Você está aqui:Home » Dicas » Estudantes » Como construir uma boa argumentação?

Como construir uma boa argumentação?

Olá,

O século XXI é o século da informação. Nunca antes na história se produziu tanta informação quanto produzimos hoje. Milhões, talvez bilhões de pessoas, consomem e compartilham informações diariamente.

Contudo, não nos basta somente consumir informações, é necessário que saibamos nos posicionar diante de tudo que lemos e ouvimos. É necessário que saibamos opinar sobre as informações que chegam até nós. E, para isso, precisamos ter bons argumentos. Saber construir uma boa argumentação é essencial nos dias de hoje. E essa necessidade vai muito além de simplesmente fazer uma boa redação. O mundo hoje nos cobra isso.

Se não desenvolvermos um raciocínio crítico em relação às informações que nos chegam, corremos o risco de concordar com coisas que não fazem o menor sentido. E, se não soubermos argumentar, será que saberemos filtrar as informações que chegam até nós?

Continue lendo, que nesse artigo vamos lhe ensinar como construir uma ótima argumentação. Primeiro, veremos o que é argumentar.

O que é um argumento?

Boa argumentação

Fonte: Reprodução

Argumento é tudo aquilo que usamos para comprovar um fato, afirmando-o ou negando-o. A finalidade de um argumento é convencer alguém, para que mude de opinião ou de comportamento. Geralmente, quando argumentamos, queremos que o outro pense como nós, concorde com o que dizemos, ou que faça as coisas como consideramos que elas devem ser feitas. Contudo, para que consigamos tudo isso, é necessário que comprovemos que estamos certos, e, para que seja possível essa comprovação, é necessário usarmos o que chamamos de argumento.

Como construir bons argumentos?

Agora que você já sabe o que é um argumento, confira algumas dicas para construir uma boa argumentação:

  • Tenha sempre em mente o que você quer provar. Quando vamos argumentar, significa que queremos provar algo. Tenha isso claro. O que você quer provar para o seu leitor?
  • Tenha embasamento. Jamais fale sobre algo que você não tenha certeza. Portanto, afirme somente sobre aquilo que você estiver convicto de estar certo. Um argumento deve sempre ter boa base. Se você não tiver certeza sobre aquilo que você diz, alguém pode desmontar seu raciocínio com uma simples pergunta, como “Por quê?”.
  • Use exemplos. Uma das melhores formas de convencer alguém de que você está certo é usando exemplos. Cite um fato que ocorreu com você ou algum conhecido, uma notícia que você leu em algum jornal. Exemplos serão sempre ótimos argumentos.
  • Use citações. Se puder, durante a redação de seu texto, use citações de alguma autoridade no assunto em questão. Procure saber o que algum especialista ou pesquisador da área já disse sobre aquilo e cite em seu texto. Mas lembre-se: se usar citações de textos ou falas alheias, deixe claro que se trata de uma citação.
  • Pense nos contra-argumentos que podem ser usados contra você. Se você conseguir imaginar quais contra-argumentos podem ser usados em oposição a sua opinião, você pode de antemão criar argumentos que desmontem esses contra-argumentos.
  • Seja coerente sempre. Lembre-se que as suas ideias devem estar conectadas. Esteja sempre atento para não se contradizer.
  • Evite ser subjetivo. Lance mão de coisas concretas e objetivas para basear seus argumentos. Evite usar expressões como “na minha opinião”, “eu acho”, “eu penso”. E não se esqueça que o ideal é o uso da terceira pessoal. Evite ao máximo usar a primeira pessoa do singular.
  • Use comparações. Argumentos fundados em comparações são ótimos para convencer as pessoas.
  • Utilize referências históricas. Se no passado ocorreu algum fato que pode ser comparado ao que você estar defendendo, use-o como argumento. As pessoas vão ter maior dificuldade em confrontá-lo diante de fatos que deduzem que você está certo.
  • Use dados estatísticos. Dados estatístico são ótimos como argumentos, mas ao utilizá-los lembre-se de informar a fonte, quem coletou os dados, quando, onde os dados foram coletados e onde foram publicados.
  • Use relação de causa e consequência. Lembra da sua mãe dizendo que “se você andar descalço você vai gripar”? Então, andar descalço é a causa, ficar gripado é consequência. Utilize essa relação sempre que possível.
  • Questione, faça perguntas. Outra forma de argumentar é questionando seu leitor. Faça perguntas que levem seus leitores a pensar naquilo que você quer convencê-lo.

Exemplos de argumentação

  1. Explicou-me um bocado de coisas: público-alvo, tiragem, abrangência, faturamento etc., etc. Na época, não me ligava muito a isso, já que o tabloide em que eu era “editora”, “repórter”, “fotógrafa” e colunista nada faturava. Assim feito o “Pampulha”, era de distribuição gratuita, com o diferencial de que também os anúncios eram gratuitos. Afinal, como cobrar de alguém que queria trocar um porco por uma geladeira? Um fogão de quatro bocas por uma TV? Um barraco de três cômodos por um fusquinha usado? De alguém que anunciava chup-chups, produtos Avon, salgadinhos e panos de prato?

Fonte: O tempo

 

Perceba que nesse exemplo a autora faz perguntas ao leitor para argumentar o fato de que não era conveniente cobrar pelos anúncios. As perguntas que ela nos faz, convencem-nos que realmente não faria sentido se o jornal cobrasse dessas pessoas para anunciar o que elas queriam. Além disso, fica implícito também que se trata de pessoas que não teriam condição financeira para pagar pelos anúncios.

 

  1. Primeiro alerta: nunca se case com uma dentista. Lógico: o que esperar de uma mulher que está habituada a ficar sempre por cima, falando o tempo todo, enquanto você, imobilizado e vulnerável, só pode emitir grunhidos quando sentir dor? E se a amada for uma advogada? Nem pense em casamento. Você será massacrado com argumentação afinada toda vez que ela intimá-lo a discutir a relação – sem direito à réplica ou a recurso em instância superior.

Jamais se case com uma arquiteta. Estudos comprovam que as arquitetas são mulheres sofisticadas, charmosas, rainhas do bom gosto. Seriam esposas fantásticas – não fosse a disposição malévola para mudar tudo de lugar subitamente. Você está relaxado na poltrona, na santa paz, assistindo ao futebol. Distraído, não percebe que sua mulher folheia, frenética e compenetrada, um exemplar do “Architectural Digest”. Ai, ai, ai! É sinal de borrasca se aproximando. Pode apostar: de repente, ela vai atirar a revista na cesta, suspirar e dizer aquela frase tão temida:

– Amor, acho que podemos dar uma melhorada nesta sala.

Fonte: O tempo

Nesse outro exemplo, perceba que o autor compara a mulher à profissão que ela exerce. Além da comparação, o autor também faz pergunta ao leitor. Tanto a pergunta quanto a comparação são recursos ótimos para serem usados em uma argumentação.

 

Você viu neste texto o que são argumentos e como construí-los. Além disso, vimos também exemplos de bons argumentos. Releia o texto caso ainda tenha dúvidas e lembre-se: quanto mais você praticar, melhor argumentador será. Aproveite também para fazer o exercício abaixo e testar seus conhecimentos.

Um grande abraço, e até a próxima.

Exercício

1 –  (UFG-GO) Leia o texto de Paul Horowitz, físico da Universidade de Harvard.

Existe vida inteligente fora da terra? “No Universo? Garantido. Na nossa galáxia? Extremamente provável. Por que não encontramos aliens ainda? Talvez nossos equipamentos não tenham sensibilidade suficiente. Ou não sintonizamos o sinal de rádio correto”.

SUPERINTERESSANTE. São Paulo: Editora Abril, n. 224, mar. 2006, p. 42.

Tendo em vista os argumentos utilizados por Paul Horowitz, pode-se inferir que ele:

a) garante a existência de aliens apoiando-se em comprovações científicas.

b) prova que nosso encontro com extraterrestre é apenas uma questão de tempo.

c) revela suas idéias em uma escala que varia em diferentes graus de certeza.

d) sustenta seu ponto de vista com base em resultados verificados por equipamentos adequados.

e) reconhece a existência de vida alienígena em nossa galáxia.

 

 

Gabarito

1 – C

Deixe um comentário

© 2012-2019 Canal do Ensino | Guia de Educação

Voltar para o topo