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Artes na educação: a importância de ensinar artes na escola

Olá, leitor!

Já parou pra pensar o quanto que as manifestações artísticas envolvem nossa cultura, nossos costumes, influenciando muitas vezes o modo de vida de nossa sociedade?

Será que dá pra mensurar a importância das artes em nossas escolhas, nosso desenvolvimento como indivíduo e nossa visão de mundo? A interferência das artes em nossa formação como seres humanos?

Trouxemos nesse artigo, alguns pontos que farão você, como agente direto no processo educativo, a refletir sobre o papel das Artes na Educação. As legislações atuais que tratam do tema no país e depoimentos de especialistas. Confira!

Artes na Educação

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Influências das artes no desenvolvimento humano

O interesse que o ser humano tem por artes vem de tempos remotos da história. Em manifestações representativas, usando a linguagem visual em seus desenhos rupestres, nas fabricações de instrumentos, vestimentas e artefatos.

Nesse período a manifestação artística surgiu de uma necessidade de se expressar, de se comunicar. A estética tinha seu valor em segundo plano. O que era priorizado era a finalidade do desenho, da construção das ferramentas.

A Evolução do conceito de artes

Com a evolução do ser humano, a arte passou a ganhar outro status: servia também à representação do belo e dos sentimentos que as pessoas queriam passar com as cores, os sons e os materiais utilizados.

Passou a retratar não só beleza e gostos, mas a identidade cultural de povos em todo o mundo nas diversas gerações.

Embora tenha havido divisão entre os que valorizam a linguagem artística e os que as desqualificam, as artes têm sido matérias de estudo para identificar sua importância no desenvolvimento do indivíduo por completo, em educação.

Artes nas escolas

Aos poucos as disciplinas de artes, que em algum tempo foi Educação Artística, vêm conquistando espaço nos centros de estudos e nas políticas educacionais.

Acabam de serem incluídas como obrigatórias nas escolas, segundo a Base Nacional do Comum Curricular homologada pelo Ministro da Educação, Mendonça Filho (Dezembro- 2017) as linguagens de Artes visuais, dança, teatro e música.

Na verdade, de certo modo já havia sido desde a lei 13278 de 2016 alterando a 9394 de 96 (LDB) onde a Música fazia parte do ensino de Artes, mas não era obrigatório e incluindo as demais modalidades.

Ainda precisará de tempo para serem bem trabalhadas, vai precisar de preparação dos professores e adaptação das avaliações nacionais, mas já é considerado pelos profissionais de Arte e Educação, um avanço para o aprendizado.

Importância das artes na educação

O papel das disciplinas de Artes na educação é muito importante. As linguagens artísticas ajudam o ser humano a desenvolver diversos aspectos nas diversas fases da vida.

Na pedagogia Waldorf  por exemplo, incentiva a criatividade, trabalhando as manifestações artísticas e artesanais das crianças, estimulando o sentir e as linguagens corporais, o agir. Promovem atividades que estimulam a criatividade e a imaginação.

Ana Mae Barbosa, pioneira na arte educação no Brasil, desenvolveu a Proposta Triangular, onde se trabalha três abordagens: a contextualização histórica, o fazer artístico e a apreciação artística.

Ela valoriza a melhor preparação do professor de Artes, mesmo na educação básica, para que ele se qualifique para dar aulas que fiquem além do estimular a criatividade, que ultrapasse o ensino do desenho geométrico, que seja mais abrangente.

A educadora ainda defende que o ensino de artes no futuro, envolverá manifestações artísticas das comunidades em que vivem e seu meio ambiente.

Um pouco da história

A educação de Artes no Brasil, começou oficialmente com a criação da Academia Imperial de Belas Artes feita em 1816, no período do império.

Era pra ser uma escola seguindo a tendência dos desenhos industriais surgindo na época, para trabalhadores, mas acabou se tornando uma escola para a elite, só os ricos frequentavam.

Nessa época o ensino de Artes valorizava os desenhos e as artes plásticas, e continuou por muito tempo. Depois da semana da Arte moderna (1922), as outras formas de artes começaram a influenciar na busca pelo seu aprendizado, além de Heitor Villa Lobos (década de 30) levando as raízes musicais da cultura brasileira para suas aulas de canto coral.

Depois foi adotado o nome Educação Artística (uma tradução literal do termo americano Art Education), onde eram desenvolvidas atividades manuais mais próximas de trabalhos simples, para serem feitos como lembranças, pinturas e recortes de ilustrações já prontas.

Na arte contemporânea das escolas, ainda encontramos dificuldades em valorizar as Artes como matéria de real valor, por parte dos pais, até mesmo professores de outras disciplinas. Com as novas propostas muito deverá ser feito para mudar essa situação.

Legislação referente a educação das artes

Década de 70 e 80 – influência do militarismo e herança tecnicista

Na década de 70 foi inserida a Educação Artística nas escolas. Ainda sob influência militar e herdeira dos princípios tecnicistas dos anos 80, a educação artísticas tinha um caráter mais recreativo.

Na educação infantil e no ensino fundamental ( na época jardim de infância e 1º grau) alguns trabalhos manuais desenvolvidos em temas de datas comemorativas ( dia das mães, páscoa, festa junina, Natal), usando ilustrações mimeografadas, papel e tinta. Música e artes não eram muito difundidos nem incentivados.

Nesse período nas faculdades, professores artistas lutavam por desenvolver e valorizar o ensino de Artes nas escolas públicas. Professores procuravam se preparar para despertar esse valor aos alunos e aos outros professores.

Lei de Diretrizes e Bases 1996

Em 1996 com a implementação da Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB), tornou-se obrigatório a oferta de pelo menos quatro linguagens artísticas na educação básica: teatro, música, artes visuais e dança. Educação artística já era chamada de Artes.

Porém, as escolas não possuíam em sua maioria, condições de estrutura para manter essa divisão e apesar dos esforços ainda não estava funcionando.

Parâmetros Curriculares Nacionais (1997)

Em 1997 os Parâmetros Curriculares Nacionais, surgem como tentativas para se estabelecer essa obrigatoriedade levando a disciplina de Artes para um cenário de importância nacional, que há pouco tempo não tinha.

Os PCNs incentivaram a utilização da Abordagem Triangular da professora Ana Mae Barbosa, citado aqui anteriormente.

lei 13278 de 2016

Esta lei coloca como obrigatórias as atividades de artes: Música, dança, teatro e artes visuais. Essa lei deu um prazo de cinco anos para que os professores estejam preparados para dar as aulas na educação básica (educação infantil, ensino fundamental de 9 anos e ensino médio).

Muitos professores já se mantiveram otimistas, pois, a muito lutam por esse espaço importante nos currículos educacionais. Ainda muitos pontos serão acertados, mas o cenário é de otimismo.

BNCC

O documento que regulariza a Base Nacional Comum Curricular, foi homologada dia 20 de Dezembro de 2017 pelo então ministro da Educação, Mendonça Filho.

Traz como componentes obrigatórios, as linguagens de Artes Visuais, Música, Dança e Teatro. Por meio dessas manifestações artísticas espera-se desenvolver um ser humano consciente de si mesmo e de sua cultura.

Além disso, essas linguagens da arte proporciona momentos de aprendizagem em relação a outras culturas, as diferenças sociais e o desenvolvimento de sua criticidade sendo o aluno protagonista e criador dessas linguagens artísticas também.

A BNCC propõe que se trabalhe as Artes em dimensões:

  • Criação – o fazer artístico, apreender o que está em jogo durante o processo.
  • Crítica – Impressões que o sujeito tem e o leva a novas compreensões.
  • Estesia – Experiência sensível em um dos sujeitos em relação ao espaço. Articula sensibilidade e percepção.
  • Fruição – Promover sensibilização durante a prática artística.
  • Reflexão – Processo de construir argumentos sobre as fruições.

Trabalha-se as linguagens em unidades temáticas, as artes integradas. A proposta é desenvolver o indivíduo como ser critico, producente, capaz de analisar, dialogar, concluir, discutir questões sociais, políticas e culturais.

Considerações finais

Os avanços da educação, em relação a área artística, parece ter começado. Porém, ainda há muito que caminhar. Esforços somados, deverão fazer parte do cotidiano educacional, pois toda a comunidade estará inserida no processo.

O papel da arte na educação, finalmente começa ser notado pela população em geral, assim poderão cobrar o cumprimento das obrigações em relação à educação, no caso, de artes.

Todos tendo consciência da importância das Artes em nossas vidas, poderemos trabalhar juntos para que essas regras sejam efetivamente cumpridas, assim como a preparação dos professores e a adequação dos colégios para receber a nova visão de trabalho das linguagens artísticas.

Que essa visão da Arte continue melhorando, que os indivíduos mais simples possam ter acesso à diversidade artística aliada aos recursos tecnológicos e científicos. Que suas escolas tratem com respeito essa disciplina, na sua importância merecida.

No entanto, não se esqueçam que é a concretização de sonhos a muito sonhados pelos maiores estudiosos, artistas, professores e teóricos da área de Artes na Educação.

Que durante muito tempo lutaram pela valorização da matéria nas escolas, não só por serem objeto dos seus trabalhos, mas por entenderem da importância que tem em relação ao mundo e ao desenvolvimento do ser humano.

Até mais!

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