando ajuda na percepção de que isso é uma emoção passageira e oposto de parte da personalidade.

Sugestões de atividades

Para ajudar a trazer a discussão sobre autoestima nos alunos e confiança à tona, confira essas sugestões de atividades para a sala de aula. Esses métodos estão focados em educação infantil, mas podem ser facilmente adaptados para adolescentes.

Caixa de elogios

Com uma caixa de sapatos, monte uma urna onde as crianças podem deixar pequenas mensagens de elogios anônimos para os colegas. Você pode separar um momento especial para escrever elogios ou até mesmo deixar que os alunos façam isso à vontade.

Estabeleça momentos para colocar os elogios na caixa, como antes do recreio. No final do dia, selecione alguns papéis para ler para a classe. Você, como educador, também pode colocar elogios na caixa.

É interessante especificar para as crianças que os elogios devem ser feitos sobre características “de dentro” e da personalidade.

Eu sou…

Em exercícios de redação, desenho e outros processos criativos, uma temática interessante é falar de si. Proponha para os alunos que descrevam suas personalidades, características positivas e pontos fortes.

Peça também que eles expliquem por que pensam isso de si mesmos. Essa também é uma ferramenta poderosa para encontrar possíveis casos em que alunos precisam de uma intervenção mais focada.

Conclusão

A autoestima nos alunos é desenvolvida por meio de suas interações com o mundo. Os adultos, seus pares e a sociedade como um todo dão a elas pistas sobre suas personalidades, habilidades e comportamentos. A partir dessas informações é que criamos nossa autoimagem.

Como a convivência no ambiente escolar ocupa grande parte do tempo das crianças, é importante que o desenvolvimento da autoestima nos alunos seja incentivado. Crianças mais confiantes aprendem melhor, se relacionam melhor e se tornam adultos mais realizados.

Como educador, é importante mostrar para os seus alunos que eles têm a capacidade de superar obstáculos. Também é preciso deixar claro para as crianças que todos podem errar e podem corrigir seus erros, inclusive os adultos.

Elogiar ações e esforços ao oposto de características e resultados é um dos principais passos para formar adultos que sabem lidar com frustrações e persistir.

Quer mais dicas sobre como você, professor, pode melhorar suas aulas? Leia os outros artigos do Canal do Ensino:

E você? Quais são as suas técnicas favoritas para trabalhar a autoestima nos alunos durante suas aulas? Deixe sua opinião nos comentários e aproveite para perguntar se ficou com alguma dúvida.

Até logo!

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