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Alfabetização de adultos: Como adaptar o plano de aula

Olá, leitor!

Da precarização do ensino à falta de oportunidades, existem muitos motivos para o abandono escolar. O Censo escolar de 2015 apontou que mais de 3 milhões de alunos entre 4 e 17 não estavam frequentando a escola.

Muitas dessas pessoas que não conseguiram concluir o ensino fundamental, buscam retomar a educação depois de adultos. É por isso que foi criado o sistema EJA (Educação para jovens e adultos), que visa a alfabetização e conclusão do ensino fundamental. Em 2017, foram registradas mais de 2 milhões de matrículas no programa.

Os professores empregados pelo EJA, normalmente são pessoas com a formação e preparação para dar aulas no ensino fundamental. Apesar do currículo de conteúdo ser o mesmo, dar aulas para crianças é muito diferente de dar aulas para adultos. O professor estará trabalhando com um público muito diferente, com outros objetivos. É normal, portanto, que as atividades normais do ensino fundamental não motivem e nem despertem o interesse dos alunos no EJA.

A seguir, você encontra mais informações sobre o EJA. Além disso, vamos discutir um pouco sobre os motivos mais comuns para o abandono escolar, para que você entenda melhor o seu aluno. Também discutiremos sobre os planos de aula e dicas de atividades para a alfabetização de adultos. Confira a seguir informações relevantes!

Abandono escolar: entenda porque tantas pessoas procuram a alfabetização depois de adultosalfabetizacao-de-adultos-como-adaptar-o-plano-de-aula

O abandono escolar, é infelizmente cotidiano no Brasil. Milhões de crianças e jovens são obrigados a deixar os estudos todo ano. Alguns deles, sequer começam o ensino fundamental.

Para entender melhor as necessidades dos seus alunos no EJA, é preciso pensar sobre o abandono escolar. Quais são os motivos mais frequentes para que as pessoas desistam dos estudos?

A pobreza influencia muito no abandono escolar. A maioria deixa de estudar pela necessidade de ajudar a família financeiramente. Para engajar em trabalho informal, muitas crianças e jovens param os estudos, a maioria ainda no ensino fundamental. Outro dado que coincide muito com o abandono escolar é o de gravidez precoce. A grande maioria das meninas que ficam grávida antes dos 15 anos tendem a abandonar os estudos por completo.

A situação de rua também é outro fator que impossibilita os estudos. Em abrigos, é requerido que as crianças atendam à escola. No entanto, ainda existem muitos menores em situação de rua que não se encontram em abrigos.

A alienação do aluno também contribui para o abandono escolar, embora em menor proporção do que a situação econômica. Nosso sistema de ensino é engessado e pouco adaptativo, muitas vezes excluindo alunos portadores de deficiências, tanto físicas quanto cognitivas.

Até mesmo uma pequena dificuldade de aprendizado, combinada com planos de aula inadequados, pode causar o alienamento. Em alguns casos, o bullying também pode causar abandono escolar.

Se você está interessado em dados mais detalhados sobre o abandono escolar, o Instituto Unibanco publicou uma análise detalhada do perfil desses alunos.

O que é a Educação para Jovens e Adultos (EJA)?

O EJA é uma modalidade de ensino, assim como o fundamental e o médio. Essa modalidade, no entanto, é destinada especificamente para jovens e adultos que não concluíram ou que não tiveram acesso ao ensino fundamental e/ou médio na idade apropriada.

Esse é como um novo nome para o antigo supletivo. Um dos principais objetivos é a alfabetização de adultos e a continuidade do ensino. Dessa forma, garante-se que os recém alfabetizados não voltem à condição de analfabetos. Quais são os objetivos do EJA?

Educação para Jovens e Adultos busca muitos outros objetivos além da alfabetização de adultos. A ideia é oferecer acesso à educação básica para todos, entregando certificado e possibilitando, por exemplo, o ingresso no ensino superior.

Veja alguns dos principais objetivos dessa modalidade de ensino:

Trabalhando com um público diferente: o que muda para o professor?

Trabalhar com crianças é muito diferente do que trabalhar com adultos. Como a maioria dos professores que atendem o EJA estão acostumados a criar planos de aula para o ensino fundamental, a adaptação pode ser um pouco difícil.

A alfabetização de adultos não exige adaptações apenas para a idade. O educador estará lidando com alunos que têm pressa de aprender. As aulas expositivas tradicionais, devido a isso, costumam a ser ineficientes. É difícil despertar o interesse dos alunos com elas.

Explorar relações mais dinâmicas no plano de aula é essencial para envolver o aluno na alfabetização de adultos. É necessário que o aluno tenha papel ativo na aula. Dessa forma, consegue integrar o conteúdo em seu cotidiano de forma muito mais rápida.

Outra diferença que deve ser destacada é que crianças são muito mais receptivas ao aprendizado. Elas estão em uma fase do desenvolvimento que apresenta curiosidade aguçada e mentes preparadas para receber informação. A criança, também, não precisa ter preocupações com trabalho, responsabilidades excessivas e problemas financeiros. De forma geral, o adulto tem menos disponibilidade para se dedicar completamente à educação.

A receptividade de atividades também muda muito. Enquanto crianças ficam felizes em realizar trabalhos em grupo, em adultos o professor pode esperar muita resistência. O fato é que esse público não tem tempo de fazer muito fora da sala de aula. O tipo de atividade também deve mudar muito. Crianças são extremamente receptivas a técnicas lúdicas. Embora esses métodos possam ajudar adultos a fixar conteúdos, na maioria dos casos não existe a disponibilidade para “brincar” em sala de aula.

O adulto tem um perfil mais sério e normalmente encara o EJA como o meio para um objetivo. Para que os alunos se envolvam com a aula, é essencial elaborar atividades que conversem com sua faixa etária e rotina. Inserindo as atividades na rotina

Segundo o método construtivista de educação, a melhor maneira de fixar conteúdo é trazendo as atividades para a rotina do aluno. É necessário apresentar situações problema, por exemplo, que possam facilmente se enquadrar no dia a dia.

Quanto mais condizente com a realidade do aluno for o conteúdo, mais fácil é a fixação. Então, criar exercícios e atividades que façam sentido para o mundo do aluno é fundamental. O primeiro passo para isso é observar os alunos e determinar quais são seus conhecimentos prévios. A partir da informação que o aluno já tem, é mais fácil criar conexões e associações para as novas matérias.

Ao oposto de simplesmente expor o conteúdo para o aluno, o ideal é que o professor aja como auxiliar. O papel passa a ser ajudar o estudante a construir o seu conhecimento à sua maneira, através de suas experiências.

Adeque seu plano de aula a um publico mais maduro

Conhecer o perfil dos alunos que buscam a alfabetização de adultos é importante. Trazer as vivências e experiências desse público para debate em sala de aula é essencial para engajar e ensinar com eficiência.Sugestão de atividades

O melhor jeito de aprender é através da prática e da vivência. Por isso, é fundamental incluir no plano de aula muitas atividades práticas e exercícios. Esse método mais dinâmico de ensino tem se provado muito mais eficiente do que as aulas expositivas tradicionais, especialmente na alfabetização de adultos.

Uma vantagem de ensinar adultos é que o professor dispõe de uma gama maior de assuntos que podem ser discutidos. Enquanto alguns temas causam polêmica com pais –  como saúde sexual – e outros, confusão nas crianças – como temáticas socioeconômicas - com adultos a discussão pode ser mais livre.

O educador pode, é claro, adaptar as atividades que já usa para a alfabetização de adultos. Ao invés de desenhar um objeto para cada letra do alfabeto, por exemplo, pode ser pedido que a classe fale uma palavra por pessoa. Perceba que essa ainda é uma forma lúdica e dinâmica de ensinar. No entanto, tanto o método quanto o nível de desafio são adaptados para adultos.

Para facilitar o processo de alfabetização de adultos, comece com temáticas referentes às características dos alunos. O nome, a idade, o local de moradia. Quando os alunos já estiverem na fase de formar frases, peça para que escrevam sobre sua rotina matinal, uma frase por linha. Mais tarde, é possível voltar a essa atividade para ensinar conectores de frases, pronomes demonstrativos e outras estruturas mais complexas.

Utilizar recursos tecnológicos também é essencial. Além de auxiliar na dinâmica da aula, o uso desses artifícios promove a inclusão digital, um dos principais objetivos do EJA.

Conhecendo o perfil dos alunos e munido de atividades dinâmicas, adaptativas e de recursos tecnológicos, certamente a alfabetização de adultos se torna mais fácil e rápida. Além disso, o uso desses métodos garante uma fixação melhor dos conteúdos. O ideal é que o aluno não volte à condição de analfabeto ou semianalfabeto após o término das aulas!

Conclusão

A Educação para Jovens e Adultos (EJA) apresenta muitas particularidades para o professor. Profissionais habituados a trabalhar com crianças precisam considerar diferentes fatores para adaptar o plano de aula para esse novo público.

Com pressa de aprender, os adultos têm menos disponibilidade emocional e de tempo para as atividades. Por isso, é necessário encontrar um bom equilíbrio entre o dinamismo, diversão e seriedade para adequar as aulas.

Trazer o conteúdo para a rotina dos alunos é o mais importante. Quando são capazes de construir o próprio conhecimento com base em suas experiências, a fixação é mais fácil e duradoura.

Se você quiser mais dicas voltadas para a elaboração de aulas, dê uma olhada nesses outros artigos do Canal do Ensino:

E você? Quais são as estratégias que utiliza na alfabetização de adultos?

Até mais!

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