Você está aqui:Home » Dicas » Estudantes » Resumo de livro: Capitães da Areia, de Jorge Amado

Resumo de livro: Capitães da Areia, de Jorge Amado

Olá, leitor!

Publicado em 1937, Capitães da Areia é um romance escrito na primeira fase do autor Jorge Amado (1912 – 2021). A obra é marcada por preocupações sociais e questões existenciais acerca da vida dos garotos de rua de Salvador. Capitães da Areia traz personagens únicos, realistas e condizentes com o contexto social e as mazelas daquela época.

O romance foi inspirado na classe social pobre de Salvador. Jorge Amado, como admirador das lutas dos desfavorecidos, buscou homenageá-los por meio dessa incrível obra.

Pedro Bala se joga n’água. Não pode ficar no trapiche, entre os soluços e as lamentações. Quer acompanhar Dora, quer ir com ela, se reunir a ela nas Terras do Sem Fim de Yemanjá. Nada para diante sempre. Segue a rota do saveiro do Querido-de-Deus. Nada, nada sempre. Vê Dora em sua frente, Dora, sua esposa, os braços estendidos para ele. Nada até já não ter forças. Bóia então, os olhos voltados para as estrelas e a grande lua amarela do céu. Que importa morrer quando se vai em busca da amada, quando o amor nos espera?

Resumo

Capitães da Areia, de Jorge Amado

Fonte: Reprodução

A história se passa nas ruas e nas areias das praias de Salvador, onde um bando de crianças vive em um velho armazém. Algumas não possuem família, foram abandonadas ou fugiram de lares onde sofriam abusos e maus tratos.

O bando conta com cerca de quarenta meninos, entre 9 e 16 anos. Eles têm um líder, o Pedro Bala, rapaz de 15 anos; corajoso e valente, ele está nas ruas há 10 anos. Por isso, conhece Salvador como a palma da sua mão. Seu amigo Professor é jovem franzino, porém muito criativo e esperto, é um exemplo de inteligência e sabedoria para esses meninos.

Os garotos praticam pequenos furtos, fazendo com que o bando se torne famoso, temido e procurado pela polícia. Os meninos seguem uma vida desregrada, ou seja, a maioria fuma, rouba e perambula pelas ruas sempre com a intenção de conseguir dinheiro para comer.

Quando começam a praticar furtos maiores, eles atraem ainda mais atenção da polícia, que quer encontrar o esconderijo dos meninos para mandá-los ao reformatório. No contexto da época, Jorge Amado apresenta lugares cheios de torturas físicas e psicológicas que tentam “modelar” os meninos para a vida em sociedade.

No decorrer da história, a cidade de Salvador passa a ser assolada por uma epidemia (varíola), fazendo com que muitos pobres, que não possuem acesso à vacina, adoeçam e morram isolados.

Nesse contexto, entram Dora e seu irmão, Zequinha, que perderam os pais para a doença. Por isso, passam a ser discriminados e isolados. Assim, vão para as ruas e acabam cruzando com o Professor e o João Grande, outro membro importante do bando, que os levam para o velho armazém onde moram.

No início, a presença de uma garota entre eles incomodou muitos os meninos. Contudo, com a intervenção de Pedro Bala, eles acabam por aceitá-la, inclusive muitos a chamam de irmã. Ela era vista como um modelo materno e, acima de tudo, como par romântico de Pedro Bala.

Depois disso, eles elaboram um plano para o roubo de um grande palacete, mas acabam sendo presos. Contudo, muitos deles conseguem fugir da delegacia. Pedro Bala, apesar de salvar grande parte dos companheiros, acaba preso com Dora. Ele é levado ao reformatório; ela, a um orfanato.

Passado um mês, depois de sofrer bastante no reformatório, ele foge da instituição e começa a elaborar um plano para libertar Dora. Durante o processo de resgate, Pedro encontra uma Dora debilitada, muito febril e doente, internada na enfermaria.

Mesmo assim, eles conseguem render a enfermeira e a resgatam, levando-a novamente para casa. Entretanto, Dora não resiste e acaba falecendo. Seu corpo é enrolado num pano e jogado no mar. Pedro Bala fica muito triste e inconsolável, assim como todos os membros do bando.

Anos se passam e cada menino segue um rumo. Por exemplo, Professor foi para o Rio de Janeiro expor os quadros que pintava com ajuda de um poeta; Pirulito virou religioso; Sem-Pernas morreu fugindo da polícia. Volta-Seca entrou para o bando de Lampião; Gato foi para Ilhéus ganhar a vida com trapaças; João Grande embarcou num navio de carga e virou marinheiro.

Boa-Vida virou tocador de violão e boêmio, Pedro Bala passou a participar de eventos políticos, como organizar greves e manifestações, dando outro sentido para o bando, sempre presente nas lutas sociais.

Aquele saber, aquela vocação para contar histórias, fizera-o respeitado entre os Capitães da Areia, se bem fosse franzino, magro e triste, o cabelo moreno caindo sobre os olhos apertados de míope. Apelidaram-no de Professor, porque num livro furtado ele aprendera a fazer mágicas com lenços e níqueis e também porque, contando aquelas histórias, que lia e muitas que inventava, fazia a grande e misteriosa mágica de os transportar para mundos diversos, fazia com que os olhos vivos dos Capitães da Areia brilhassem como só brilham as estrelas da noite da Bahia.

Estrutura da obra

Capitães da Areia é um romance de 342 páginas, dividido em 4 partes. A primeira, de caráter jornalístico, apresenta-se como um prólogo intitulado Cartas à redação, com trechos de matérias de jornais acerca do bando. Na segunda, Sob a lua: num velho trapiche abandonado, inicia-se a narrativa em si. Subdividida em 11 capítulos, mostra o ambiente e o contexto social desses meninos, apresentando os problemas da época e os personagens.

A terceira, intitulada Noite da Grande Paz, da Grande Paz dos teus olhos, traz 8 capítulos e é destinada a narrar o amor entre Pedro Bala e Dora. A quarta parte, chamada Canção da Bahia, Canção da Liberdade, é subdividida em 8 capítulos. Nesse trecho, ocorre o desfecho da obra, mostrando o que aconteceu com o bando e os seus integrantes.

Linguagem

A linguagem desse romance é informal, com a utilização de termos mais populares e regionais, característica típica do Modernismo. O discurso indireto livre também é usado em alguns trechos.

Narrador

A obra é narrada em terceira pessoa. O narrador é onisciente, aquele que não participa do enredo, ou seja, heterodiegético.

Tempo

O tempo do enredo é cronológico, respeita a passagem dos dias, semanas, meses e anos. Não existe a menção de datas no decorrer da narrativa. Apenas sabemos que se passa no contexto social vivido naquela época, assunto de que falaremos mais adiante.

Existem também passagens permeadas pelo tempo psicológico, nas quais o narrador nos apresenta as histórias, pensamentos e anseios dos meninos do bando.

Espaço

O espaço principal da obra é a cidade de Salvador, que se torna quase uma personagem secundária, servindo como um pano de fundo muito importante para toda a narrativa.

Alguns pontos específicos da cidade são citados, tais como o Trapiche, o Terreiro de Jesus, o Corredor da Vitória; entre outros.

Contexto histórico

O duro governo de Getúlio Vargas, o Estado Novo, com perseguições, prisões e constantes tensões políticas, contribuiu para a construção do cenário caótico retratado por meio das desigualdades da vida dos meninos de rua de Salvador.

Jorge Amado denuncia as mazelas da sociedade por meio dessa narrativa, expondo todos os males da lógica capitalista, que ignora a presença da desigualdade e vira as costas aos pobres.

Personagens principais

Os principais personagens de Capitães da Areia, são:

Pedro Bala

Jovem de 15 anos, líder do bando. Corajoso e valente, torna-se o herói da narrativa. Um garoto ágil e esperto, engajou-se em causas sociais após a morte de Dora.

Professor

Garoto franzino, muito calmo e inteligente, o único que sabia ler no bando todo. Tido como sábio e conselheiro pelos demais, ganha o apelido de Professor. Possui o dom de pintar, o que o leva ao Rio de Janeiro para expor seus quadros no final do livro.

Dora

Garota loira de cabelos lisos, com 15 anos, a única mulher do grupo, acaba encarnando uma espécie de figura materna para os meninos. Apaixona-se por Pedro Bala, mas fica doente e acaba falecendo.

Análise

A obra Capitães da Areia é caracterizada como um romance de aventura. Contudo, não se trata apenas de uma narrativa de ação. Essa obra também apresenta uma grande análise social da desigualdade, questionando o sistema econômico e político da época.

Uma das passagens mais bonitas dessa narrativa ocorre quando o padre dá ingressos para os meninos andarem de carrossel. Eles se encantam com o brinquedo e revelam seu lado humano e inocente, mostrando que vivem nessa condição marginalizada apenas devido às desigualdades sociais.

Capitães da Areia consagra-se na literatura nacional como um manifesto contra as desigualdades sociais, bem como contra os modelos políticos e econômicos predominantes na sociedade.

Gostou do nosso resumo de Capitães da Areia, de Jorge Amado? Leia também:

Até breve!

comentários (1)

Deixe um comentário

© 2012-2019 Canal do Ensino | Guia de Educação

Voltar para o topo