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Aprenda como apreciar a arte contemporânea

Olá, leitores do Canal do Ensino!

Gostar de arte é uma questão de opinião, certo? Será? Será que você sabe como apreciar uma obra de arte, principalmente em se tratando de arte contemporânea? Este artigo é para você parar para pensar e, até mesmo, aprender como apreciar a arte contemporânea.

Obras de arte contemporânea, mesmo sendo estas figurativas, podem parecer abstratas aos olhos da maioria dos observadores. Além disso, a arte moderna é frequentemente taxada de “desenho de criança” quando o espectador se depara, por exemplo, com uma série de rabiscos ou manchas coloridas.

Evolução da arte

A arte é uma grande incompreendida e o artista, na maior parte das vezes, é taxado de excêntrico ou gênio, sendo a sociedade no geral bastante complacente com suas atitudes, sem nunca levá-los realmente a sério fora de seu campo de trabalho.

É importante notar que o artista na Antiguidade e Idade Média, era valorizado por suas habilidades manuais – aí entendemos o motivo pelo qual no grego antigo, a palavra téchne (“técnica” ou “ofício”) era o mais próximo na língua para designar o temo “arte”. Porém, a ideia de gênio criador, veio somente com a Renascença e a Idade Moderna. A noção de “artista maldito” – aquele sofredor depressivo que através desse fundo de poço e seu dom genial cria grandes obras – se popularizou após Van Gogh que teve um fim trágico, além de cortar a própria orelha.

As obras de arte

A artista plástica e historiadora Aline Pascholati publicou um artigo no site Literatortura no qual ela fala como é o processo de apreciação da arte.

Segundo Aline, quando, por exemplo, pensamos nas mais “recentes” formas de arte, da arte conceitual (que como o nome diz, é o conceito antes de tudo) até as mais tecnológicas e inusitadas (vídeo arte, performance e instalação), a percepção do público leigo é ainda pior, a não ser que se trate de algo interativo, legal e bonitinho.

Aí entra algo fundamental para apreciação da arte: o conhecimento, aliado à observação e à reflexão. É claro que existem obras que devem apenas ser sentidas, ou artistas não muito sérios que jogam algo na tela com o único intuito de ganhar dinheiro, mas isso já é outra história, que não caracteriza necessariamente e exclusivamente a grande maioria dos casos.

É mais fácil admirar e apreciar uma arte bela ou que ostenta alta qualidade técnica, reproduzindo o mundo de maneira “perfeita”. Quando é preciso verdadeiramente refletir para entender uma obra e suas referências, é bastante difícil fazê-lo sem possuir as ferramentas intelectuais necessárias, além de que o ser humano, por natureza, tende a lei do mínimo esforço, com a ideia quase inconsciente de que “pensar dá preguiça”.

Como apreciar uma obra de arte

Aline Pascholati diz que um ponto de extrema importância é que nós não somos educados e treinados a refletir frente a uma obra de arte. E isso é uma característica do Brasil. Em diversos países da Europa, principalmente no caso da França, as crianças entram desde cedo em contato com a arte – até mesmo a contemporânea.

Aline conta que já presenciou diversas vezes no Museu do Louvre, em Paris, professores e alunos, com menos de dez anos de idade, frente àquelas imensas pinturas a óleo. E antes de “explicar” a obras, o mestre pedia que as crianças dissessem o que pensavam e o que sentiam enquanto observavam. E nesse meio ia explicando sobre a arte.

A artista ainda diz que sente falta aqui no Brasil de um treino da simples reflexão, através da qual podemos penetrar em pelo menos parte da obra. Sobretudo no mundo da arte contemporânea, essa reflexão é extremamente importante, pois, apesar de alguns artistas tratarem de temas facilmente reconhecíveis, como aqueles que fazem referência à cultura pop, muitos possuem temas únicos e maneiras exclusivas de representá-los, gerando assim, uma quantidade bem grande de informação a assimilar.

Segundo Aline, nos dias atuais está mais difícil definir a que estilo ou corrente artística este ou aquele artista pertence. Pelo menos em teoria, hoje o artista é completamente livre e a falta desses padrões dificulta uma leitura mais automática da obra.

Dicas para apreciar obras de arte

Aline Pascholati dá algumas dicas que podem ajudar:

  • Comece por mostras mais “fáceis”, digamos de algum artista renomado, seja um daqueles “das antigas”, um Da Vinci, por exemplo, ou um dos grandes da arte contemporânea.
  • No caso de uma visita a um museu bem grande, com centenas de obras, escolha somente algumas, as que lhe chamaram mais atenção ou aquelas que já ouviu falar. E então pare frente a esta, observe, sinta, interprete, aprecie. Tentar absorver um Louvre inteiro em uma só visita pode ser bastante desgastante.
  • Tudo bem que, quando você é um turista, quer absorver o máximo no pouco tempo que tem. Mas vá com calma, senão você sairá de lá com um turbilhão de imagens misturadas e dor de cabeça.
  • Escolha algumas peças de cada período e as “famosas” do museu em questão, se você fizer questão de vê-las. Esse exercício pode ser feito em qualquer tipo de museu.
  • Leituras de arte: leia sobre arte, seja livro, revista, entrevistas de artistas, e não só isso, mas também música, cinema – pois as artes se influenciam mutuamente e assim será mais fácil reconhecer referências diretas que as cruzem.

Pouco a pouco, esses quadros, esculturas e todo tipo de arte que, a princípio pareciam incompreensíveis, passará a ter talvez um pouco mais de sentido, na maioria dos casos.

Embarque nessa aventura e aprenda a apreciar arte contemporânea! É conhecimento e alimento para mente e alma.

Até mais!

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