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Colocação pronominal: Tudo para você dominar o assunto

Olá, estudante!

Se você é gramatiqueiro, apaixonado por português ou tem muita dificuldade nessa área, chegou ao lugar certo!

Neste texto, iremos tratar da matéria chamada de Colocação Pronominal,  que faz parte dos estudos sobre a Gramática.

Dominar esse conteúdo  é muito importante por dois motivos, até porque uma pesquisa aponta que o Português incorreto reprova 46% dos jovens em processos seletivos.

Além disso, aprender sobre Colocação Pronominal irá te ajudar a se sair bem em atividades e avaliações de Português na escola, vestibular ou concursos e também para escrever redações mostrando respeito à modalidade formal da língua.

Por se tratar de um tema gramatical, será preciso conhecer e até mesmo memorizar algumas regras. Contudo, antes de apresentá-las, é necessário compreender com clareza o que é colocação pronominal.

O que é colocação pronominal?

Colocação pronominal

Fonte: Shutterstock

 

A colocação pronominal pertence à parte da gramática denominada Sintaxe, que estuda a organização dos elementos em uma frase e a relação entre esses elementos.

Perceba que, ao criar uma frase, normalmente segue-se uma ordem lógica. Um exemplo disso é que dificilmente alguém elaboraria uma frase como “vou eu internet na colocação estudar pronominal” para transmitir a ideia “Eu vou estudar colocação pronominal na internet”.

Esse raciocínio auxilia no entendimento sobre o que é colocação pronominal, pois basta pensar que ela diz respeito à posição dos pronomes oblíquos átonos em uma frase ou oração. Parece algo muito complexo, mas trata-se de um conteúdo que está presente na nossa fala cotidiana com bastante frequência.

Um exemplo bem básico que ilustra isso é a frase “Te amo”. Veja bem: trata-se de uma sentença bem curta, mas nela podemos avaliar a colocação pronominal.

Em primeiro lugar, é preciso esclarecer que a frase “Te amo” revela um erro gramatical do ponto de vista das regras da Gramática Tradicional.

Em segundo lugar, é preciso considerar que o erro existe porque há uma regra que diz que, em início de frase, o pronome (no caso, o “te”) deve vir após o verbo, e por isso o correto seria dizer “Amo-te”.

É importante ressaltar, portanto, que “Amo-te” é considerado gramaticalmente correto. Essa é uma exigência para a gramática tradicional, mas no uso cotidiano sabemos que nem todas as regras da língua são cumpridas à risca.

Qual o objetivo das regras de colocação pronominal?

As regras de colocação pronominal, quando foram criadas, tinham como objetivo evitar alguns sons estranhos na elaboração de frases. Na Língua Portuguesa, esse princípio de buscar a produção de sons que não sejam desagradáveis ou estranhos é chamado de “eufonia”, que pode ser entendido como “som ou combinação de sons agradáveis ao ouvido”.

Para entender isso melhor, veja esses exemplos:

Arthur esteve aqui em casa procurando por você, mas já foi-se.

Arthur esteve aqui em casa procurando por você, mas já se foi.

Perceba que, no primeiro caso, o som produzido por “foi-se” remete ao da palavra “foice” (aquele instrumento de corte em forma curva), o que soaria muito estranho no contexto. O emprego do pronome neste caso está incorreto de acordo com a gramática e isso evita o som estranho.

Regras para colocação pronominal

colocacao-nominal

Agora que você já sabe que a colocação pronominal é a posição que os pronomes pessoais oblíquos átonos ocupam na frase, vale a pena relembrar quais são esses pronomes. Para isso, a tabela abaixo será útil.

Pessoa do discurso Pronomes oblíquos átonos
1ª pessoa (singular) me
2ª pessoa (singular) te
3ª pessoa (singular) se, o, a, lhe
1ª pessoa (plural) nos
2ª pessoa (plural) vos
3ª pessoa (plural) se, os, as, lhes

 

Quanto às regras, ou seja, o correto emprego, os pronomes oblíquos podem assumir três posições na oração em relação ao verbo:

  1. Próclise: o pronome deve ser colocado antes do verbo

Exemplo: Isso não se faz.

  1. Ênclise: o pronome deve ser colocado depois do verbo

Exemplo: Amo-te muito!

  1.  Mesóclise: o pronome deve ser colocado no meio do verbo

Exemplo: Chamar-me-iam de louco.

Vamos conhecer abaixo cada uma das regras que definem se o uso do pronome deve ocorrer por meio de próclise, mesóclise ou ênclise.

Próclise

É obrigatório o uso de próclise, pronome após o verbo, quando existe alguma palavra antes do verbo que “atrai” o pronome para perto dela, ou seja, faz com que o pronome oblíquo fique posicionado antes do verbo. Conheça as palavras que atraem o pronome e tornam a próclise obrigatória:

  • Palavra com sentido negativo:

Nada me faz querer sair dessa cama.

Não se trata de nenhuma novidade.

  • Advérbios:

Nesta casa se fala alemão.

Naquele dia me falaram que a professora não veio.

  • Pronomes relativos:

A aluna que me mostrou a tarefa não veio hoje.

Não vou deixar de estudar os conteúdos que me falaram.

  • Pronomes indefinidos:

Quem me disse isso?

Todos se comoveram durante o discurso de despedida.

  • Pronomes demonstrativos:

Isso me deixa muito feliz!

Aquilo me incentivou a mudar de atitude!

  • Preposição seguida de gerúndio:

Em se tratando de qualidade, o Brasil Escola é o site mais indicado à pesquisa escolar.

  • Conjunção subordinativa:

Vamos estabelecer critérios, conforme lhe avisaram.

Ênclise

A ênclise (pronome após o verbo) é obrigatória quando se observarem os seguintes casos:

  • O verbo iniciar a oração:

Digalhe que está tudo bem.

Chamaramme para ser sócio.

  • O verbo estiver no imperativo afirmativo:

Amemse uns aos outros.

Sigamme e não terão derrotas.

  • O verbo estiver no infinitivo impessoal regido da preposição “a”:

Naquele instante os dois passaram a odiarse.

Passaram a cumprimentarse mutuamente.

  • O verbo estiver no gerúndio:

Não quis saber o que aconteceu, fazendose de despreocupada.

Despediu-se, beijandome a face.

  • Houver vírgula ou pausa antes do verbo:

Se passar no vestibular em outra cidade, mudo-me no mesmo instante.

Se não tiver outro jeito, alisto-me nas forças armadas.

Mesóclise

A mesóclise (pronome no meio do verbo) acontece obrigatoriamente em apenas dois casos, e por isso é mais fácil de memorizá-los:

  •  Quando o verbo está flexionado no futuro do presente:

A prova realizar-se neste domingo pela manhã.

  • Quando o verbo está flexionado no futuro do pretérito:

Far-lhe-ei uma proposta irrecusável.

Dicas para usar a colocação pronominal

Algumas dicas podem ser fundamentais para te auxiliar no uso correto dos pronomes átonos:

  • Saiba que, no Português, a maioria das frases em que o pronome átono aparece são casos de próclise obrigatória. Ou seja, de modo geral, é preferível apostar que o pronome deve ficar antes do verbo.
  • Na análise de uma frase, quando não há nenhum fator obrigatório para a próclise, ênclise ou mesóclise, a conclusão a que se deve chegar é de que se trata de um caso facultativo, como neste exemplo: “Eu lhe obedeço” ou “Eu obedeço-lhe”.

Exercícios para fixar o conteúdo

QUESTÃO 01 (ENEM 2000)

O uso do pronome átono no início das frases é destacado por um poeta e por um gramático nos textos abaixo.

Pronominais

Dê-me um cigarro

Diz a gramática

Do professor e do aluno

E do mulato sabido

Mas o bom negro e o bom branco

da Nação Brasileira

Dizem todos os dias

Deixa disso camarada

Me dá um cigarro

(ANDRADE, Oswald de. Seleção de textos. São Paulo: Nova Cultural, 1988)

“Iniciar a frase com pronome átono só é lícito na conversação familiar, despreocupada, ou na língua escrita quando se deseja reproduzir a fala dos personagens (…).”

(CEGALLA, Domingos Paschoal. Novíssima gramática da língua portuguesa. São Paulo: Nacional, 1980)

Comparando a explicação dada pelos autores sobre essa regra, pode-se afirmar que ambos:

A) acreditam que apenas os esclarecidos sabem essa regra.

B) condenam essa regra gramatical.

C) afirmam que não há regras para uso de pronomes.

D) criticam a presença de regras na gramática.

E) relativizam essa regra gramatical.

QUESTÃO 02 (VUNESP 2017)

Observa-se no texto um desvio quanto às normas gramaticais referentes à colocação pronominal em:

A) “Lembro-me que, sempre depois de seu trabalho, minha mãe ficava passeando pela sala com uma flanelinha debaixo de cada pé, para melhorar o lustro.” (1° parágrafo)

B) “Seu Afredo […] tornou-se inesquecível à minha infância porque tratava-se muito mais de um linguista que de um encerador.” (1° parágrafo)

C) “Tratava-se de um mulato quarentão, ultrarrespeitador, mas em quem a preocupação linguística perturbava às vezes a colocação pronominal.” (2° parágrafo)

D) “[…] seu Afredo, casualmente de passagem, parou junto a ela e perguntou-lhe à queima-roupa, na segunda do singular […].” (2° parágrafo)

E) “Seu Afredo virou-se para ela e disse: […].” (4° parágrafo)

GABARITO

1) E

2) B

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